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21/01 - 13:37

Contestado, Simon diz que merece ir à terceira Copa do Mundo

Alvo de críticas de imprensa, cartolas e atletas, árbitro gaúcho será anunciado pela Fifa como o representante brasileiro na Àfrica do Sul

Paulo Passos, iG São Paulo

Oito de maio de 2006. O telefone toca na residência de Carlos Simon, em Porto Alegre. Do outro lado da linha, o todo poderoso presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira, informa e parabeniza o árbitro. Pela segunda vez consecutiva ele iria apitar uma Copa do Mundo.

Passados quase quatro anos completos, a cena talvez não se repita. Hoje o anúncio dos árbitros do próximo mundial é feito na página oficial da Fifa, mas com certeza o nome de Simon estará lá. O gaúcho foi o indicado pela CBF, junto com Altemir Hausmann e Ednilson Corona, para representar o Brasil na África do Sul. Ele será o único do país a participar de três Copas do Mundo. A confirmação do trio na competição deve sair até o final desta semana.

Alvo de críticas de dirigentes e jornalistas nas últimas temporadas, Simon ainda goza de muito prestígio com o alto escalão da CBF e da Comissão de Arbitragem. Nem os erros em jogos decisivos ou as polêmicas com cartolas o tiram das principais competições mundiais. “Se você pegar o ranking da CBF, hoje eu sou o número 1. E o ranking é baseado em uma série de atividades que têm que ser cumpridas. Desde que fizeram o ranking eu estou nessa colocação.E por que sou o número 1? Porque sou amigo do fulano, cicrano, beltrano? Evidentemente que não.O número um é o que passa por várias provas e se classifica”, argumenta.

Aos 44 anos, Simon planeja encerrar a carreira no final de 2010. Após isso, já tem uma missão para cumprir. “Guardo um livro onde anoto todos os jogos dos meus 26 anos de carreira. Quero contabilizar os dados. Só sei que são mais de mil partidas”, conta orgulhoso.

Outros projetos também estão na gaveta do árbitro, que deixou a presidência do Sindicato gaúcho da categoria em 2009. Petista de carteirinha — é filiado desde 1986 —, ele não descarta seguir a carreira política. Virar comentarista de arbitragem pode ser também o destino. Ele é formado em jornalismo pela PUC-RS. “Já recebi o convite de uma rede nacional de televisão. Mas são coisas para o futuro. Agora quero focar no mundial”, conta o árbitro na seguinte entrevista:

Gazeta Press
Torcida do Palmeiras "presta homenagem" a Simon após erro no Brasileirão de 2009

Você está indo para mais uma Copa do Mundo. Como se sente, sendo o único brasileiro a conseguir esse feito, participar de três mundiais?
Vejo como a coroação dos meus 26 anos de trabalho. Estou muito feliz, mas aguardando ainda a confirmação do anúncio. Vai ser mais um feito nessa carreira que considero vitoriosa.

Você acha que existem outros árbitros brasileiros que poderiam apitar uma Copa do Mundo? O seu nome, pela terceira vez, não é uma prova da falta de renovação?
Absolutamente. Há sucessores, sim. Têm o Sálvio Fagundes, o Heber Roberto Lopes, o Paulo César Oliveira, o Leandro Vuaden, o Gaciba. Acho que esses são grandes árbitros. Daí pode sair o brasileiro para o mundial de 2014. Quanto a mais uma indicação do meu nome, eu trabalhei muito para isso. Tenho 44 anos, mas sou aprovado em todos os testes físicos. Fiz por merecer. Se você pegar o ranking da CBF, hoje eu sou o número 1. E o ranking é baseado em uma série de atividades que têm que ser cumpridas. Desde que fizeram o ranking eu estou nessa colocação. E por que sou o número 1? Porque sou amigo do fulano, cicrano, beltrano? Evidentemente que não.O número um é o que passa por várias provas e se classifica.

E o ano de 2009, como você classifica o seu desempenho. A punição da comissão de arbitragem (foi afastado dos jogos do Brasileiro, após a partida entre Fluminense e Palmeiras) não manchou a sua temporada?
Não. Eu respeito a comissão de arbitragem. Mas também não me manifesto sobre isso. Eu prefiro falar do meu ano espetacular, apitando a abertura e a semifinal do Mundial de Clubes. Então, um cara que termina a temporada assim, sendo elogiado pela comissão de arbitragem da Fifa, só tem a agradecer.

E a polêmica com o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo?
Sobre esse caso com o Belluzo eu não vou me manifestar. Meu advogado está cuidando disso.

E a acusação do goleiro do São Paulo, Rogério Ceni, de que você o persegue?
Eu apitei 45 jogos do Rogério Ceni. Ele tomou três cartões amarelos e dois vermelhos. Eu persigo ele? Devem ter outros árbitros que deram muito mais cartões.

Você se sente perseguido por dirigentes e jornalistas?
Não, acho que a cobrança é normal pelo meu nome e carreira que já construí. Eu já tive os meus equívocos, mas que atire a primeira pedra quem nunca cometeu um erro.

Qual erro lhe incomodou mais?
Foram muito mais acertos que erros. O único que errei, em jogo decisivo, foi na partida entre Botafogo e Atlético Mineiro. Esse eu admito! (relembre os maiores erros do árbitro)

Gazeta Press
Simon exibe cartão vermelho a Rogério Ceni em jogo contra o Santos pelo Brasileirão de 2009

E qual foi o jogo mais difícil na sua carreira?
Apitei vários jogos, várias decisões. Foram cinco finais de Brasileiros, cinco finais da Copa do Brasil, 19 clássicos Gre-Nais, Mundial de Clubes e Copa do Mundo. São vários. Agora, um que foi muito marcante é a final do Campeonato Brasileiro de 1998, entre Cruzeiro e Corinthians. Tinha entrado para a Fifa um ano antes e era a minha primeira final de Brasileiro.

E o clássico, qual é o mais complicado?
Nenhum jogo é mais complicado que o Gre-Nal. Tem as suas peculiaridades. Eu apitei 19 clássicos e gosto muito dessa responsabilidade. Fiquei muito popular aqui no Rio Grande do Sul. Mesmo estando sempre no foco, sempre andei pelo centro da cidade e nunca tive problema.

A política deve ser o seu destino depois de se aposentar?
Eu sou filiado ao Partido dos Trabalhadores desde 1986. Inclusive já estive em palanque com o Lula, na época em que trabalhava no sindicato dos bancários de Porto Alegre. Estivemos juntos algumas vezes, ainda na década de 80. Depois voltei a encontrá-lo, em 2003, já em Brasília. Fui levar uma reivindicação contra o sorteio dos árbitros. É uma coisa que não tem sentido. Infelizmente ele segue em vigor. Mas sobre o meu futuro, só vou definir depois de me aposentar, depois da Copa do Mundo.


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Carlos Eugênio Simon
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