Aos 19 anos, Antonella Bassani vive um daqueles momentos que costumam marcar a virada de uma carreira. Pilota que corre a última etapa da Stock Car 2025 em Interlagos, a catarinense não trata a oportunidade apenas como mais uma participação pontual, mas como parte de um caminho que vem sendo construído com paciência, resultados e escolhas conscientes.
Mesmo sem romantizar o contexto que a colocou no grid, Antonella demonstra maturidade ao falar sobre o momento. A vaga surgiu após João Paulo de Oliveira não receber liberação médica para competir, consequência de um acidente forte na etapa anterior. Para ela, assumir o carro é, antes de tudo, uma responsabilidade.
“Não é a melhor maneira de substituir alguém” , admite. “O JP teve uma batida muito forte, precisa se recuperar. O meu foco é fazer a minha parte aqui e entregar o carro inteiro para ele voltar mais forte no ano que vem.”
Uma carreira construída sem atalhos
Antonella não chegou à Stock Car por acaso. Atual campeã da Porsche Cup na categoria Sprint Challenge, ela vem se consolidando como um dos nomes mais promissores da nova geração do automobilismo brasileiro. Antes disso, passou pelo kartismo e chamou a atenção pela rápida adaptação aos carros de turismo.
Ela reconhece que boa parte dessa trajetória passa pela confiança recebida ainda no início. “Tudo o que eu conquistei até agora veio da Porsche Cup Brasil. Eu saí do kart e eles acreditaram em mim quando eu ainda não tinha nome no automobilismo. Sou muito grata por isso.”
A Stock Car aparece no horizonte, mas sem pressa. Antonella evita promessas e discursos apressados sobre o futuro. “É um plano, sim, mas não para agora. Acho que tudo tem seu tempo. Hoje é aproveitar as oportunidades que surgem e deixar a carreira acontecer.”
Evolução, aprendizado e adaptação
Esta é a segunda vez que Antonella acelera na Stock Car. A primeira foi no Velocitta, quando substituiu Rubens Barrichello. A diferença, segundo ela, está na confiança. “Agora me sinto mais tranquila. Já consigo entender melhor o carro, a equipe, o ritmo da categoria. Ontem consegui ser mais competitiva do que na minha primeira participação.”
A adaptação ao Stock Car, especialmente ao Toyota Corolla Cross, exige mudanças claras na pilotagem em relação à Porsche. “São carros diferentes, exigem outro tipo de condução, outro cuidado com pneus e estratégia. Mas isso ajuda muito a evoluir como pilota.”
Representatividade que vai além da pista
Antonella é hoje a mulher mais jovem a competir na Stock Car. Um marco que ela encara com naturalidade, mas também com consciência do impacto que isso pode gerar fora do paddock.
“Eu acho muito legal saber que tem pessoas que se inspiram em mim, mas ainda não tenho noção completa disso” , diz. “Às vezes a gente não percebe o alcance que tem.”
Se pudesse deixar uma mensagem para quem acompanha sua trajetória, ela é direta. “Nunca desistam. As dificuldades fazem parte do processo e são elas que mais ensinam. Temporadas difíceis sempre vão existir. Mas lá na frente vêm os abraços, a alegria e o sucesso.”