Na 9ª final seguida, Unilever e Sollys falam que segredo é persistência

Por Aretha Martins - iG São Paulo |

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Equipes disputam o título nacional neste domingo, em São Paulo, e dão recado para quem quer chegar à decisão

Divulgação
Sollys/Nestlé e Unilever se enfrentaram duas vezes na temporada, com uma vitória para cada lado

A final da Superliga feminina 2012/2013 será neste domingo, às 10h (horário de Brasília), no ginásio do Ibirapuera com dois adversários bem conhecidos. Sollys/Nestlé e Unilever disputarão o título pela nona vez consecutiva. E qual o segredo para se manter sempre na final? Para jogadores e técnico das duas equipes, a palavra é persistência. 

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"São os dois times que investiram mais, por mais tempo", resume Fofão, levantadora da equipe carioca. "Muito se fala: 'Ah, essa final de novo'. Mas durante esse tempo, grandes patrocinadores vieram, grandes equipes foram formadas e, talvez pelo imediatismo de querer já ser campeão, essas equipes não ficaram muito tempo. No nosso caso, as duas equipes já sairam derrotadas das finais, mas isso não mudou a filosofia do projeto", completa Luizomar de Moura, técnico do Sollys/Nestlé. 

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Apesar do discurso, o treinador já passou por momentos de incerteza. Ao final da temporada 2008/2009, o Finasa deixou de patrocinar a equipe de Osasco. Naquele ano, o time perdeu a quarta final consecutiva para a equipe do Rio de Janeiro, que se chamava Rexona-Ades na época. Pouco depois, o Sollys passou a patrocinar a equipe e, mesmo com a mudança, o elenco foi praticamente mantido. E a equipe recuperou o título na temporada 2009/2010. 

"Foram dois patrocinadores e duas comissões técnicas. Mas o segredo foi a persistência. E temos exemplos nos últimos anos de que o imediatismo não dá certo. A Blausiegel montou uma grande estrutura em São Caetano, ficou dois anos e foi embora no terceiro. O Vôlei Futuro veio com todo o investimento e também já saiu. Então vamos falar que perseverança é uma palavra que tem muito a ver com essa longevidade de Sollys e Unilever na final", analisa Luizomar. 

Alexandre Arruda/CBV
Fofão treina com a equipe do Unilever no Ibirapuera para a final da Superliga

Fofão passou por uma das mudanças citadas pelo treinador. Ela foi contratada pelo São Caetano /Blausiegel e deixou o vôlei nacional com a saída do patrocinador. "É muito ruim para jogadora. Eu também já fui campeã e o time acabou depois. É ruim porque você não tem segurança para trabalhar, fica todo final de temporada na incerteza", lembra a levantadora. 

Blog Mundo do Vôlei: É justo ter Sollys/Nestlé x Unilever na decisão

Com três títulos brasileiros no currículo e no vôlei desde os 14 anos, Fofão, a mais experiente desta final com 43 anos, dá uma sugestão. "Não dá para montar um time e, logo de cara, ter cobrança por final ou por título. Teria que ter um contrato para ficar, pelo menos, uns quatro anos. Isso daria segurança para todo mundo. Tem que dar tempo para a jogadora trabalhar, se desenvolver. É preciso acreditar no projeto e investir nele. Mas tem gente que chega, só por curiosidade, não gosta e vai embora". 

Adenízia, central do Sollys/Nestlé e que jogou todas as oitro finais até aqui pela equipe paulista, faz um apelo. "O patrocinador não pode desistir. Eles se cansam porque a equipe não chega à final no primeiro ano, mas se ele insistir, se comprometer e souber que aquilo é um trabalho a longo prazo, tenho certeza que vai ver a sua equipe na decisão também". 

Trabalho dentro e fora da quadra

Flickr/Sollys/Nestlé
Adenízia, central do Sollys/Nestlé, atenta ao bloqueio no treino do time paulista

A jogadora do time de Osasco ainda cita a importância do trabalho longe da bola. "As equipes que estão surgindo agora tem que ter um certo respeito com essa final. Somos equipes que estamos buscando o espaço há 20 anos, formando atletas. Não dá para você estar no mercado há dois anos e já querer uma final. Decisão é uma coisa diferente. As atletas tem que estar preparadas e a nossa equipe é preparada desde musculação até a quadra para jogar a final", fala a jogadora. 

Thaísa, que já jogou pelo lado do Rio e se transferiu na temporada 2008/2009 para Osasco, concorda com a companheira . "Acho que é fruto de trabalho da comissão técnica. Na parte física, a gente está dando o sangue e treinando muito forte. Todo mundo fala: 'nossa, como você está mais magrinha e sequinha'. Por isso acho que estamos na final não só pelas grandes jogadoras, mas também pelo trabalho em volta, da fisioterapia, do técnico", completa uma das bicampeãs olímpicas do elenco do Sollys/Nestlé. 

Osasco e Rio duelam neste domingo. Por enquanto, foram cinco títulos para a Unilever e três para as paulistas. 

Leia tudo sobre: superliga 2012/2013

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