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Pela legislação, Barcelona e Espanyol só poderão continuar a disputar o Espanhol se houver modificação na Lei do Esporte

Os catalães carregam o Barcelona como orgulho regional
AP Photo
Os catalães carregam o Barcelona como orgulho regional

A Catalunha é uma comunidade autônoma, na região oeste da Espanha, que surgiu por volta do século 12 e foi integrada ao país por volta de 1750. Com 32.000 km² de extensão e responsável por 20% do PIB espanhol, tem como capital a cidade de Barcelona e vem lutando há anos pela sua independência.

Recentemente, as discussões sobre a separação ficaram mais intensas. No último dia 9 de novembro, foi votada uma resolução no Parlamento regional da Catalunha que dava início ao processo de independência da comunidade. Porém, o Tribunal Constitucional Espanhol anulou o documento e impôs responsabilidades penais caso as ordens sejam descumpridas.

O primeiro-ministro Mariano Rajoy, do Partido Popular, viu seu espaço no parlamento catalão diminuir consideravelmente nos últimos meses.  Nas eleições gerais de domingo, na qual lidera as intenções de voto, tentará restabelecer a comunicação com a Catalunha e melhorar os investimentos para evitar a separação.

Porém, a confusão não se restringe a política e atinge o futebol. Maior representante da comunidade e símbolo do orgulho regional, o Fútbol Club Barcelona terá um caminho difícil pela frente caso a Catalunha declare sua independência.

O Presidente da Liga de Fútbol Profesional, entidade que gere o Campeonato Espanhol, Javier Tebas, admitiu que a legislação espanhola impede que os catalães joguem La Liga se houver a separação: “O Barcelona não poderá jogar a Liga se a Catalunha conseguir a independência. E isso porque a Lei do Esporte tem uma disposição adicional que só um Estado de fora da Espanha pode jogar as competições oficiais do país, e este é Andorra. Se a Catalunha se tornar independente, essa lei teria que se modificar no congresso para que as equipes catalãs possam jogar. É a única possibilidade”, declarou em entrevista à emissora Onda Cero.

A final da Champions League, em junho deste ano, rendeu uma multa à equipe. A Fifa entende como proibido qualquer manifestação política nas arquibancadas de seus jogos e a torcida do Barcelona levou muitas bandeiras da Estelada (símbolo da independência) à Berlim. O clube chegou a colocar em chefe a participação no Mundial de Clubes da Fifa depois do acontecido.

Uniforme de 2010 do Barcelona era referência a bandeira da comunidade
LLUIS GENE / AFP
Uniforme de 2010 do Barcelona era referência a bandeira da comunidade

Segundo um informe do site amazon.es, o posicionamento do time tem afetado a popularidade dentro da Espanha. O Barcelona não costuma ir a público dar declarações sobre o assunto, porém em seus uniformes faz homenagens à Senyera (bandeira da Catalunha), seja na gola da camisa ou em todo o uniforme, como o utilizado em 2010. Para diminuir a rejeição, a diretoria planeja uniformes diferentes na próxima temporada.

Porém, se a Catalunha declarar mesmo sua independência, além do Barça, o Espanyol também seria excluído da Liga. Sendo assim teriam de criar uma nova competição: o Campeonato Catalão.

Liga alternativa

Com a criação de uma liga independente, o Barcelona corre o risco de se tornar um time de menor importância. O apelo financeiro não seria o mesmo da La Liga e, muito menos os adversários. A Catalunha tem hoje dois representantes na elite do futebol e outros dois na segunda divisão, além dos de menor expressão das Séries 2B e 3.

O campeonato seria fraquíssimo até comparado a outras regiões da Espanha. Em uma comparação feita no site Trivela, em 2014, ligas que poderiam ser criadas em Madri, Andaluzia e País Basco ganhariam em nível e importância. Vejamos só as duas primeiras divisões na Espanha:

CATALUNHA : Barcelona e Espanyol (1ª divisão); Girona e Sabadell (2ª divisão).

MADRI : Atlético de Madrid, Getafe, Rayo Vallecano e Real Madrid (1ª divisão); 
Alcorcón, Guadalajara, Numancia, Mirandés e Ponferradina (2ª divisão).

ANDALUZIA : Betis, Granada, Málaga e Sevilla (1ª divisão); 
Almería, Córdoba, Recreativo Huelva e Xerez (2ª divisão).

PAÍS BASCO : Athletic Bilbao, Osasuna e Real Sociedad (1ª divisão).

A perda com a independência seria grande ao time e também ao Campeonato Espanhol, que seria afetado economicamente, já que o Barcelona tem grande apelo mundial. Outra questão que poderia diminuir o time catalão é em quanto sua representatividade. Hoje, como dito, os torcedores utilizam-se da marca do clube como símbolo do regionalismo e depois de alcançada, uma seleção carregaria o peso de símbolo do orgulho catalão.

Mais uma seleção

E falando em seleção, a da Catalunha teria uma boa formação. Na verdade, ela tem. A seleção existe, porém não é reconhecida pela Fifa e apenas disputa jogos amistosos sob a jurisdição da Federação Catalã de Futebol (FCF).

Todo fim de ano, como uma confraternização, jogadores de diversos times são convocados para um amistoso. Neste ano, o jogo acontecerá no Camp Nou no dia 26 de dezembro, contra o País Basco e terá Piqué, Alba e Busquets entre os presentes.

Com base nos jogadores do Barcelona e Espanyol, do meio para trás a seleção tem nomes de peso e poderia brigar por Eliminatórias e Eurocopa. Mas é claro que ainda é fraca em relação a seleções como Alemanha, França e a própria Espanha. Seria preciso tempo e trabalho de base para revelar outros bons nomes na comunidade.

Em resumo, o Barcelona é um time grande e com imensa tradição, o que poderia pesar na decisão do Campeonato Espanhol em excluí-los dos participantes. Se isso realmente acontecer e uma liga catalã for formada, sua grandiosidade estaria ameaçada.

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