Torcedora emociona com homenagem ao pai e passa às filhas amor pelo Atlético-MG: 'É um elo muito forte'
Luiza Sá
Torcedora emociona com homenagem ao pai e passa às filhas amor pelo Atlético-MG: 'É um elo muito forte'


"Meu pai me ensinou a torcer, a amar o Galo incondicionalmente". Essa é a história de Anne Menezes, mas poderia ser a de milhares de pessoas que se emocionaram nos últimos dias com uma imagem em que ela homenageia o pai, Edson Menezes, que morreu há 19 anos, no jogo do título do Atlético-MG no Mineirão. Quando o clube mineiro levantou a taça do Campeonato Brasileiro novamente depois de 50 anos, Anne se entregou às lágrimas ao lembrar da paixão, que é uma herança familiar. Na internet, a foto de Daniel Teobaldo ganhou grandes proporções.

- Como não tinha muitas fotos com papai e nem dava tempo de revelar, fiz o cartaz um dia antes com as minhas filhas. Cada uma fez um, mas por motivos óbvios não conseguia empunhar os três. Eu e minha família somos apaixonados pelo Galo, ser Galo pra nós é igual sobrenome mesmo. Porém, comigo e com meu pai, é um elo muito forte. Ele faleceu há quase 20 anos e a maioria das nossas lembranças são futebol. Na quinta-feira, quando fomos declarados campeões, eu não acreditei. Fiquei "mentira, não ganhou" - contou, em contato com o LANCE!.

Por conta dos altos valores dos ingressos, Anne teve dificuldades de ir ao jogo e só confirmou a presença no próprio domingo para se tornar uma das imagens mais marcantes desse título do Galo. Antes da partida, o clube propôs que os torcedores levem fotos de atleticanos que se foram antes de ver o time ser campeão brasileiro novamente, mas que seguem fazendo parte da torcida.

- Eu precisava ir de qualquer jeito. Minhas amigas falaram que eu tinha que estar presente, se movimentaram e eu fui. Quando o jogo acabou eu lembrei de tudo que o papai falou, de tudo que me ensinou, a "atleticanidade", de saber de futebol. Levantei o cartaz, estava todo mundo esperando a taça, e eu lembrei dele. A Libertadores em 2013 foi importante, a Copa do Brasil 2014 também, mas o Brasileiro para o atleticano tem um motivo maior, especialmente para os antigos. Meu pai estava presente em 1971, 1977, 1981, 1988. Perdemos o Brasileiro por intervenções externas, ele jogava futebol e para ele era importante ganhar no campo. Lembrei de tudo que ele falava, de ser contra tudo e contra todos, que atleticano torce contra o vento - lembrou.

LEGADO

Mais de 60 mil pessoas lotaram o Mineirão para a entrega da taça do Brasileirão, na vitória por 4 a 3 sobre o Red Bull Bragantino . Mas não eram só elas que estavam ali. Pais, mães, amigos, avós, parentes, milhares de pessoas que partiram antes de o Atlético-MG, enfim, levantar o troféu tão engasgado também foram homenageadas. Anne Menezes ainda volta a se emocionar ao falar sobre o pai, responsável por passar não só o amor pelo Atlético como também o conhecimento sobre futebol.

- Meu pai me ensinou a torcer, a amar o Galo incondicionalmente. Depois de cada derrota eu chorava muito e ele me falava "você torce para algo muito maior do que só uma vitória, torce para o Galo". Ele enxugava minhas lágrimas, levantava meu rosto e respirava fundo junto comigo. Fiquei muito brava porque o juiz aparentemente não tinha deixado ser gol do Galo. Eu tinha 10 anos. Quando ganhamos a Copa Conmebol de 1997 fiz meu pai comprar todos os jornais possíveis e impossíveis. Ele disse "não se acostuma, torcer para o Galo nem sempre é bom". Ficou calado, parou, riu de canto de boca e completou "mas sempre é bom".

O pai, como ela diz, era "boleiro nato", canhoto, mas não virou jogador por conta de uma lesão. Hoje, Anne lembra com carinho de crescer no Mineirão ao lado de Edson e tenta passar para as filhas Ana Victória, de sete anos, que se chama Victoria em homenagem ao goleiro Victor, e Aurora, de cinco, o amor pelo clube. Elas não costumam ir aos jogos por conta dos valores, mas a mãe mantem "na raça" o elo com o time. Para o jogo da entrega da taça contra o Red Bull Bragantino, por exemplo, o preço ia de R$ 119 a R$ 500.

- Ele me ensinou a importância da tática, falava que só andam se forem juntos. Nossos fins de semana eram Galo. No meu Mineirão nostálgico tem arquibancada de cimento, tropeiro na marmita de alumínio, onde criança não pagava, foi onde foi feita a minha infância. Quando o Galo jogava fora, a gente sempre escutava o jogo de dentro do carro e ele me explicava paciente, lance a lance, como se fosse uma missão me fazer entender de futebol. Não escutar, não ser apaixonada, mas entender. Queria que ele me explicasse hoje a força do Hulk, a importância do Diego Costa, o talento do Nacho, a segurança do Everson. Queria que ele me explicasse o Arana ou o Keno na visão daquele boleiro apaixonado. Mas não tem mais ele.

Atlético-MG x Red Bull Bragantino - torcida Atlético

Torcida lotou o Mineirão no jogo do título (Foto: Divulgação / Atlético-MG)

- Domingo tinha eu e o legado dele presentes em campo. Domingo e todos os dias da minha vida eu torci e vou torcer por nós dois. As netas dele aprendem todos os dias sobre futebol e pedem para estar no estádio. Aquela taça que eu vi passar na minha frente tinha a força dele, de toda massa atleticana, a força de quem ele foi, de quem se foi e de quem ficou. Ele ia amar ser campeão, tanto quanto amaria ser avô - concluiu, relembrando os dizeres do cartaz.

Agora o Atlético-MG pode fazer com que Anne e todos os torcedores comemorem mais uma vez um bicampeonato. Neste domingo, às 17h30, o Galo inicia a decisão da Copa do Brasil contra o Athletico Paranaense, no Mineirão. A volta é no dia 15, quarta-feira, às 21h30, na Arena da Baixada.

- Vencer o brasileiro foi mais que ganhar um campeonato, foi uma reparação histórica. Sobre a Copa do Brasil, como toda boa atleticana, eu torço contra o vento, e não acredito em nada ganho. Que venham as finais - finalizou.

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