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Há um deserto de ideias no futebol brasileiro, que se esqueceu de táticas com dupla no ataque e variações

O 4-2-3-1 parece ser obrigatório. Os paulistas todos - os grandes, eu digo - jogam assim. O Santos estreou com Jorge Sampaoli no tal esquema tático. São Paulo, Corinthians e Palmeiras fizeram o mesmo. A diferença entre eles é o time e também a posse de bola. Há times verticais e horizontais. Que cadenciam ou agridem sem respirar. A pressa e o ritmo. Mas o tal desenho em campo virou moda e vai ser difícil enxergar outras possibilidades. Montar equipes também é se acomodar.

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Sampaoli  e seu esquema tático gostam de ter o domínio do jogo. Não aceita chutões. Quer sempre a bola rodando de pé em pé, sem dar chance ao adversário. Mesmo sendo pego de surpresa pelas lambanças da diretoria e não tendo grandes jogadores, o argentino exige técnica. Ninguém sabe o limite santista. Por enquanto vários saíram e outros podem ter o mesmo rumo. A diretoria não avisa o técnico. E o caminho natural é demitir se as coisas não acontecerem. O atual futebol brasileiro costuma não pensar.

Qual é o seu esquema tático preferido?
Reprodução / Santos FC
Qual é o seu esquema tático preferido?

Na Inglaterra vários grupos atuam com dois atacantes. Um de movimentação e outro de área. Exatamente como foi nas décadas passadas, de muitos anos até dois mil e pouco. O 4-4-2 virou brega, ineficaz e antiquado. A intensidade é o que mais vale, ir e voltar para marcar, exercer muitas funções em campo. Os grandes desenhistas estão mais preocupados em criar a dificuldade do que propor a dor de cabeça ao oponente.

É cômodo entrar em campo da mesma forma que os outros. Os volantes são os fatores decisivos para saber se o time é ofensivo ou defensivo. Muitos por aqui só se preocupam com o desarme. Poucos saem para o jogo e aparecem para dar o passe decisivo. É marcar e chutar de longe. O meio-campista que tem qualidade para simplesmente tocar com qualidade e desmarcar os companheiros já logo pega o primeiro avião rumo futebol europeu. O último foi Arthur, do Barcelona. Os outros são bons. Mas nenhum é craque.

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O São Paulo de Jardine sofre com isso. Hudson e Jucilei são lentos e têm uma utilidade isolada. É evidente que um deles precisa prioritariamente saber impedir o ataque do inimigo, mas o segundo volante tem de fazer a ligação com o setor ofensivo. A falta de velocidade é o pecado cruel em 2018. Gosto do Luan e do Liziero. O tempo dirá se eles poderão jogar juntos um dia. Hernanes é indiscutível. Nenê está em bom nível e também merece vaga. Diego Souza é reserva.

O Corinthians tem Boselli, argentino fazedor de gols, peça experiente. E tem um monte de bons volantes. Ramiro, Richard e todos os que lá estavam. E tem ótimos meias. Jadson permanece, Sornoza chegou, Pedrinho não saiu. Nem todos podem ser atacantes de beirada. O Palmeiras tem dois times e meio. Trouxe Ricardo Goulart que, sim, atua em qualquer função lá na frente. Atleta diferenciado. Todos, no entanto, contam com a mesma obra de arte no painel tático: o 4-2-3-1 . Não acho que seja primordial. Pensar diferente é um dom.

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Ninguém é ameaçado com um liquidificador na cabeça para jogar sempre no esquema tático 4-2-3-1. O liquidificador é tido pelo atual desgoverno como algo perigoso, comparado com a arma de fogo. A única laranja que me agrada é a mecânica.