
Depois de um final de semana desastroso, o terceiro do ano em que ambos os pilotos da Ferrari não pontuaram, o Grande Prêmio de São Paulo foi o estopim para que críticas a Charles Leclerc e Lewis Hamilton viessem à tona. John Elkann, presidente da Ferrari, afirmou que ambos deveriam “se concentrar em pilotar mais e falar menos”.
A crítica veio em uma declaração comparando o desempenho da equipe italiana na Fórmula 1 com o time da Ferrari na Endurance, onde, segundo Elkann, a união é o que faz a diferença.
O problema não é o volante, é a estrutura
Mas será que o problema está mesmo em quem pilota a vermelhinha? Grandes nomes passaram pela escuderia desde seu último título conquistado, ainda em 2007, com Kimi Raikkonen. Felipe Massa, Fernando Alonso, Sebastian Vettel, Charles Leclerc e Carlos Sainz Jr. tiveram suas chances, mas nenhum deles conseguiu devolver a Ferrari ao topo. E o recém-contratado Lewis Hamilton, um dos maiores campeões da história da Fórmula 1, parece seguir pelo mesmo caminho.
O motivo, porém, vai muito além das pistas, motores e peças do carro. O problema pode ser estrutural, ou seja, está na forma como a Ferrari é comandada e na crença de que, por ser a Ferrari, o sucesso é quase automático. Nada mais distante da realidade.
A soberba vermelha faz com que, ano após ano, pilotos sofram não apenas para se adaptar ao carro, mas também à política interna que domina o time de Maranello. É como a nossa Seleção Brasileira de futebol masculino: não vencemos nada desde 2002, estamos no maior jejum de títulos da história e, mesmo com bons nomes, não há coesão suficiente para resgatar o protagonismo que já tivemos. Assim como na Ferrari, o problema da CBF é o mesmo.
Talvez, como sugeriu Jenson Button em um comentário nas redes sociais, Elkann devesse dar o exemplo, e começar pilotar melhor a própria gestão.
