Pódio de Hadjar foi um dos momentos marcantes de 2025
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Pódio de Hadjar foi um dos momentos marcantes de 2025

2025 começou carregando um peso histórico. Era o último ano do regulamento atual, com 10 equipes, 20 pilotos e a Fórmula 1 celebrando seus 50 anos com um evento inédito de lançamento coletivo dos carros. Um ano que prometia mudanças, mas que  entregou muito mais do que isso.

A primeira corrida já deu o tom. Na Austrália, os novatos sofreram para completar as voltas e Oscar Piastri, diante da própria torcida, escorregou quando parecia caminhar para um grande resultado. 

Na China, Lewis Hamilton viveu seu único momento de destaque com a Ferrari ao subir ao pódio em uma corrida sprint. A alegria, porém, durou pouco. Na prova principal, a equipe de Maranello sofreu uma dupla desclassificação, um roteiro que curiosamente se repetiria mais tarde com a McLaren, em Las Vegas, um dos Grandes Prêmios mais importantes do ano.


Caos, decisões erradas e bastidores em ebulição

A Red Bull, fiel ao próprio histórico, promoveu mudanças cedo demais. Liam Lawson foi rebaixado para a Racing Bulls, abrindo espaço para Yuki Tsunoda na equipe principal. Uma aposta que, ao fim do ano, se mostrou equivocada: Tsunoda também perdeu o assento, substituído por Isack Hadjar para 2026.

Em Suzuka, veio o primeiro choque de realidade para quem acreditava em um domínio absoluto da McLaren . Max Verstappen venceu mesmo com um carro claramente inferior, mostrando que o talento ainda era capaz de equilibrar forças. Na mesma época, a Ferrari admitiu já ter abandonado o desenvolvimento do carro de 2025 para focar em 2026. Dali em diante, foi ladeira abaixo.

O GP do Bahrein foi puro caos. A transmissão se perdeu tentando localizar George Russell na pista, Lando Norris foi punido em meio à disputa pelo campeonato e o clima de confusão se espalhou pelo paddock. Na Arábia Saudita, Piastri ampliou sua liderança, levando muitos a cravarem o título ainda no meio da temporada.

Fora das pistas, uma novela começou cedo e se arrastou por meses: Verstappen na Mercedes . No fim, tudo terminou como começou. Russell renovou com a equipe alemã e Verstappen confirmou sua permanência na Red Bull até 2028.

Corridas malucas, trocas de pilotos e pontos de virada

Maio foi um retrato perfeito de 2025. O GP de Miami teve chuva, Norris vencendo a sprint, Verstappen largando do fundo após um pit stop desastroso, brigas de rádio na Ferrari, Charles Leclerc batendo na volta de apresentação e uma pole histórica de Kimi Antonelli .

Pouco depois, mais uma mudança no grid: Jack Doohan deixou a Alpine após a chegada “provisória” de Flavio Briatore ao comando da equipe, abrindo espaço para Franco Colapinto . Em Ímola, Tsunoda protagonizou um acidente grave enquanto Verstappen dominava a prova. Em Mônaco, Norris brilhou ao vencer uma das corridas mais difíceis do calendário, cravando a volta mais rápida da história do circuito.

Na Espanha, talvez o lance mais decisivo do campeonato. Verstappen perdeu o controle emocional e jogou o carro para cima de Russell . A punição custou pontos preciosos que, no fim do ano, fizeram falta. 

O Canadá quase entregou um momento histórico para o Brasil. Com Lance Stroll lesionado, Felipe Drugovich esteve muito perto de assumir o carro da Aston Martin, mas o canadense se recuperou a tempo de correr em casa. 

Ainda assim, o ano teve seus marcos: pódios de novatos como Antonelli e Hadjar, os primeiros pontos de Gabriel Bortoleto, o lançamento do filme da Fórmula 1 e, talvez a maior bomba fora das pistas, a demissão de Christian Horner . Os motivos? Muitos. As respostas, poucas.

A McLaren garantiu o título de Construtores ainda em Singapura, com seis corridas de antecedência. Parecia tudo sob controle. Mas a Red Bull acordou, a McLaren caiu de rendimento e a equipe se recusou a definir um piloto número um. Norris e Piastri passaram a se atrapalhar, enquanto Verstappen fazia exatamente o oposto: somava pontos em silêncio.

No meio disso tudo, Carlos Sainz levou a Williams a um pódio improvável e a Cadillac anunciou Valteri Bottas e Sergio Pérez como seus pilotos para 2026.


Um final digno de 2025

Piastri, que parecia ter o título nas mãos, começou a vacilar. Norris, mesmo com um abandono por falha mecânica na Holanda, cresceu no momento decisivo e teve uma atuação memorável no GP de São Paulo, em Interlagos.

Abu Dhabi chegou com três pilotos ainda vivos na disputa. Verstappen tentou até o fim, mas não foi suficiente. Norris cruzou a linha de chegada da temporada como campeão mundial pela primeira vez.

Antes que 2025 acabe, fica a certeza: foi um ano confuso, intenso, contraditório e absolutamente inesquecível. Um daqueles que explica, sem esforço, por que a Fórmula 1 segue sendo impossível de prever.



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