Cleverson Carrilho comemora vitória no ACA 141 e mira em título
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Cleverson Carrilho comemora vitória no ACA 141 e mira em título


Foram cerca de 48 horas de viagem do Rio de Janeiro até Sochi, a aproximadamente 1620 quilômetros da capital da Rússia, Moscou. Conexões, esperas infindáveis em aeroportos, cansaço, retenção de líquido, tudo isso a menos de cinco dias da luta. Nada foi suficiente para impedir a vitória do brasileiro Cleverson Carrilho sobre o ucraniano Pavel Vitruk na edição 141 do Absolute Championship Akhmat (ACA), na última sexta-feira (22), pela categoria peso-galo (até 61 kg).

“O Pavel é um ótimo atleta, muito forte, ex-campeão do M-1. Foi contra ele que fiz minha estreia na Rússia em 2019”, lembra Carrilho. “Felizmente, ao contrário do nosso primeiro confronto, consegui vencer todos os obstáculos, colocar em prática a estratégia montada pela minha equipe, impor o meu jogo e superá-lo inclusive na área dele, que é a trocação”, celebra.

Atual 7º colocado no ranking dos galos, Carrilho acredita que possa estar a apenas uma vitória da disputa pelo cinturão. “Já me ofereceram outra luta em agosto contra um russo duríssimo, invicto no MMA (Rustam Kerimov, nº 2 do ranking), mas o mestre Dedé (Pederneiras) prefere que eu tenha um pouco mais de tempo para me recuperar e me preparar para esse novo desafio. A ideia é lutar em setembro. Se eu vencer, espero que a próxima luta seja pelo cinturão. Esse é o objetivo e acho que estamos bem perto dele”.

De Coari para o mundo

Forjado na equipe Nova União, Cleverson Carrilho iniciou no Jiu-jitsu aos 18 anos em um projeto social na sua cidade natal, Coari, no interior do Amazonas. Foi Antonio Reis, professor da academia ADAMCAM, filiada da Nova União, quem recebeu Carrilho e lhe deu seu primeiro kimono.

“Eu venho de uma família muito pobre, de uma região com pouquíssimas oportunidades, não tinha condições de comprar um kimono. Comecei a trabalhar ainda criança, com uns sete anos, vendendo sacolé na rua para ajudar no sustento da minha mãe e dos meus nove irmãos. Às vezes não tínhamos o que comer, é muito difícil lembrar dessa época”, conta emocionado.

“Durante a minha vida tive a sorte de encontrar pessoas muito boas, que apostaram em mim quando eu não tinha nada para oferecer, e uma delas foi o professor Antonio Reis. Depois, quando decidi que queria viver da luta, larguei tudo para aprender MMA com o professor Marcio Pontes, em Manaus. Fiquei morando na academia dele durante três anos. Graças a pessoas como eles, além dos meus patrocinadores e apoiadores, tenho condições de me dedicar integralmente aos meus treinos e evoluir cada vez mais”.

Atleta do ACA desde 2019, Carrilho já fez nove lutas pelo evento e cumpre seu segundo contrato consecutivo. Conhecido pelos companheiros de equipe por sua dedicação, o amazonense treina de segunda a segunda. Mesmo aos domingos, só descansa depois de correr pela manhã.

“Eu tenho um sonho, que é ser campeão do ACA e poder oferecer uma vida mais confortável para a minha mãe. É pensando nela e na minha família que treino tanto, quatro, cinco vezes ao dia. Eu acredito nesse sonho, sei que vai dar tudo certo”.

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