ANÁLISE: eliminação no Paulista dá ao Santos três semanas para tentar arrumar a casa
Fábio Lázaro
ANÁLISE: eliminação no Paulista dá ao Santos três semanas para tentar arrumar a casa


É natural o torcedor do Santos lamentar a desclassificação ainda na fase de grupos do Campeonato Paulista pelo segundo ano consecutivo, ainda que com o alívio da sobrevivência na elite do futebol estadual ao vencer o Água Santa por 3 a 2, de virada, na Vila Belmiro, neste sábado (19) .

Contudo, ao olhar friamente, a eliminação no Paulista pode ser visto como uma oportunidade de recomeço do Peixe.

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Erros no início da gestão do atual presidente Andres Rueda fazem com que o Alvinegro Praiano esteja há pelo menos um ano e meio remediando apresentações e campanhas ruins, além de correr riscos. O principal deles o do rebaixamento. Foram três competições seguidas que o Santos passou lutando contra o descenso e se salvando nas rodadas finais.

Desde o início do ano passado, Rueda dizia que a prioridade seria sanar as dívidas do clube, e isso tem sido feito. A dívida total já foi reduzida em quase R$ 300 milhões, mas o torcedor não consegue admitir o time brigar para não cair de forma tão constante em tão pouco tempo. Não ganhar títulos, para a nação santista, era até compreensível, mas ser rebaixado é inadmissível.

Todos sabiam que o Peixe sangraria, mas não imaginavam que a hemorragia teria que ser como é.

Por isso a salvação da degola ter vindo sem a classificação às quartas de final do Paulistão, para enfrentar o Red Bull Bragantino, no final é um mal que pode vir para o bem do Santos, se for bem utilizada.

Fabián Bustos está no início do trabalho. O argentino é o quinto técnico santista na gestão de Andres Rueda e terá a oportunidade de organizar ainda mais o time com três semanas sem jogos.

Nas duas últimas partidas, contra Ferroviária e Água Santa, já se pôde ver uma melhoria ofensiva. O Santos que não criava, passou a criar. Foram seis gols em dois jogos. Uma equipe sem um meia-armador, mas que tem apostado na marcação forte no campo adversário e saída rápida dos seus pontas, que fecham por dentro quando têm a bola, para armar o jogo. E tem a evolução de Ricardo Goulart, jogando como um segundo atacante e pisando na área para marcar gols. Dois dos quatro tentos do camisa 10 foram com o atual comandante santista.

Por outro lado, a parte defensiva ainda precisa de muitos ajustes. Foram cinco gols sofridos em três jogos, e a grande maioria fruto de falhas de posicionamento.

Contra o Água Santa foram inúmeras vezes que o sistema defensivo parecia desordenado e precisou de uma atuação segura do zagueiro Eduardo Bauerman. O goleiro João Paulo teve algumas intervenções providenciais.

Kaiky, ainda que tenha marcado o terceiro gol, mais uma vez foi mal no sistema defensivo. A fase do garoto é ruim e a tendência é que ele perca a posição para Maicon, que foi contratado há duas semanas, mas não pôde jogar no Paulistão, por não estar inscrito.

A adaptação do novo zagueiro e de possíveis reforços também terá na pausa de três semanas uma vantagem, para que eles não entrem com o time envolvido em uma maratona de jogos.

E falando em reforços, o hiato de partidas será fundamental para que a diretoria busque peças de reposição. O executivo de futebol Edu Dracena está no marcado de olho em jogadores para o Santos. O volante Alison e o meia Willian Maranhão são os mais próximos. O lateral-direito Bryon Cantillo, do Barcelona de Guaiaquil-ECU, e o atacante Bryan Ângulo, do Cruz Azul-MEX, também estão no radar.

E quanto ao trabalho de Edu Dracena, o homem forte do futebol santista também terá pela primeira vez um tempo sem jogos para trabalhar desde que chegou no Peixe.

OAex-zagueiro assumiu a sua função na diretoria santista em outubro do ano passado, com o time lutando contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro, e não teve tempo para montar um planejamento para a temporada seguinte. A promessa para o ex-treinador Fábio Carille era de seis reforços, mas foram entregues somente três. Além disso, houve a demissão do técnico após sete jogos em 2022.

Dracena é o quarto profissional a exerceção a função de execução no futebol santista, que teve Felipe Ximenes como primeiro, mas que era fruto da gestão anterior, presidida por Orlando Rollo, seguiu com Jorge Andrade acumulando as função de executivo e gerente de futebol, passou por André Mazzuco como homem forte do futebol, com Andrade exercendo apenas o seu papel na gerência, até chegar em Edu.

É tempo de organização e aplicação de ideias para o Santos dentro de campo. E fora dele, planejamento e trabalho sendo implementados e colocados em prática.

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