Sensação da Copinha, Ibrachina usa futebol para difundir cultura chinesa e captar 'potenciais desperdiçados'
Ricardo Guimarães
Sensação da Copinha, Ibrachina usa futebol para difundir cultura chinesa e captar 'potenciais desperdiçados'


A Copa São Paulo é responsável por revelar meninos que sonham em se tornarem grandes craques, mas não somente isso. O torneio também serve como laboratório para clubes recém-fundados e para ampliação de horizontes para trabalhos que já eram desenvolvidos em outras áreas sociais. Esse é o caso do Ibrachina, time sensação da Copinha que terminou a primeira fase com 100% de aproveitamento e enfrenta o Oeste nesta quinta-feira.

O nome e a cor vermelha na camisa de cara já dão um 'spoiler' da ligação do time com a China e a comunidade chinesa no Brasil. O elenco faz parte do braço esportivo do Instituto Sociocultural Brasil China e foi fundado pelos irmãos Thomaz e Henrique Law. Este último é presidente do Ibrachina FC e atendeu ao LANCE! para falar sobre a decisão de criação da equipe e filiação à Federação Paulista de Futebol (FPF), em meados de 2021.

Henrique reforçou ao L! que a criação da equipe faz parte da estratégia da família em estreitar laços entre o povo chinês e o Brasil, mas não apenas isso. Os irmãos viram também uma oportunidade de negócios ao aproveitarem 'potenciais desperdiçados' nas categorias de base do futebol durante atuação social na periferia de São Paulo. O clube ainda captou jogadores dispensados pelos grandes de São Paulo durante a pandemia e já lucrou com a venda de promessas para dois deles. Ibrachina

Time possui campo próprio na Copinha (Foto: Divulgação/Ibrachina)

Recentemente, o Ibrachina negociou o atacante Riquelme, de 15 anos, que fechou um contrato por três temporadas com o Palmeiras , e também o atacante Cauã, de 14 anos, com o Corinthians . Com a boa campanha da equipe sub-20 em evidência, o presidente do clube já deixou claro que os planos, por enquanto, não incluem a criação de um time profissional.

- Temos uma projeção de por enquanto trabalharmos só com a base, lógico que temos a ideia de futuramente ter um elenco profissional - destacou Henrique Law.

A primeira empreitada sub-20 do Ibrachina, no Paulistão de 2021 acabou mais cedo, na fase de grupos, com uma quase classificação ao ficar fora da fase seguinte pelo saldo de gols. O presidente destacou que a mudança de performance passou pela percepção de que o trabalho estava sendo melhor desenvolvido no sub-15, promovendo assim o técnico e a comissão para a categoria mais velha do clube.

- Aprendemos bastante com a primeira competição. A primeira mudança foi na gestão da comissão técnica. Promovemos o técnico que tem uma metodologia muito interessante e já trabalhava com a gente no sub-15 e foi para o sub-20. Ele mostrou resultados muito expressivos sendo no sub-15 a categoria menos vazada e o nosso goleiro foi considerado o menos vazado do paulista. Riquelme - Ibrachina

Riquelme foi negociado com o Palmeiras (Foto: Divulgação/Ibrachina)

DE OLHO NO OESTE E COM O FLAMENGO NO HORIZONTE
O Ibrachina, que liderou o Grupo 30, enfrenta o Oeste nesta quinta-feira. Caso avance, a equipe pode ter pela frente o Flamengo na fase seguinte. O presidente falou da expectativa da continuidade do campeonato e da estrutura do clube que conta com um estádio próprio na região da Mooca, em São Paulo.

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Confira o papo com Henrique Law, presidente do Ibrachina FC.

LANCE! - Como foi a criação do clube e a decisão de entrar no ramo de negócios esportivo?
Henrique Law - O time começou de um jeito muito inusitado, pois eu e meu irmão criamos o Instituto Sociocultural Ibrachina. O intuito sempre foi difundir a cultura chinesa. Eu e meu irmão somos brasileiros e filhos de descendentes de chineses. E começamos por meio de projetos sociais junto com algumas comunidades que temos parcerias como Heliópolis, Paraisópolis, São Matheus. E pelo esporte começamos a questão de inclusão e começamos a enxergar potencial em muitos meninos ali, e víamos que era um potencial muito desperdiçado. E começamos a analisar essa possibilidade de fazer um clube. Que na verdade foi o segundo passo dessa decisão tomada por mim e pelo meu irmão Thomaz - disse.

L! - Como a comunidade chinesa do Brasil viu a criação do clube? Eles são torcedores do Ibrachina FC?
H.L - A comunidade aqui no Brasil, em relação com outras comunidades asiáticas, é a menor, mas mesmo assim a gente tem tido uma resposta muito positiva deles, que estão muito felizes e orgulhosos. Isso está refletindo em contra partida lá na China, que a gente consegue receber algumas mensagens de apoio e até mesmo algumas reportagens que foram transmitidas lá na televisão local da China.

L! - Como foi a preparação do time para a Copinha? Você esperava um resultado tão expressivo na primeira fase?
H.L
- Superou minhas expectativas, mas acompanhando o dia a dia dos atletas, eu estava bem confiante também. De filiação (na FPF) nós temos por volta de sete meses, mas de clube mesmo temos um ano. E coincidiu justamente com a época da pandemia em que os clubes, principalmente os centenários, começaram a dispensar seus atletas da base, por conta da redução da folha, pois como não tinha calendário e eles não tinham condições para manter os atletas da base. Então muitos meninos foram dispensados. Acabamos achando uma oportunidade aí também, pois eram atletas que já tinham feito ótimos trabalhos nas bases de clubes e estavam liberados para compor nosso elenco.

L! - Ter estrutura como um estádio próprio e um centro de treinamento ajudou no resultado rápido?
H.L - Com certeza. A infraestrutura, as ferramentas de trabalho que você dá para os atletas, quanto mais, melhor. Lógico que a exigência também cresce, pois você acaba exigindo mais.

L! - Esse foi o segundo torneio sub-20 do Ibrachina. No primeiro, ficou na fase de grupos. Na Copinha avançou em primeiro. O que foi mudado de uma competição para a outra?
H.L – Aprendemos bastante com a primeira competição. A primeira mudança foi na gestão da comissão técnica. Promovemos o técnico que tem uma metodologia muito interessante e já trabalhava com a gente no 15 e foi para o 20. Ele mostrou resultados muito expressivos sendo no sub15 a categoria menos vazada e o nosso goleiro foi considerado o menos vazado do paulista.

L! - O que esperar do confronto com o Oeste? Acha que dá para sonhar com uma final?
L.H - Vai ser um jogo muito duro. Muito físico. Porque o Oeste é um time muito forte fisicamente, mas agora vejo que é uma ótima oportunidade, pois jogaremos em casa, essa é a nossa vantagem. A gente tem que sempre sonhar grande. A expectativa é sempre boa, a diferença é que agora a gente ganhou bastante confiança.

L! - Caso vença a equipe pode enfrentar o Flamengo na fase seguinte. Qual a expectativa para a continuidade do campeonato?
A expectativa é de estar confiante, sabemos que o Flamengo é um clube de excelência, principalmente se falando da base em que estão com um grupo sub-17 desempenhando um campeonato digno de Flamengo. Vejo o time do Flamengo como um grupo muito veloz, então talvez arrumaremos algum esquema tático para poder anular um pouco desta velocidade desse jogo que eles procuram.

L! - O Ibrachina pensa em ter um clube profissional? Quais são os maiores destaques, na sua opinião, dessa equipe da Copinha?
H.L - Temos uma projeção de por enquanto trabalharmos só com a base, lógico que temos a ideia de futuramente ter um elenco profissional. Sobre os jogadores que vem se destacando, podemos destacar os laterais Flavinho, que já teve passagem pelo São Paulo, e o Samuel Neres, que é um lateral que fez gol em todas as partidas e que vem se destacando bastante.

L! - Para finalizar, o que você pode falar da equipe que defende o trabalho desenvolvido pelo Ibrachina na Copinha?
H.L - É um trabalho coletivo. Acho que todos tiveram uma parcela para chegarmos onde estamos chegando. Então, dou os parabéns a toda comissão, toda diretoria do clube e logicamente os atletas, que no fim das contas são eles que estão em campo. Então só tenho a agradecer a competente direção e comissão e vamos ver se conseguimos surpreender mais uma vez conseguindo o resultado positivo.

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