Julianelli
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Julianelli

Eu me tornei, desde semana passada, e com muito orgulho, assessor de imprensa da equipe Lubrax | Podium Stock Car Team e do piloto Felipe Massa. Por isso, fui um dos poucos e privilegiados jornalistas presentes na abertura da temporada da categoria, no último fim de semana, em Goiânia. Fazia tempo que eu não acompanhava in loco uma etapa da Stock, a maior categoria da América do Sul. E a minha avaliação foi muito positiva.

A categoria está mudando para melhor sob nova direção. O CEO Fernando Julianelli é um profissional que conheço há 20 anos, desde que trabalhamos juntos com o piloto Cacá Bueno quando ele ingressou na Stock. Julianelli tem uma visão muito ampla do negócio, conhecendo não só as necessidades de dentro da pista, mas também tudo que cerca o evento e é fundamental para ele acontecer, como a atração de parceiros de mídia e patrocinadores.

Deixei passar a nossa correria do fim de semana e hoje bati um bom papo com o Julianelli por telefone. Sem esconder nada, ele contou quais problemas diagnosticou na primeira etapa, como pretende atacá-los e fez uma revelação: já está negociando com a Band para a segunda corrida ter o mesmo tempo de duração da primeira. Confira abaixo a íntegra da entrevista:

Borracha & Gasolina: Que avaliação você faz após a primeira etapa da temporada?

Fernando Julianelli: Acho que, de uma certa forma, foi uma vitória ser a primeira categoria do automobilismo brasileiro a realizar corrida esse ano. Ficamos contentes por ter a coragem e o apoio de todos para destravar o automobilismo nacional em 2021. As demais categorias passaram a anunciar também seus calendários depois da gente. E ficamos bem contentes também por cumprir tudo o que a gente queria fazer nesta primeira etapa, em Goiânia. Claro, identificamos pontos de melhorias a partir do momento que botamos a categoria para rodar. O principal agora é na parte de caracteres da transmissão. A cronometragem não conversou com o nosso gerador de GC e isso foi um pênalti pra gente, principalmente na classificação, mas já identificamos o problema e vamos resolver.

B&G: Como você avaliou o novo formato das corridas: a primeira com 25 minutos + 1 volta e a segunda com 20 minutos + 1 volta?

FJ: Primeiro, é preciso dizer que esse formato foi necessário para atender a demanda de 10 datas na TV aberta. Tínhamos esse tempo e duas opções: corrida única ou duas corridas. Todos (categoria, pilotos, equipes, etc) discutiram e acharam melhor o formato de duas corridas. Mas entendo que a corrida 2 ficou muito curta e estamos conversando com parceiro de TV (Band) para fazer a segunda corrida igual à primeira, porque se entrasse um safety car na segunda, não teria corrida e não quero ficar com essa preocupação para o resto da temporada.

Você viu?

B&G: Como explicar o fato de a Stock Car ter aumentado o número de pilotos esse ano, chegando ao grid completo, com 32 carros, no meio de uma pandemia, que trouxe problemas financeiros para vários setores?

FJ: Em 42 anos, a Stock Car já passou pelo confisco do Collor, pela crise do petróleo, pela hiperinflação, agora por uma pandemia e sempre sobreviveu. É uma categoria muito forte e difícil de derrubar. Ano passado, perdemos o apoio da Globo e um business desse tamanho não se resolve com apenas duas transmissões em TV aberta. Consequentemente, a Stock deixou de dar o retorno que o patrocinador gostaria e ele, obviamente, faz conta, né? Sofremos com falta de visibilidade em 2020 e tivemos cortes de receita na categoria. Mesmo assim, tínhamos um grid forte com 24 carros. A própria Fórmula 1 tem 20 carros. Quando anunciamos o novo parceiro de mídia (Band) e transmissão pela internet mundo afora, voltamos a atrair os grandes patrocinadores e a consequência foi o número máximo de 32 carros no grid.

B&G: Mesmo com transmissão em TVs aberta (Band) e fechada (Sportv), você teve a preocupação de levar a Stock para o streaming e até para o exterior (Motorsport.TV). Qual a estratégia por trás disso?

FJ: A Stock talvez seja a categoria mais competitiva do mundo. Não conheço uma categoria que tenha chegado à última etapa com 11 pilotos disputando o título, como aconteceu ano passado. E quem gosta de esporte a motor pelo mundo quer assistir a uma corrida legal, independentemente de onde ela aconteça. O fato de termos várias estrelas internacionais, com fã clube global, como o Tony Kanaan, o Felipe Massa e o Rubinho Barrichello, faz com que esses fãs queiram acompanhá-los. Era um desperdício ter esse conteúdo em mãos e deixá-lo só no Brasil. Queremos receber também na Stock Car pilotos do mundo inteiro, tipo portugueses, americanos, entre outros. A temporada aqui sai por 400 mil euros, um valor barato para quem corre lá fora.

B&G: É perceptível que o evento está melhorando e crescendo, mas tem um importante detalhe que não muda: a demora da CBA para divulgar as punições. As corridas acabaram por volta das 16h e os resultados oficiais só começaram a chegar a partir das 21h30. Você pretende intervir, pedindo maior rapidez nessas análises?

FJ: Isso é com a CBA. A Vicar não tem ingerência sobre isso. Nós até submetemos sugestão de regulamento à CBA, mas quem homologa é ela. Do ponto de vista do promotor, vamos tentar disponibilizar tecnologia para ajudar a mitigar o erro humano nas decisões e também dar maior rapidez. A gente está em busca do nosso VAR, através de câmeras e sensores. Os últimos 42 anos foram feitos no olho dos comissários da CBA, mas vamos tentar ajudá-la a ter bons instrumentos para fiscalizar melhor as provas. Temos que apoiar a CBA, estando felizes com o tempo de julgamento deles ou não. Eles não fazem isso de propósito. E eu acho que só vai melhorar daqui para frente. Sou um otimista nesse assunto, porque, com a tecnologia, vai ficar mais fácil e mais rápido fazer esses julgamentos. A CBA é necessária e não adianta ficar simplesmente jogando pedra. Temos que tentar ajudar.

B&G: Quais novidades podemos esperar ainda nesta temporada?

FJ: Já abrimos nossa caixa de ferramentas nessa primeira etapa, botando um monte de novidades para rodar: novos pilotos, novo parceiro de mídia, transmissões internacionais, etc. Precisamos primeiro consolidar essas para depois pensar em outras novidades. Queremos imediatamente melhorar os equipamentos da CBA. Não é um obrigação nossa fazer isso, mas queremos ajudar a ter resultados mais rápidos e mais justos.

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