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Futebol

23/07 - 08:00

Ex-força estadual, Paraná Clube agoniza
Clube dominou o futebol paranaense nos anos 90, mas recentemente vive dias de time pequeno: sem títulos, sem dinheiro e sem perspectiva

Altair Santos, especial para o iG

Em recente reunião do conselho deliberativo do Paraná Clube, um pequeno grupo de conselheiros lançou a seguinte proposta: a paralisação do futebol por dois anos, a fim de arrumar a casa. A atual temporada pode ser a gota d’água para o clube, caso venha a cair para a Série C do Brasileiro. Neste caso, a tese da licença poderá ganhar corpo. O Paraná agoniza diante da impossibilidade de gerar receitas para sustentar seu time e se vê cada vez mais encurralado pela falta de dinheiro.

Para se ter uma ideia, o atual elenco completou dia 20 de julho quatro meses sem receber direitos de imagem e três meses sem salários. Somando esses dois componentes, a folha de pagamento do Paraná Clube é de R$ 280 mil. Significa que o atraso com os jogadores já se aproxima do R$ 1 milhão. Sem receber, o time, que teve um bom início de Série B – chegou a liderar na fase pré-Copa da competição –, despencou na tabela e durante o Mundial ficou sem treinar uma tarde em sinal de protesto.

O goleiro Juninho, uma espécie de porta-voz do elenco, afirma que alguns jogadores foram orientados por seus procuradores a entrar na Justiça do Trabalho contra o clube, para conseguir os direitos federativos. “A gente teve de controlar os mais afoitos e dar um voto de confiança”, disse o jogador. Uma das formas encontradas para minimizar os atrasos foi a velha “vaquinha”. “Quem tem um dinheiro sobrando ajuda quem está com mais dificuldade”, revela Juninho.

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Juninho é um líder no elenco do Paraná e admitiu as dificuldades financeiras do clube 

O presidente Aquilino Romani põe a culpa na Copa do Mundo. “Os 38 dias sem atuar nos deixaram sem receitas. Ficamos sem as arrecadações dos jogos, que servem, integralmente, para pagar os jogadores”, explica. O dirigente ainda alega que a paralisação atrasou uma negociação que estava bem encaminhada para atrair um patrocinador para a camisa do clube. “A Copa fez a conversa voltar à estaca zero”, afirma.

Perguntado sobre a tese do pequeno grupo de conselheiros, que prega a paralisação, Aquilino diz que não é o caminho. “Hoje, o carro-chefe do Paraná Clube é o futebol. Passamos por um período difícil, mas há boas possibilidades no médio prazo.” Só que ele avisa: tudo isso virá se o clube voltar à Primeira Divisão em 2011. “Existe a possibilidade de sermos convidados para integrar o Clube dos Treze, o que já aumentaria a verba da televisão e ajudaria a gente a atrair um patrocinador”, diz.

A pergunta que a torcida faz é: o Paraná vai conseguir o acesso sem dinheiro? Por enquanto, não há resposta. A única alternativa seria vender jogadores, mas geraria o ônus de desmontar uma equipe que, segundo o técnico Marcelo Oliveira, tem potencial. “São jogadores com o perfil da Série B, mas fazer o time render mais depende de coisas que fogem da minha alçada”, afirma. Leia-se, o estado pré-falimentar em que se encontra aquele que nos anos 1990 foi o papão de títulos do futebol paranaense.


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Marcelo Oliveira

Marcelo Oliveira
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