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Histórico de críticas veladas ou não vindas de dirigentes, comissão técnica e atletas junto à Federação Paulista de Futebol causadas por erros de arbitragem coloca os dois atores em estado de tensão permanente e o clube sob risco de sanções

A Sociedade Esportiva Palmeiras, por parte de sua diretoria, tem sinalizado com um histórico de protestos contra a Federação Paulista de Futebol (FPF), entidade organizadora do Campeonato Paulista de Futebol. O clube alega estar sendo prejudicado pela arbitragem, seja ela a convencional ou a eletrônica, como em casos mais recentes.

A contenda remete à segunda partida da final do Campeonato Paulista de 2018, disputada em 8 de abril. No jogo disputado contra o Corinthians no Allianz Parque (casa palmeirense), o árbitro Marcelo Aparecido de Souza assinalou um pênalti favorável ao alviverde.

Palmeiras e São Paulo em campo na ultima semana
Reprodução / Agência O Globo
Palmeiras e São Paulo

A seguir, advertido pelo quarto árbitro e depois de longos minutos de paralisação, Souza voltou atrás e deu posse de bola favorável ao Corinthians. Convertido o pênalti, o Palmeiras poderia se sagrar campeão paulista naquele ano, alegam os palmeirenses. Bem, mas não existe “se” no futebol.

Passados os 90 minutos e a vitória corinthiana por 1x0 (O Palmeiras venceu o primeiro jogo pelo mesmo placar), a decisão foi para os pênaltis. O Corinthians venceu e sagrou-se campeão.   

Na ocasião, o presidente do Palmeiras desdenhou da competição classificando-a como “Paulistinha” para, a seguir, recorrer ao Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo e, posteriormente, e ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) reivindicando o título para o clube de Palestra Itália. O argumento é que o árbitro Marcelo Aparecido de Souza teria sido levado a rever a marcação de um pênalti inicialmente favorável ao alviverde depois de receber informações além campo ou por interferência externa, o que é vedado pelo regulamento da competição. O título foi mantido com o Corinthians e o Palmeiras chegou a anunciar que não disputaria mais o Campeonato Paulista de Futebol.

Para a edição de 2019, a Federação Paulista de Futebol anunciou o advento do árbitro de vídeo (VAR) na fase eliminatória da competição. Mesmo assim, já houve margem para novas polêmicas.

No empate com o Novorizontino em 1x1 em Novo Horizonte, no último dia 23 de março, os palmeirenses alegam que a jogada que deu origem ao tento de empate do time da casa teve em sua origem um domínio de bola com a mão, o que é vedado pela regra do futebol.

Desta feita, a Federação Paulista contra argumentou mostrando o lance de outro ângulo – diverso da transmissão de TV – onde sustentava que a jogada fora regular.  Mais comedida, é verdade, mas críticas brotaram por parte de atletas, técnico e dirigentes.

Em 7 de abril último, o técnico Luiz Felipe Scolari, afirmou peremptoriamente que “o bandeirinha não manda nada” em protesto contra a anulação de um gol assinalado pelo avante Deyverson na segunda partida da semifinal do Paulista contra o São Paulo, disputada no Allianz Parque. As câmeras de vídeo flagraram que o avante estava em posição irregular. O Palmeiras acabou eliminado nos pênaltis contra o São Paulo.

Na mesma ocasião, durante a entrevista coletiva pós jogo, o treinador palmeirense admitiu retirar seu time de campo em protesto contra a arbitragem.

Na cabeça dos dirigentes do Palmeiras parece haver uma espécie de “mania de perseguição” ou, mais claramente, o receio do efeito que eliminações em competições podem redundar para o clube e seus patrocinadores. Pudera: o clube tem um orçamento para 2019 na casa dos R$ 561 milhões – com superávit de R$ 15 milhões. Detalhe: não está considerada aqui a verba de direitos de televisão.

O efeito de uma eliminação no Paulistão, comercialmente falando, pode ser menor. O problema mais evidente da Sociedade Esportiva Palmeiras é conter as manifestações de seus dirigentes, técnico e jogadores a fim de evitar sanções. Caso tivesse retirado o time de campo contra o São Paulo durante a segunda partida da semifinal, por exemplo, o clube poderia ser punido com multa, perda de pontos e, em caso de reincidência, exclusão da competição.

Há outra punição que existe e os clubes devem ficar atentos ao se manifestarem de forma brusca como o fazem algumas vezes, pois pode restar caracterizada a incitação do ódio e, neste caso, a pena varia entre 360 a 720 dias de suspenção, acrescidas de multa entre R$ 50 mil e R$ 100 mil.

Por tudo isso, é melhor que todos os clubes, atletas e treinadores foquem no seu desempenho desportivo no lugar de, cada vez mais, se tornar mero produto de polêmica. E que o Campeonato Paulista termine com a vitória de um ou outro, mas em campo.