Faixa do lado de fora do estádio Standard de Liège, em protesto contra o grupo de investimentos 777 Partners, em Liège (Bélgica), no dia 10 de maio de 2024
BRUNO FAHY
Faixa do lado de fora do estádio Standard de Liège, em protesto contra o grupo de investimentos 777 Partners, em Liège (Bélgica), no dia 10 de maio de 2024
BRUNO FAHY

Acusado de falta de transparência sobre seus projetos e do status de suas finanças, a ponto de irritar dirigentes dos clubes nos quais investiu, o fundo de investimentos americano 777 Partners suscita polêmicas e uma vigilância especial por parte das autoridades do futebol.

Na quarta-feira (15), a 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro afastou o grupo americano do controle da SAF do Vasco, que voltou para o clube associativo.

O time carioca manifestou suas "preocupações sobre a capacidade financeira" da sócia majoritária e solicitou a recuperação do controle para evitar que o fundo transferisse suas ações para outras "entidades externas".

O grupo comprou o controle de 70% da SAF do Vasco em setembro de 2022 por cerca de R$ 700 milhões, com a promessa de acabar com as dívidas do clube e investir no futebol. Mas as relações entre ambos são conturbadas há meses.

No campo esportivo, os maus resultados da equipe, que se salvou do rebaixamento para a Série B na última rodada do Campeonato Brasileiro do ano passado, e o início de temporada aquém do esperado provocaram protestos da torcida vascaína.

A 777 Partners assumiu clubes em diversos países: na Alemanha, com o Hertha Berlim, na Itália, com o Genoa, na Bélgica, através do Liège, e na França, com o Red Star.

Também houve um caso de resistência no clube belga. Em 10 de maio, torcedores impediram a entrada dos jogadores no estádio para a partida em casa válida pelo Campeonato Belga. O jogo não ocorreu.

Dois dias antes, o Liège anunciou que estava temporariamente proibido de assinar pela federação do seu país "por não poder fornecer todos os comprovantes de pagamentos solicitados nos prazos devidos".

O diretor do Liège, Pierre Locht, tentou tranquilizar a situação, afirmando que o clube "não está à beira da falência". Contudo, o dirigente e outro administrador renunciaram ao cargo "para não serem cúmplices da 777", revelou o jornal Le Soir na quinta-feira.

O fundo 777 também tem participações minoritárias no Sevilha e no Melbourne Victory.

- "Esquema Ponzi" -

As dívidas crescentes sobre a solvência da empresa dispararam com a recente revelação na imprensa internacional sobre processos judiciais contra a mesma nos Estados Unidos.

Um deles datado do início de maio, pelo empréstimo de US$ 350 milhões (quase R$ 1,6 bilhão na cotação atual) apoiado por garantias financeiras "inexistentes", segundo o gestor de ativos britânico Leadenhall Capital Partners.

O denunciante acusa o fundo de comportamento fraudulento comparável a um "Esquema Ponzi", ou seja, fazer compras de ativos endividando-se antes de usar os mesmos como garantia para comprar outros.

Segundo a empresa britânica, era assim que o fundo americano pretendia comprar o Everton. O projeto de aquisição havia sido anunciado em setembro de 2023, mas foi barrado no sistema de supervisão das autoridades do Reino Unido sobre a solvência do comprador.

"É curioso que um fundo como este, que investe em absolutamente tudo, desde companhias aéreas a seguradoras, queira estar presente no futebol sem concorrência para isso", diz o cientista político belga Jean-Michel De Waele, que também é sociólogo do esporte na Universidade Livre de Bruxelas.

    AFP

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