Velejadores criam primeira fábrica de cabos náuticos da América Latina
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Velejadores criam primeira fábrica de cabos náuticos da América Latina


O mercado náutico ganhou no mês de março de 2022 a primeira fábrica do continente com operação 100% dedicada à produção e desenvolvimento de cabos náuticos. A V.elo, empresa instalada em Canoas (RS), tem o objetivo de atender a demanda nacional do equipamento fundamental para a prática da modalidade.

Os cabos são ‘cordas’ usadas para basicamente tudo a bordo de um veleiro, desde amarrar o barco ao píer, içar e controlar as velas até ajustar suas regulagens, que são atividades necessárias em qualquer navegação, mesmo à passeio.

O velejador gaúcho Cássio Canto lidera as operações da V.elo no parque industrial localizado na região metropolitana de Porto Alegre, tendo como advisor Alexandre Abu-Jamra, que tem mais de uma década de experiência no setor de cordoaria.

As linhas de produtos são para atender todos os velejadores, desde os competidores de alta performance até os cruzeiristas amadores. O catálogo variado inclui até mesmo cabos feitos com materiais e tecnologias presentes nas principais regatas do mundo, como a America’s Cup e The Ocean Race.

A empresa brasileira é a primeira e única fabricante no continente licenciada pela DSM, a multinacional holandesa que produz o Dyneema, considerado o melhor fio de alta performance do mundo, utilizado inclusive em aplicações militares e aeroespaciais.

- Somos velejadores e sabemos que a vela é mais do que um esporte, é uma filosofia de vida. O que faltava no mercado brasileiro era uma marca que entendesse essa conexão e essa comunidade – e que fosse capaz de entregar produtos especializados, que melhorem a vida do velejador - disse Cássio Canto, CEO da V.elo.

A experiência internacional de Cássio Canto – com duas campanhas olímpicas – serve também como constante fonte de pesquisa e desenvolvimento para a empresa. Apenas em 2021, foram visitados cinco países em três continentes para busca sobre novas tecnologias de produção. Por isso, a empresa já nasce com viés de internacionalização, exportando produtos para grandes centros náuticos como Argentina, EUA e Portugal.

Demanda em alta

A V.elo surge para atender o crescente número de velejadores brasileiros em um mercado aquecido. Mesmo com a pandemia de COVID-19, o setor segue em crescimento, 30% nos últimos dois anos, segundo dados da Associação Brasileira de Construtores de Barcos e Implementos (Acobar).

Além disso, o governo brasileiro aprovou no começo deste ano a isenção dos impostos de importação sobre veleiros usados, incentivando ainda mais um mercado que tinha seu crescimento limitado pela baixa disponibilidade de barcos no país.

A nova fabricante de cabos náuticos recebeu investimento de R$ 1,5 milhões em 2021, destinados a criar uma estrutura produtiva de primeiro mundo em Canoas (RS). Com o aporte inicial, a V.elo adquiriu maquinário especializado, utilizado pelos principais players globais.

- Escolhemos começar pelos cabos por toda expertise técnica que possuímos, mas também – e principalmente – por ser uma dor antiga dos velejadores brasileiros, que sempre dependeram de produtos importados para ter alta qualidade - contou Alexandre Abu-Jamra.

O projeto piloto da V.elo começou em janeiro de 2021 como a ideia de ser uma nova divisão de uma tradicional cordoaria, com mais de 90 anos de atuação nos setores naval e offshore, onde Alexandre Abu-Jamra atuou por mais de 10 anos. Com a demanda crescente e o feedback positivo do mercado, em apenas seis meses o piloto tomou corpo e ganhou vida própria, se tornando uma empresa totalmente independente.

O branding e construção de marca foram desenvolvidos por uma equipe especializada, incluindo profissionais de uma agência baseada em Nova Iorque, nos EUA, alinhando a visão de ser uma marca brasileira com relevância global.

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