Márcio Villar larga para seu maior desafio: dobrar a ultramaratona Arrowhead 135, nos EUA
Iúri Totti
Márcio Villar larga para seu maior desafio: dobrar a ultramaratona Arrowhead 135, nos EUA


Depois de acumular recordes em ultramaratonas da Copa do Mundo de Ambientes Extremos e feitos histórico ao longo de sua carreira, Márcio Villar, de 54 anos, vai encarar aquele que ele considera, atualmente, seu o último e maior desafio de sua vida: dobrar a prova Arrowhead 135 (número da distância em milhas, que representa 217km), que acontecerá em International Falls, na fronteira entre Estados Unidos e Canadá.

Recordista mundial de corrida na esteira e do Caminho de Santiago de Compostela, o ultramaratonista inicia a disputa já nesta quarta-feira (26), quando fará os primeiros 217km do trajeto sozinho. Ele vai largar na chegada para, três dias depois, estar na linha de partida. A prova oficial começa na próxima segunda-feira (31), quando Márcio ele vai largar com os outros competidores para completar os 434km de seus desafio, encarando um frio extremo, de uma das regiões mais frias do continente norte-americano, com temperaturas podendo chegar aos 40° Celsius negativos.

Márcio Villar já dobrou provas no deserto e na Floresta Amazônica

“Passei por cinco operações, colocação de próteses no quadril e três cirurgias na coluna, com a colocação de duas. Eu acho que qualquer pessoa no mundo teria desistido, mas eu estou aqui para realizar meu sonho. É muita neve, mas vou trazer essa marca, se Deus quiser. Nunca desista do seu sonho”, destaca ele, um ferrenho torcedor do Botafogo. Ultramaratonista Marcio Villar em sua última participação na Arrowhead 135, em 2020. (Arquivo pessoal)

Ultramaratonista Marcio Villar em sua última participação na Arrowhead 135, em 2020. (Arquivo pessoal)

Márcio, que já enfrentou maratonas sob o calor do deserto, percursos na Floresta Amazônica e em montanhas, agora precisa superar o rigoroso inverno norte-americano para conquistar seu objetivo. Ele já participou da Arrowhead 135 em outras seis oportunidades, mas nunca conseguiu dobrar a prova. Esse é o combustível da determinação do ultramaratonista para atingir mais uma marca especial em sua carreira: ser o único do mundo a dobrar em todas as ultramaratonas da Copa do Mundo.

“Eu já dobrei ou tripliquei as outras provas de extrema dificuldade, mas só nessa que ainda não consegui. Eu já ganhei o troféu por cumprir o percurso normal duas vezes, mas tentei dobrar em outras quatro. Então essa prova representa, para mim, uma superação, de nunca desistir deste sonho enquanto não conquistá-lo”, conta ele.

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Quem vê a determinação do atleta em bater mais um recorde, não imagina que ele precisou superar outro percurso de grande dificuldade: sua saúde. Márcio Villar descobriu uma doença autoimune na cabeça que poderia ter abreviado a carreira. Precisou passar por tratamentos com medicamentos e cirurgias. Em 2017, dez meses após colocar uma prótese no quadril, bateu o recorde mundial em Santiago de Compostela, de 827,16km, entre a França e a Espanha, inflamado pelo amor às ultramaratonas.

Os problemas de saúde do ultramaratonista persistiram, mas ele não desanimou. Operou a coluna duas vezes, sendo que a cirurgia mais recente ocorreu há pouco mais de um ano. Em agosto de 2021, o atleta iniciou seu treinamento para o Arrowhead ao fazer o percurso Caminho da Fé, que liga as cidades de Águas da Prata e Aparecida do Norte, em São Paulo, um trajeto com pouco mais de 300km. Logo depois, foi convidado a participar dos caminhos Cora Coralina e Goyazes, em Goiás, totalizando 1.200km de percurso.

“Esse treino foi muito bom mentalmente e fisicamente para me preparar para o Arrowhead e ver que estava recuperado da operação. Cheguei à International Falls há mais de uma semana e estou me adaptando ao clima e preparando equipamentos”, explica Márcio.

Obstinado, como ele mesmo se intitula, experiente, detentor de grandes façanhas e de projetos voltados à causas sociais, Márcio Villar revela a melhor expectativa possível para disputar sua última ultramaratona. “Estou pronto, mas ansiedade, o frio na barriga e o nervosismo são normais. Faço isso por prazer, então vale a pena. Agora quero realizar esse sonho que tenho há 11 anos”, completa.

Quem pensa que ele irá deixar os desafios de lado após conquistar o sonho, se engana. Depois de percorrer os 434km da Arrowhead, o sonho de Márcio é algo bem comum entre grandes atletas: subir o monte Evereste. “Depois dessa prova, que será a última da minha carreira, eu pretendo, se conseguir apoio, escalar o monte Evereste. Meu próximo sonho é esse”, admite ele, que tem o patrocínio da Clínica Primesculp, Universidade Unisuam, RV Gestão, Remax RV, Valdir Lemes da França, Farmácia Magna e a pulseira de identificação Mysafesport.

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