ANÁLISE: contra o São Paulo, Palmeiras de Abel provou do próprio veneno
Fábio Lázaro
ANÁLISE: contra o São Paulo, Palmeiras de Abel provou do próprio veneno


Antes de mais nada, eu preciso confessar que alguns termos corriqueiros no futebol hoje em dia me dão náusea. Um que com certeza está nesse ‘pódio do mal’ é ‘nó tático’. Acho meio pretensioso e arrogante um crédito como esse vindo do alto do nada.

No entanto, quando estava pensando na partida em que o São Paulo envolveu o Palmeiras e venceu por 3 a 1, na ida da final do Campeonato Paulist a , na última quarta-feira (30), no estádio do Morumbi, o termo foi o mais próximo que eu achei para definir o que o time dirigido pelo Rogério Ceni fez com a equipe treinada pelo Abel Ferreira.

Abel já disse, e não faz muito tempo, que gosta de discutir o futebol jogado, e não falado, referindo-se s avaliações da imprensa. Mas entre esses há também o futebol enxergado. E isso acaba sendo subjetivo à visão de quem acompanha os jogos.

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E, de fato, o que eu vi no Morumbi foi um São Paulo dando esse ‘nó tático’ do Palmeiras com a própria corda palmeirense.

Pouquíssimas vezes o Verdão foi tão mal sob o comando de Abel. A equipe foi muito pouco criativa, e até mesmo a solidez defensiva costumeira não pôde ser vista no Morumbi.

Para neutralizar o adversário, equipe a ser batida no futebol brasileiro, o São Paulo precisou ser um pouco Palmeiras.

Bem como a linha de cinco defensores na qual Abel Ferreira montou o Verdão no final da Libertadores do ano passado, contra o Flamengo, em Montevidéu, o Tricolor teve na noite da última quarta-feira (30), com Pablo Maia se posicionando entre os zagueiros palmeirenses, quando o adversário tinha a bola.

O Palmeiras foi forçado para o jogo lateral desde o início de partida. É claro que tudo poderia ser diferente se aproveitasse as boas chances que criou nos primeiros minutos, justamente com o apoio nas extremidades, principalmente com o lateral-esquerdo Piquerez, que foi criativo no início do jogo e levou perigo para o gol são paulino pelo menos duas vezes, com uma finalização cortada por Diego Costa, após receber sozinho em boa inversão de jogo de Dudu, ou quando passou por Rafinha em jogada individual e serviu Raphael Veiga para finalizar para fora.

Ainda quando teve esses momentos, o Palmeiras não era melhor da partida. Mas esse estilo de jogo, aproveitando a transição rápida ao ataque, mesmo sem ter muito a bola, é natural da estratégia recente da equipe alviverde. O problema para o Verdão foi o que se sucedeu, com o São Paulo ajustando a marcação lateral, com a composição de Pablo Maia ao sistema defensivo e os laterais com o reforço dos zagueiros na cobertura.

O Tricolor passou a jogar defensivamente com um 5-4-1, com Diego Costa fazendo a cobertura para Rafinha em relação a Dudu, que fazia a ponta direita palmeirense, e Léo ajudando defensivamente Wellington, que passou a segurar as investidas do Piquerez.

Nem mesmo a entrada de dois jogadores de velocidade pelas pontas, como Wesley e Gabriel Veron, após sofrer o segundo gol mudou o panorama palmeirense da partida. A marcação do São Paulo era forte, e o poder ofensivo estava sendo letal no segundo tempo.

Na parte de trás do Palmeiras também houve falhas. E a defesa que costuma ser o ponto forte de solidez do Verdão vacilou demais durante o jogo.

No segundo gol, marcado por Pablo Maia, a bola é espirrada da esquerda para direita e Éder recebe livre, rolando para trás para Maia chegar finalizando sem cobertura alguma.

Já no terceiro, a desorganização da defesa em um lance simples de bola parada foi gritante, e Calleri fechou o segundo pau à frente do marcado do Palmeiras.

Não dá, é claro, desconsiderar o peso emocional do pênalti contenstável marcado pelo árbitro Douglas Marques das Flores no último minuto do primeiro tempo, e a falta de critério do profissional do apito em lances parecidos com o Palmeiras. Ainda assim, uma equipe que aprendeu a sofrer e vem de nove finais de campeonatos no último ano e meio não pode se deixar levar com esses fatores.

Bem como o Palmeiras foi estrategista para segurar o River Plate, na Argentina,
abrindo uma larga vantagem no jogo de ida da semifinal da Libertadores de 2020, em jogo disputado em janeiro de 2021, com Abel Ferreira admitindo que leu o livro do treinador da equipe argentina Marcelo Gallardo, Rogério Ceni teve cabeça fria e coração quente para neutralizar o treinador a ser dominado no futebol brasileiro atualmente.

Caberá, então, a Abel ser um pouco Gallardo no jogo de volta, e agredir o adversário sem pensar duas vezes, chama-lo para o campo de defesa, marcar gols cedo e tentar o título estadual.

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