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ONGs criticam Romário por analogia entre Marin e a AIDS

Nota do deputado sobre queda de Ricardo Teixeira "reforça preconceito", diz presidente de entidade que atua com portadores do HIV

Bruno Winckler, iG São Paulo |

Não caiu bem para entidades que lutam pelo fim do preconceito contra portadores do vírus HIV a comparação feita pelo deputado Romário entre a AIDS  e José Maria Marin, sucessor de Ricardo Teixeira na CBF. No documento , depois de dizer que o “câncer” Teixeira foi exterminado, o deputado disse que, se Marin seguir seus passos, a “AIDS também teria de ser exterminada”.

Futura Press
Romário fez associação entre Marin e a AIDS
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“Mesmo entendendo que a fala do deputado Romário parte da perspectiva do senso comum, sem nenhuma reflexão, mesmo superficial, sobre o impacto que estas podem ter nas pessoas afetadas pelo HIV, em se tratando de um parlamentar não pode, em hipótese alguma, passar em branco sem uma 'chamada' à responsabilidade”, disse em nota Roberto Pereira, coordenador geral da CEDUS-RJ (Centro de Educação Sexual do Rio de Janeiro) e membro da comissão de Aids no Ministério da Saúde.

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A RNP+ (Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV) também se manifestou por meio de Willian Amaral, presidente do núcleo carioca da entidade. Ele diz que a declaração de Romário reforça o preconceito contra a pessoa com AIDS e indaga se, pela convivência de Romário com a filha portadora de Down, ele não se sentiria do mesmo jeito se a comparação fosse feita com esta síndrome.

Veja a página de Sáude do iG e a seção exclusiva sobre a aids

“Ao associar uma situação negativa ou um desafeto a uma doença, seja a doença qual for, ele reforça o estigma e o preconceito que toda doença carrega. Bom caráter ou mau caráter qualquer pessoa pode ser, independente da sua patologia. Com certeza se ele se informasse um pouco mais sobre o câncer e a aids não estaria fazendo este tipo de associação, como sabemos que ele não tem a mesma opinião sobre a síndrome de Down”, disse Amaral.

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Pereira também comentou a proximidade de Romário com a Síndrome de Down para pedir mais cuidado do deputado com as declarações que possam afetar portadores de outras doenças.

Estatística: Dados de 2011 aponta que AIDS mata 33 pessoas por dia no Brasil

“É obvio que, mesmo sem uma intenção direta, falas como essa reforçam estigmas, ferem sentimentos, incentivam a discriminação e desestabilizam pessoas que, em maior ou menor grau, têm que lidar diariamente com os efeitos que o preconceito ainda provoca em suas vidas. Como Romário é pai de uma criança portadora de necessidades especiais, com absoluta certeza, se um comentário dessa natureza fosse feito trazendo em seu rastro algum tipo de referência à esta situação, a sua posição seria a mesma que milhares de pessoas HIV positivo devem estar tendo neste momento: Constrangimento, revolta e indignação”, disse Pereira.

Referência: Brasil é exemplo mundial no tratamento de pacientes com AIDS

“Que o Romário manifeste os mesmos esforços que investiu nas questões alusivas à CBF, brigando dentro do Congresso pela aprovação de leis que fomentem o ensino e pesquisa nessa área; que liberem mais recursos para a saúde e que beneficiem diretamente, não só as pessoas HIV positivo, mas aos portadores de tantas outras doenças crônicas que padecem pelo Brasil a fora, tendo que lidar, não só com suas doenças, mas também com o preconceito e a ignorância”, completou Pereira.

Dirceu Greco, diretor do Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) do Ministério da Saúde, foi procurado pela reportagem para comentar a nota de Romário, mas por meio da sua assessoria disse que preferia não opinar. Eduardo Barbosa, diretor adjunto do Programa Nacional de DST e Aids, também não se pronunciou. Os dois participaram nesta semana de um simpósio em Florianópolis sobre políticas públicas de prevenção a aids.

O iG procurou Romário para comentar a repercussão negativa da sua declaração entre os representantes de organizações de apoio aos portadores do vírus HIV. A assessoria do deputado informou que ele faria uma declaração em sua página no Facebook, o que ocorreu às 20h27 de terça-feira. Desculpas e explicações deram o tom à carta, cuja íntegra está abaixo: 

"Ontem (segunda-feira), em um comentário sobre a CBF, fiz alusão a aids e algumas pessoas se sentiram ofendidas. Quero esclarecer aqui que em nenhum momento quis e nem quero desrespeitar, constranger, descriminar e muito menos causar revolta nessas pessoas. Quem acompanha meu mandato sabe exatamente qual é a minha luta aqui na Câmara. Direta ou indiretamente, pessoas HIV+ também fazem parte da minha bandeira. Usei uma expressão que quem realmente me conhece e entende meu linguajar, sabe que eu quis me referir a uma possível cura na confederação. Aos que se sentiram desrespeitados peço desculpa, de coração. Em especial, a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV, Comissão de Aids do Ministério da Saúde e CEDUS do Rio de Janeiro. Com certeza isso não se repetirá. E com certeza, também, continuarei aqui lutando por vocês".

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