Chef de cozinha aponta a relação entre dieta gluten free e alta performance
Leonardo Fabri
Chef de cozinha aponta a relação entre dieta gluten free e alta performance


Atletas de alto nível, como o campeão mundial de tênis Novak Djokovic e o astro do futebol Cristiano Ronaldo, já afirmaram utilizar a dieta sem glúten. Isso comprova que esse tipo de alimentação não limita o ganho de performance?

Um número cada vez maior de atletas tem adotado uma dieta sem glúten por acreditar que essa medida vai ajudá-los a combater o cansaço e a correr melhor. Segundo a cientista do exercício e nutricionista norte-americana Lise Bryer, há hoje uma crença de que retirar o glúten da dieta diminiu inflamações, problemas de estômago e fadiga, melhorando, assim, o desempenho muscular e a motivação para treinar.

A chef de cozinha Ieda Lara, ex-integrante do Masterchef Brasil e especializada na culinária gluten free, aponta que a dieta sem glúten favorece o desempenho de atletas de alta performance em razão de seus 17 anos dedicados à área, observando maior disposição em pessoas que adotam esse novo estilo de vida. Ieda Lara é membro da American Culinary Federation (ACF) e certificada pela entidade em alimentação gluten free.

Ela explica que, quando uma pessoa com doença celíaca, intolerância ou sensibilidade ao glúten consome essa proteína, pode apresentar sintomas como dor de barriga, distensão abdominal, dores de cabeça, diarreia e gases. “Não há solução para nenhum desses problemas, exceto eliminar o glúten da dieta”.

Ieda Lara é chef de cozinha desde 2005 e reúne experiência liderando cozinhas famosas em todo território nacional, como a do consagrado Restaurante Alfredo di Roma (franquia italiana), e a de hotéis, como Vila Germânica. Ao longo dos 17 anos de atuação, Ieda se especializou em alimentação vegana e glúten free cuisine, criando pratos autorais que levam sua assinatura. Entre os mais solicitados, estão aqueles com ingredientes nutritivos veganos e com total reaproveitamento dos alimentos, como cascas e sementes, a exemplo do quibe de casca de banana e quinoa. Para aperfeiçoar sua técnica, Ieda Lara também fez visitas de imersão a restaurantes e cafés na Califórnia (Estados Unidos), um dos locais americanos que mais valorizam o conceito de health food, glúten free e veganismo.

Porém, para descobrir se o atleta ou qualquer pessoa possui doença celíaca, Ieda Lara indica procurar um gastroenterologista, que vai realizar exames específicos para diagnóstico da doença celíaca. “Embora esses atletas já sejam acompanhados por equipes de especialistas, ainda não é tão comum incluir esses exames nessa rotina”, observa.

Djokovic, por exemplo, só descobriu após passar mal durante um jogo. Ieda Lara acredita que o tema ainda é pouco discutido. “Muitas pessoas, inclusive atletas de alta performance, passam a vida com sintomas dessa doença e muitos médicos ainda não estão atentos a isso”, alerta ela.
O caso Djokovic ter tido uma crise durante a competição é um exemplo disso, porque ele deve ter tido vários sintomas antes dessa crise.

A boa notícia é que já existem muitas alternativas alimentares sem glúten no mercado. “Temos um grande avanço da indústria alimentícia com produtos sem glúten, porém ainda está muito aquém da necessidade desse nicho. É por isso que eu me especializei nos cardápios sem glúten, estudando a fundo mix de farinhas e a forma correta de preparo para evitar a contaminação cruzada. Quem se dedicar a essa área precisa levar em consideração o cuidado com a cozinha, uso dos utensílios e demais apetrechos. Em hipótese alguma deve-se cozinhar alimentos com glúten”, ensina Ieda Lara.

De acordo com pesquisa do Euromonitor, empresa especializada em inteligência de mercado, de 2012 a 2020, o consumo de alimentos sem glúten cresceu 8%. E a estimativa é que, até 2024, haja um crescimento de 35% a 40%.

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