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Futebol

04/05/2009 - 09:12

Ronaldo, o verdadeiro imperador
Atacante ficou irritado com a imprensa, que não o deixou comemorar o título de campeão junto com os jogadores

Mauricio Stycer, repórter especial do iG


SÃO PAULO - Esqueça Adriano, apelidado Imperador pela imprensa italiana. O craque brasileiro que realmente manda e desmanda no mundo da bola hoje em dia é Ronaldo. Diante da bagunça geral no esporte brasileiro, o camisa 9 do Corinthians resolveu agir: faz o que quer e diz o que pensa – realmente, um fenômeno em se tratando de jogador de futebol.

No seu melhor momento desde a volta ao Brasil, a primeira entrevista após a conquista do Campeonato Paulista, Ronaldo passou um pito nos cartolas e deu uma aula de jornalismo à imprensa.

Após ouvir a primeira pergunta, o craque avisou: “Eu vou falar o que você quer que eu fale, mas vou primeiro lamentar a desorganização que houve depois do jogo”. E foi de uma objetividade que, a prosseguir, acabará por colocá-lo numa galeria nobre de craques corintianos – os bons de bola e de microfone – ao lado de Sócrates e Neto.

Ronaldo solta o verbo; assista!


Ronaldo descreveu o caos que o impediu de comemorar o título e falou da “irresponsabilidade” de quem promoveu uma queima de fogos com papel picado na hora da entrega do troféu, responsável por atear fogo ao uniforme de Wiliam. Só faltou, mas não precisava, se dirigir diretamente à Federação Paulista de Futebol e dizer: nem organizar uma festinha vocês sabem?

Depois, protestou contra as “várias microfonadas” que o atingiram “outra vez” no rosto. “Ninguém nega espaço aqui (para a imprensa), ninguém nega a palavra”, lembrou. Não disse, mas pensou: parem, por favor, de me acertar o microfone na cara!!!  

“Com medo, tive que ir para o vestiário. Não dei a volta olímpica, não comemorei com os meus companheiros”. A culpa, repetiu, foi dessa “bagunça” pós-jogo. “Não quero ser mais do que ninguém. A gente deveria ter mais segurança”.

Emocionado, observou: “Tenho a sensação que o povo brasileiro se identifica comigo. Caí, levantei, dei a volta por cima”, disse, não sem notar o caminho que está percorrendo: “Parece papo de político...”

Ao repórter que se preparava para fazer uma pergunta, maroto, advertiu: “Que seja boa esta pergunta, porque é a última”. O jornalista até perdeu o rebolado depois da advertência e questionou o craque sobre um assunto que ele já falou trezentas vezes, a sua relação com o Corinthians.

Normalmente, a função de informar a imprensa sobre o andamento da entrevista com os jogadores é uma função do assessor de imprensa do clube. Com Ronaldo, não. Ele dirige o espetáculo.

Repórteres, cinegrafistas e fotógrafos se amontoam na coletiva de Ronaldo no Pacaembu


A dura vida de quem segue Ronaldo

O regente criticou os jornalistas, mas é preciso dizer que a vida dos profissionais da imprensa que o seguem não é nada fácil. Duas horas antes do início da partida, às 14h, duas dezenas de fotógrafos, cinegrafistas e radialistas começam a se espremer diante de uma portinha por onde poderão ver Ronaldo chegar ao estádio.

Para quê? Para registrar uma rápida imagem, para informar os ouvintes que Ronaldo chegou. É um empurra-empurra que piora à medida que o tempo passa e o Timão não chega. Às 14h40, quando o barulho de sirenes ao fundo se intensifica, a aglomeração aumenta. É a senha. O Corinthians chegou. Ronaldo passa rápido, dá um sorriso e segue para o vestiário. O circo se desfaz.

Na tribuna de imprensa, um espaço para cerca de 100 jornalistas de jornais, revistas e sites, às 15h o clima é de final de campeonato. Os colegas, munidos de computadores, escrevem sem parar. Entre os 100 jornalistas, há apenas duas mulheres – uma proporção que não ocorre em nenhuma outra área da imprensa. 

Dentro do campo, às 15h15, cerca de 20 fotógrafos e câmeras se espremem novamente. O motivo agora é arrumar a melhor posição para fotografar Ronaldo e o Corinthians diante do troféu. É a foto que estará nos pôsteres que os jornais encartarão nesta segunda-feira. Vão esperar ali por quase 40 minutos, até que o time se posicione para a imagem.

Na tribuna de imprensa, radialistas ocupam o espaço destinado a jornalistas da imprensa. Solicitados a sair, recusam-se. Serão os únicos profissionais que, ao longo da partida, vão torcer abertamente pelo Corinthians. Quase todos os demais, ou disfarçam bem ou não torcem para ninguém.

Na hora do Hino Nacional, nenhum jornalista se levanta – a maioria está trabalhando ali, escrevendo, fazendo anotações. Nos lances de perigo, a torcida se levanta, mais por instinto do que por necessidade – já a imprensa, permanece sentada.

Ao final da partida, os jornalistas normalmente obrigados a se desdobrar em dois (há os técnicos do Corinthians e do Santos para ouvir) enfrentam ainda o dissabor de ter que correr atrás de Dunga, o técnico da seleção, que assistiu a partida na Tribuna de Honra. Não é fácil.

Próximo aos vestiários, uma aglomeração – mais uma – se forma diante da porta que separa os jornalistas da sala em que Mano Menezes e Ronaldo falarão em seguida. Mais vinte minutos de espera. No momento em que a porta se abre, ocorre uma espécie de estouro da boiada. Correria, gritos, confusão. O experiente Fernando Fernandes, da Band, é autor da melhor manifestação, neste momento: “Mu!!! Mu!!! Mu!!!” Pano rápido.

Jornalistas aguardam ansiosos a chegada de Ronaldo para entrevista após o título


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AP

Ronaldo e Dentinho

Ronaldo e Dentinho
Fenômeno comemorou após o apito final, mas não deu a volta olímpica por medo dos jornalistas

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