Tubo de Pitot na BWT Alpine Formula One Team - 2025
BWT Alpine Formula One Team/Divulgação
Tubo de Pitot na BWT Alpine Formula One Team - 2025

Medir a velocidade de um carro de Fórmula 1 é mais complexo do que pode parecer. Até porque, este é um dos dados mais sensíveis e valiosos durante uma corrida.

E a velocidade não só determina o quão rápido um piloto está, ela ajuda os engenheiros a interpretarem o comportamento do carro e a calibrar o acerto ideal em cada parte do circuito.

Por trás desse dado aparentemente simples, existe um sofisticado sistema de medição baseado na diferença de pressão do ar, e não no giro das rodas, como em carros de passeio.

Durante o fim de semana do GP de São Paulo, a Alpine exibiu aos jornalistas no paddock um dos equipamentos mais discretos, e ao mesmo tempo fundamentais, da Fórmula 1: o tubo de Pitot. Luca Mazzocco, Head of Partner Experience da Alpine, explicou a função do sensor de maneira simples enquanto segurava uma peça em mãos.


Como funciona o tubo de Pitot

O tubo de Pitot é uma haste metálica em forma de "L", que parece uma “antena” e fica posicionada sobre o bico do carro. Aliás, todos os carros do grid usam a tecnologia. Ele possui orifícios na parte frontal e nas laterais, que medem dois tipos diferentes de pressão: a estática e a dinâmica. A diferença entre elas revela a velocidade do ar que passa pelo carro.

“Este sensor tem pequenos furos nas laterais e na ponta. Os furos laterais medem a pressão estática, que não muda com a velocidade do carro ou do avião. Já o furo frontal capta a pressão dinâmica, que varia conforme a velocidade do ar. A diferença entre essas duas pressões é o que indica a velocidade do fluxo de ar, e não a velocidade das rodas na pista, que é outra medida. Este modelo, por exemplo, foi impresso em 3D em metal, o que permite criar uma peça sólida com orifícios muito pequenos”, explicou Mazzocco.

Luca Mazzocco Head of Partner Experience explicando o funcionamento de um tubo de Pitot
Foto: Lucas Barreiros/ Portal iG
Luca Mazzocco Head of Partner Experience explicando o funcionamento de um tubo de Pitot


Como essa medição influencia a corrida

Ao contrário do velocímetro comum, que mede o giro das rodas, o tubo de Pitot mostra a velocidade real do ar que atinge o carro, o que é essencial para entender o comportamento aerodinâmico. Em pistas com longas retas ou mudanças de elevação, como Interlagos, essa leitura permite ajustar em tempo real o equilíbrio do carro e a carga nos spoilers.

Além disso, em condições de chuva, como as previstas para o GP de São Paulo, os dados do Pitot ajudam a avaliar como a água altera o fluxo de ar e, por consequência, o desempenho aerodinâmico. Isso pode influenciar a forma como os pilotos freiam, fazem curvas e aceleram, além de afetar as decisões de pit stop e configuração do carro.

A análise desses dados é feita em tempo real pelos engenheiros nos boxes, e pode ser decisiva para definir a estratégia de corrida ou até antecipar falhas no sistema de refrigeração, se o fluxo de ar for insuficiente.

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