
Pesada. Esse é o melhor adjetivo para descrever a parceria entre F1 Academy e Hello Kitty, anunciada na última semana pela “categoria feminina” da Fórmula 1. A sétima e última corrida da temporada, que acontece em Las Vegas, contará com cerca de 30 itens personalizados com a marca japonesa à venda, além de uma arquibancada temática exclusiva e ativações para os fãs presentes.
Um esporte de menininha que abraçou a sua essência, já que a F1 Academy é voltada exclusivamente às mulheres. E não me entenda mal quando me refiro à categoria dessa forma. Afinal, o que tem de errado em um produto, tendência, esporte ou o que quer que seja, tenha como foco o público feminino?
Por muito tempo essa expressão poderia soar pejorativa, mas cada vez mais esse universo cor de rosa, de maquiagens, cantores e séries que têm como principal audiência e consumidor as mulheres vem sendo visto como algo positivo. Haja vista fenômenos recentes como Taylor Swift e a série O Verão Que Mudou Minha Vida, do Prime Video.
E o que tudo isso tem em comum? Mostrar que ser menininha não é, nem de longe, algo ruim. A F1 Academy, ao abraçar a Hello Kitty e trazê-la para dentro das pistas, mostra isso de forma concreta. Anteriormente, em 2024, a categoria também havia anunciado uma parceria gigantesca com um nome impactante, a grife de beleza Charlotte Tilbury.
Caso pensado
Mas este movimento não é em vão. As fãs do sexo feminino representam três em cada quatro novos fãs da Fórmula 1 atualmente, segundo dados da Pesquisa Global de Fãs de F1 de 2025, promovida pela F1 e Motorsport Network. Além disso, cerca de 42% das fãs mulheres que acompanham a F1 acompanham também a categoria exclusivamente feminina.
A Liberty Media, que não é boba nem nada e já vem tendo movimentos semelhantes na Fórmula 1, ao fechar contratos bilionários com LVMH, Lego e Hot Wheels, observou este fenômeno de forma estratégica. Ao incluir a marca Hello Kitty de forma tão ampla, com tantos itens de merchandising, arquibancada especial e ativações, ela aproveita para divulgar seu produto emergente ao público da Hello Kitty, composto 75% por mulheres.
Isso mostra também como o automobilismo vem ampliando seu espaço no mainstream. Se antes a Fórmula 1 era conhecida e tinha seu nome atrelado a marcas de tabaco e bancos famosos, hoje a F1 Academy dá início à migração feminina automobilística.
E, de menininha para menininha, a pergunta que fica é: quando será a vez da Polly Pocket?