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No novo estádio, nesse domingo, o elenco corintiano empatou com o Internacional. O Pacaembu - tema do texto - foi palco de vários títulos

Oi. Meu nome é Kaique. Talvez você não goste, mas não me leve a mal. É do fundo do coração. Sou corintiano. Corintiano que chorou quando Danilo passou de calcanhar. E Emerson completou. Que viu Sheik arrancar. Morder argentino. Que viu Ronaldo defender. Que viu o Chicão marcar. E que jamais deixou de ter fé.

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Corintiano lota o Pacaembu
Rodrigo Coca/Ag. Corinthians
Corintiano lota o Pacaembu

Paulinho falou por mim. De cabeça. Cassio falou por mim. Com o pedaço de dedo corintiano que restou quando Diego Souza sobrou na nossa defesa. Muitos disseram com os pés o que eu berrei de felicidade.

Eu sinto muita falta do Pacaembu. Tive orgulho do tamanho do Corinthians quando a Copa foi aberta na nossa nova casa. Quando nosso estádio foi inaugurado. Nosso lugar foi liberado para o nosso berro. Eu gosto demais da arena, mas prefiro o Pacaembu.

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Talvez você me chame de saudosista, de louco, de cego. Talvez você me recrimine por boas lembranças. Mas não dá pra julgar sentimento. No Pacaembu foi onde eu fui mais feliz. Onde eu vi o Ronaldo finalizar. O Gamarra desarmar. O Ricardinho organizar. No Pacaembu eu me desesperei com a derrota para o River. Eu vi o Tite fazer história no Pacaembu.

A arena é perfeita. É moderna, é aconchegante, é espaçosa. Mas não é o Pacaembu. Não é o Ricardinho organizando. O Rincón cobrando. O Sócrates democratizando. Não é o Wladimir pensando. O Casagrande decidindo e refletindo o futebol brasileiro. Fui Neto, Rivellino, Viola. Fui Tevez, Luizao e Biro-Biro. Eu fui o Pacaembu. O Pacaembu é minha história de vida.

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No Pacaembu eu amarguei a Serie-B. No Pacaembu eu fui Herrera, Dentinho, Andre Santos. Lá eu dei a volta por cima. Ressurgi, renasci. No Pacaembu eu voltei a ser o que eu sempre fui. Eu sou o Corinthians. E, me desculpe, em muitas vezes eu não me vejo na arena. Nos preços, no luxo, na alta classe. Eu sou do tobogã.

Parte de mim ficou silenciada no tobogã da minha antiga casa. E eu tenho orgulho, mas sinto saudade. Eu jamais vou deixar de ser campeão, só queria ser mais vezes campeão no Pacaembu. Um bom pedaço de mim continua lá, esperando o juiz apitar. O Corinthians ganhar. O Alessandro levantar a taça.

Eu sou o Kaique. Um corintiano qualquer. Que tem orgulho da arena, mas que tem amor pelo Pacaembu. E o amor é maior do que o orgulho.

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