Especialista defende popularização de tratamento e prática de atividade física contra doenças venosas
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Especialista defende popularização de tratamento e prática de atividade física contra doenças venosas


A doença venosa crônica é uma das doenças mais prevalentes em todo o mundo. Estima-se que pelo menos 38% dos homens, e 61% das mulheres, sejam portadores de varizes nos membros inferiores. No Brasil, a doença já afeta 50% da população, sendo a 14ª causa de afastamento do trabalho e a 32ª causa de aposentadorias por invalidez.

De acordo com o médico e doutor em Fisiologia e Microcirculação, pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Bernardo Barros, a doença venosa tem impactos graves na saúde da população. Uma vez que, dores nas pernas impedem o exercício e até a realização de atividades normais, o que por sua vez contribui para o aumento de peso do paciente e consequentemente o agravamento da doença, podendo evoluir para quadros de trombose e úlcera venosa nas pernas.

“É um problema grave de saúde pública, principalmente porque está muito presente na população, que chega a 70 % com algum grau de doença venosa. Se formos pensar em 220 milhões de brasileiros, e que uma grande parte está numa faixa etária acima dos 20 anos, nós temos aí quase 80 milhões de pessoas susceptíveis à doenças venosas, e essas doenças em graus mais elevados, podem apresentar feridas abertas ou fechadas na perna em algum momento”, declara.

Ainda de acordo com o médico e pesquisador no Lab BIOVASC - UERJ e membro do Programa JLM da Academia Nacional de Medicina, atualmente, embora os números não sejam animadores, algumas medidas de prevenção, simples e menos onerosas podem e devem ser colocadas em prática, a exemplo da atividade física e controle do peso.

“A prática de exercício físico tem uma relação direta com a prevenção da doença circulatória, não só para os casos mais avançados, mas também para pacientes que sofrem de hipertensão, diabetes, doença arterial, por exemplo. O exercício pode permitir uma melhora no bombeamento do sangue pela panturrilha em direção ao coração. Então, quando o paciente se movimenta e tem o músculo mais forte, essa bomba também é mais intensa e o sangue retorna com mais força para o coração, diminuindo dor, reduzindo o inchaço nas pernas e melhorando as varizes”, explica.

Varizes x Musculação

Doutor Bernardo aproveita para desfazer alguns mitos em torno da relação entre a doença venosa e algumas modalidades físicas, como a musculação. Pois, ainda é comum algumas pessoas evitarem a modalidade em função da predisposição ao desenvolvimento de vasos e varizes.

“Mesmo para o paciente que já tem varizes, a musculação ou qualquer outra atividade indicada, tem uma boa relação com a melhora clínica e a melhora dos sintomas. E naqueles pacientes onde a carga genética é muito grande, pacientes que pai e mãe já tem varizes, ou para as mulheres que trabalham em pé muitas horas, o exercício também pode trazer o benefício da prevenção. Ou seja, um bom condicionamento físico diminui o risco do aparecimento de varizes”, destaca o especialista.

Tratamento com Espuma

Para os pacientes que têm varizes maiores, muitos sintomas, inchaços nas pernas, o médico explica que além da rotina de exercícios o tratamento das varizes também é essencial. O tratamento com Escleroterapia Ecoguiada com Espuma (EEE) ou simplesmente “Espuma Densa” se torna uma boa opção com resultados excelentes e possibilidade de tratamento sem cirurgia ou internação.

“É um dos grandes fatores de melhora sem que o paciente precise ficar de repouso, e se associado ao exercício, temos o cenário ideal para a recuperação do paciente. A fisioterapia, drenagem linfática, outros tipos de cuidados também são necessários”, pontua.

O especialista destaca que o EEE é um método minimamente invasivo que pode ser usado tanto nos pacientes privados, quanto nos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), pois trata-se de um procedimento seguro, que não requer internação e apresenta resultado semelhante ao da cirurgia.

“Atualmente, cerca de 200 a 300 mil pacientes necessitam desse tratamento no SUS. E isso é muito grave. O que precisamos fazer de maneira mais rápida, com maior impacto é tratar esses pacientes mais graves e a partir desse momento também começar a tratar os que estão evoluindo na doença venosa para que eles não cheguem a esses estágios mais graves, que embora tratáveis, podem ser irreversíveis, alerta.

Projeto Pernas Saudáveis

Um dos responsáveis pela popularização da EEE no Rio de Janeiro, desde 2012, Dr. Bernardo Barros realiza esse tratamento no serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular do Hospital Universitário Gafreé e Guinle (HUGG), da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), onde é professor adjunto de Cirurgia Vascular.

Em 2021, o especialista deu início ao Projeto Pernas Saudáveis com o apoio do Senador Carlos Portinho. De acordo com o Dr. Bernardo, a ideia do projeto é acelerar o tratamento de um grande número de pacientes que esperam por cinco, dez anos, na fila do SUS para realizar a cirurgia. O médico destaca ainda que o caminho para diminuir e resolver o problema que gera altos custos na saúde pública, é através de projetos de parcerias público-privadas, entre prefeituras e secretarias de saúde com polos em municípios centrais nos estados do país.

Fora do ambiente acadêmico, atualmente, mais de 100 pacientes já foram atendidos, e mais de 300 procedimentos realizados pelo projeto Pernas Saudáveis, no município de Itaboraí. Ainda de acordo com o cirurgião, a meta é instituir um programa semelhante em outros municípios como Teresópolis, Queimados e São Gonçalo, onde a procura por tratamentos vasculares também é grande.

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