Hoje titular no Monaco, Jean Lucas revive período no Lyon: 'Me sentia constrangido, triste'
João Brandão
Hoje titular no Monaco, Jean Lucas revive período no Lyon: 'Me sentia constrangido, triste'


Jean Lucas, ex-Flamengo e atualmente titular no Monaco , reviveu o momento em que chegou na Europa para defender as cores do Lyon, as dificuldades enfrentadas desde 2019, mas a volta por cima sob comando de Niko Kovac. Em entrevista ao LANCE! , o jovem de 23 anos também afirmou que sonha com Seleção Brasileira e com a camisa de Lionel Messi.

INÍCIO BEM COMPLICADO
Em 2019, Jean Lucas deixou o Santos para viver o sonho de atuar no Velho Continente e recebeu a chance de jogar no Lyon, até então comandado por Sylvinho e com Juninho Pernambucano como diretor esportivo. No entanto, o trabalho do atual comandante do Corinthians não durou muito e a vida do atleta com Rudi Garcia não foi nada fácil.

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- Eu fiquei um pouco chateado, pois estava treinando bem, todos viam que estava dando o meu melhor e não era recompensado. Eu só jogava (como titular) nas Copas, mas fazia gol, era eleito melhor em campo e quando chegava na Ligue 1, não jogava. Isso me deixava constrangido, triste e era consolado pelos meus pais.

O meia relembrou que conversou com Juninho sobre a sua situação e até ganhou conselhos do ídolo do clube francês sobre os aspectos do jogo que poderia melhorar para tentar convencer o treinador a ter mais minutos em campo.

- O Juninho sempre gostou de mim. Nós chegamos juntos e ele sempre me ajudou dentro de campo, pois atuava no mesmo setor, embora um pouco mais na frente. Eu estava chegando do futebol brasileiro e ele me dava alguns toques para jogar mais rápido. E eu questionava, porque queria atuar.

VIDA NOVA NO MONACO
Em sua primeira temporada com o Monaco, que terminou o último Campeonato Francês na 3ª colocação, o camisa 11 tem a confiança de Niko Kovac, técnico da equipe monegasca. O meia é titular na maioria das partidas, mas admitiu que encontrou dificuldades na chegada ao novo clube e aos conceitos do novo comandante.

- O Kovac sempre fala o que tenho que fazer, o que tenho que melhorar. Teve um período em que fiquei sem atuar por alguns jogos e estava faltando alguma coisa. Eu não estava entendendo o sistema de jogo. Tive que me adaptar, mas junto com os analistas do Monaco consegui me encaixar para pressionar na marcação e me posicionar melhor.

O croata é um dos responsáveis pelo grande momento vivido por Jean Lucas tanto na Ligue 1 quanto na Liga Europa. O jogador credita ao treinador grande parte da confiança que possui hoje em dia e faz um paralelo com o período em que esteve no Lyon.

- Ele é um técnico muito bom e uma pessoa que conversa com todos os jogadores. Isso é muito bom, pois se você não está fazendo algo que o treinador está pedindo, ele tem que te chamar para conversar e dar uma direção. Era isso o que faltava no Lyon. Quando o comandante te passa confiança, você fica leve e seguro em campo.

Além do fator Kovac, o jovem também está inserido em um elenco recheado de peças de qualidade, como Fàbregas, Ben Yedder e Tchouaméni. O elenco e as disputas por posições em busca de um espaço no 11 titular também são fatores chaves para o crescimento do brasileiro.

- É um grupo excepcional. Lembro que quando joguei contra eles na última temporada pelo Brest, tive que correr muito. Quando tem pessoas de qualidade no trabalho, você busca visualizá-las e tirar um pouco delas. O Tchouaméni é da seleção francesa, dois anos mais novo do que eu, mas é experiente, se comunica e todos confiam uns nos outros.

DUELO COM PSG E CAMISA DE MESSI
Neste domingo, o Monaco encara o Paris Saint-Germain e Jean Lucas tem a oportunidade de atuar contra a equipe mais forte da França. Apesar da dificuldade da 18ª rodada, o ex-atleta de Flamengo e Santos se diz tranquilo mesmo sabendo que irá enfrentar Messi e Mbappé, embora Neymar esteja machucado.

- Sabemos que será complicado, na casa deles, mas não é impossível. Vamos fazer o nosso jogo. Hoje em dia não existe esse negócio da equipe que é forte massacrar uma outra mais fraca. Tudo está nivelado e vamos correr para vencer.

O jovem também afirmou que irá tentar buscar uma camisa de Lionel Messi ao fim da partida, mas já imagina que enfrentará concorrência pela camisa 30 do craque argentino.

- Vou tentar (pegar a camisa de Messi). Muita gente vai pedir, mas vou dizer que irei colocar em um quadro. Pedir não custa, o “não” eu já tenho.

CONFIRA OUTROS TRECHOS DA ENTREVISTA:
Seleção Brasileira:
Meu sonho é poder jogar uma Copa do Mundo e defender o meu país, mas tenho que estar bem no meu clube. O Tite é um excelente treinador, mas independentemente dele seguir ou não no Brasil, eu quero mostrar meu trabalho.

Jogo sem bola: Quando cheguei, sofri. Não sabia muito jogar sem a bola e ficava meio perdido. Quando fui para o Brest, comecei a assistir vídeos em cima disso e melhorei. No Monaco, eu já cheguei melhor. No Brasil, nenhuma equipe sabe jogar muito bem sem a bola e você vê que ficam muitos espaços no campo.

Língua: Agora eu falo francês e é muito importante para você se comunicar dentro de campo e sair na rua sem depender de ninguém. No início, eu ficava com vergonha, pois não conseguia conversar com outros jogadores. Eles falavam e parecia muito difícil. Após uns oito meses, comecei a prestar atenção nas pessoas conversando e pedi para que me levassem em um restaurante para interagir e aprender. Nunca fiz aula ou curso e aprendi por conta própria. Tinha vergonha de errar e ser zoado, mas hoje consigo conversar.

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