'Hincha de otro cuadro': rivalidade entre Nacional e Peñarol é nítida a cada passo em Montevidéu
Alexandre Guariglia e Lazlo Dalfovo
'Hincha de otro cuadro': rivalidade entre Nacional e Peñarol é nítida a cada passo em Montevidéu



A cidade de Montevidéu tem vivido semanas de decisão com as finais continentais da Conmebol , no entanto isso somente é mais um ingrediente para um lugar que respira futebol e, acima de tudo, a rivalidade entre os dois maiores clubes do país: Nacional e Peñarol, que é nítida a cada passo dado na capital uruguaia. Um misto de orgulho, aversão e paixão ao limite.

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Como no Brasil, basta iniciar um papo sobre futebol para ganhar a simpatia local, mas no Uruguai isso ganha um capítulo à parte quando se entra na questão "para que você torce". A resposta é quase sempre como se a pergunta fosse retórica, ou seja, "claro que é Nacional", ou "claro que é Peñarol". E não é por mal, o orgulho é tamanho que seria como se fosse uma coisa óbvia.

Vai para os arredores do Gran Parque Central, estádio do Nacional? Passará em frente ao melhor lugar do mundo. Passará pelo Campeón del Siglo, casa do Peñarol? Estará diante do templo mais importante do planeta. E isso tudo não é dito por brincadeira ou por exagero, o sentimento é esse mesmo: "o meu time é o maior, eu tenho muito orgulho disso e todos precisam saber desse amor".

Mas quando se trata de falar do rival, esse amor, esse coração apaixonado, dá lugar a um sentimento de aversão, que provoca a animosidade. A reportagem do LANCE! conversou com inúmeros torcedores de ambos os clubes e quase todos tinham o mesmo comportamento: não citavam o nome de Nacional ou Peñarol, apenas diziam "otro cuadro" ou "hincha de otro cuadro", como se fosse um pecado mortal somente pronunciar o nome da equipe rival.

A reportagem ouviu relatos de motoristas de aplicativo que se recusam a estar próximos do estádio do rival. "Nunca entrei e não quero chegar perto", disse um torcedor do Nacional sobre o Campeón de Siglo, casa do Peñarol, onde o Flamengo irá treinar para a final. O risco é alto, ao pedir um carro por aplicativo e precisar ir a um dos estádios, torça para o motorista ser torcedor do clube que é seu destino, caso contrário ficará esperando por longo tempo.

Caso não seja possível trocar essas conversas nas ruas de Montevidéu, basta apenas observar as pichações que estampam as paredes de vários pontos da cidade. A rivalidade futebolística talvez seja até um tema mais frequente nos muros do que as questões políticas, que também têm um grande apelo.

É possível notar provocações de ambas as partes, que parecem estar ali naquelas paredes há décadas, como os inúmeros postes pintados com cores azul, branca e vermelha, que remetem ao Nacional. Como se fossem um "caminho", elas levam ao Gran Parque Central. O "Campeón del Siglo", do Peñarol, fica mais afastado do centro da cidade, o que acaba dando espaço para o rival demarcar seu território nas áreas de maior circulação de pessoas.

Como dito mais acima, estar em Montevidéu é viver o futebol, mas acima de tudo é viver a rivalidade entre duas equipes enormes no país, com "hinchadas" apaixonadas e orgulhosas dos clubes que defendem para turistas. Palmeiras e Flamengo podem até fazer a maior final de Libertadores da história, mas na capital uruguaia, tenha certeza, Nacional e Peñarol seguirão sendo os maiores.

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