Projeto que regulamenta profissão de Executivo de Futebol está perto de aprovação no Senado
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Projeto que regulamenta profissão de Executivo de Futebol está perto de aprovação no Senado


Planejamento da temporada, contratação de jogadores, controle do orçamento e gastos, entre outras funções: o cargo de executivo de futebol tem ganhado cada vez mais espaço e relevância para os clubes. Aprovado na Câmara dos Deputados recentemente, o projeto de lei que regulamenta a profissão passou para o Senado e, de acordo com a proposta, exige de todo profissional que quiser ocupar o cargo a conclusão de cursos para atuação na área.

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Com a regulamentação do cargo em pauta, o interesse de dirigentes por capacitação profissional no mercado têm aumentado. A Associação Brasileira dos Executivos de Futebol (Abex), por exemplo, conta com mais de 90 filiados. Em 2021, a Universidade do Futebol avaliou ter formado cerca de dois mil alunos no curso de executivo de futebol nos últimos oito anos.

Júnior Chávare, dirigente de futebol que estava no Bahia na temporada passada, entende que a norma deve exigir que os profissionais tenham o mínimo necessário de embasamento metodológico, científico e conceitual para o exercício da função.

- Evidente que a prática continua sendo um dos grandes diferenciais do nosso trabalho, mas o estudo e a capacitação é fundamental, até porque é isso que nos valoriza ainda mais no mercado - avaliou.

O executivo de futebol do Fortaleza, Sérgio Pappelin, segue uma linha de raciocínio parecida:

- É a valorização de um profissional que tem tanta responsabilidade dentro de um clube de futebol, além de que obriga o mesmo a fazer curso de gestão, onde ele será cobrado para estar sempre atualizado. A regulamentação nos dá a segurança de uma profissão reconhecida, onde podemos trabalhar sabendo que vamos ter nossos direitos assegurados.

Nos últimos anos, a figura do executivo de futebol ganhou protagonismo dentro dos clubes brasileiros. Ao contrário de antigamente, quando os times tinham uma figura política forte no controle do time, o cenário atual é de uma procura voltada para os profissionais especializados nesse tipo de gestão.

Embora esses dirigentes por vezes dependem do acerto de uma grande contratação para ganhar prestígio dos torcedores, a função de um executivo vai além de buscar atletas no mercado.

- Evidente que contratar jogadores é o ponto de maior relevância, mas existem outros conceitos fundamentais, como o planejamento da temporada, estruturação do clube e controle do orçamento'', explica Rui Costa, executivo do São Paulo. “A função não consiste apenas em contratar e dispensar atletas, é muito mais complexo, e é importante que o torcedor compreenda isso - abordou Paulo Pelaipe, atualmente no Botafogo-SP.

Paulo Bracks, executivo do Internacional, explica que o ofício é muito mais interno no clube, de tentar equilibrar as finanças, ter harmonia entre as áreas, organizar processos e procedimentos e ter uma gestão de pessoas, não só de colaboradores e funcionários, mas de jogadores de variadas classes, formações e origens.

O dirigente ainda ressaltou, também, a exaustão e pressão do trabalho no dia a dia:

- O executivo, tal como o futebol em si, não tem dia de descanso, não tem feriado, sábado e domingo. O futebol, assim como o dirigente, funciona todos os dias, para que essa engrenagem possa funcionar sendo dia de jogos ou não, dia de contratações ou não.

Desafios para começar na profissão

- Para um primeiro passo, o ideal é buscar uma oportunidade em clubes pequenos, que estão sedentos por novas práticas e uma profissionalização. Ali, dentro da instituição, o dirigente vai fazer de tudo um pouco, desde aprender a fazer um contrato, um registro, até entender o dia a dia do time e todas as suas facetas. Acredito que essa seja a melhor escola possível - comentou Marcelo Barbarotti, executivo do Juventude. Profissional esse, aliás, que participou de todo o movimento para profissionalizar o cargo de executivo, inclusive com idas até Brasília para discutir e aperfeiçoar o Projeto de Lei.

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