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Futebol

19/05/2009 - 08:03

Ex-Goiás, Welliton foi vítima de racismo na Rússia
Assim como Ouwo Moussa, do CSKA, brasileiro foi alvo de ofensas por parte de um grupo de torcedores do próprio clube que defende

Por Hanrrikson de Andrade, para o iG Esporte


MOSCOU (Rússia) - A revolta do técnico do CSKA, Zico, a respeito de manifestações racistas contra o nigerino Ouwo Moussa Maazou no duelo com o Dynamo de Moscou, pela semifinal da Copa da Rússia, no dia 13 de maio, não surgiu de um caso isolado no país europeu. O atacante Welliton, revelado pelo Goiás e atualmente no Spartak Moscou, também já sofreu com a onda de preconceito disseminada por alguns grupos de torcedores. Na ocasião, a Federação Russa de Futebol agiu imediatamente, o que não ocorreu no recente episódio envolvendo o jogador do CSKA.

Assim que chegou ao Spartak, em agosto de 2007, Welliton foi perguntado sobre qual número gostaria de usar. Optou pela camisa 11, a mesma da rápida passagem pelo Goiás e que, num passado recente, pertenceu ao veterano apoiador Andrei Tijonov, ídolo do Spartak e atualmente no modesto Khimki (RUS).

A opção do jogador acabou motivando uma onda de injúrias raciais, já que a torcida não se conformou com o fato de a camisa 11 ser entregue a um brasileiro, negro. No mesmo ano, porém, Welliton fez seis gols em 11 jogos e se tornou não só o principal goleador do Spartak na temporada, como amenizou a desconfiança.

Getty Images
Welliton durante jogo do Spartak Moscou no Campeonato Russo

“Eles levantaram uma placa com a mensagem: ‘A camisa 11 é só de Tijonov. Macaco, volte para casa’. Imediatamente, liguei para a minha mãe e pensei seriamente em voltar para o Brasil. Mas ela me aconselhou a continuar aqui e, felizmente, eu consegui superar esse obstáculo”, disse por e-mail ao iG Esporte o atacante, de 22 anos.

A atitude racista dos torcedores do Spartak aconteceu logo na estreia de Welliton, que entrou no segundo tempo do jogo contra o Krylia Sovetov, em 11 de agosto de 2007. O clube se defendeu argumentando que o cartaz teria sido feito por um grupo de neonazistas infiltrados. No entanto, duas semanas após, a Federação Russa de Futebol aplicou uma multa de US$ 20 mil (cerca de R$ 40 mil), sendo esta a maior punição financeira já sentenciada pela entidade.

Em abril deste ano, um novo episódio envolvendo o Spartak e o preconceito de alguns dos seus torcedores, que exibiram nas arquibancadas um cartaz ofensivo contra o Spartak Nalchik, clube do extremo-sul russo. Em russo, os fãs expunham dizeres denegrindo os costumes rurais do povo daquela região - a palavra fazia alusão ao fato de que os habitantes de Nalchilk tinham relações sexuais com animais. Dessa vez, a multa paga pelo clube alvirrubro foi menor: US$ 17,5 mil (cerca de R$ 35 mil).

Somente a partir deste caso, os dirigentes do Spartak passaram a estudar alternativas para resolver o problema.

“Um intérprete nos avisou da manifestação dos torcedores no jogo contra o Nalchik. No entanto, o presidente disse que tomaria providências com o nosso torcedor para que isso não voltasse a acontecer. Ele disse também para eu não esquentar a cabeça [com a possibilidade de o brasileiro ser hostilizado novamente] e disse que sabe do meu potencial”, disse Welliton, afirmando que o pior já passou:

“A torcida tem gritado o meu nome durante os jogos. Esse é um belo reconhecimento e também já sou assediado nas ruas”, finalizou Welliton, que fez cinco gols até o momento no Campeonato Russo.


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Torcida não se conformou porque o jogador, brasileiro e negro, escolheu vestir a camisa 11

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