Após passar por maus momentos em 2011 ao ser descartado por Luxemburgo, pentacampeão fala ao iG sobre a retomada no Flamengo

A chegada de Kléberson ao Flamengo em 2007 foi problemática. Uma briga entre o jogador e o Besiktas, da Turquia, fez com que a Fifa o impedisse de jogar por quatro meses, fazendo com que só pudesse entrar em campo pelo clube carioca em 2008. Viveu bons momentos, conquistou dois Campeonatos Estaduais e um Brasileiro, e acabou convocado para a seleção brasileira que disputou a Copa do Mundo de 2010. A partir daí, tudo mudou. Quando retornou, o Flamengo não vivia boa fase, caminhava para o rebaixamento. A chegada de Vanderlei Luxemburgo, em outubro de 2010, fez com que perdesse ainda mais espaço. Em fevereiro de 2011, foi emprestado ao clube no qual se profissionalizou, o Atlético-PR.

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Kléberson comemora com Galhardo o gol que marcou no Fla-Flu de domingo
AE
Kléberson comemora com Galhardo o gol que marcou no Fla-Flu de domingo
Em Curitiba, oscilou em uma equipe irregular e não conseguiu convencer. Em outubro de 2011, sofreu uma lesão no ombro, que o tirou do restante do Brasileiro daquele ano. Voltou ao Flamengo, clube com o qual tem contrato até o fim de 2012, no início djaneiro, mas logo foi descartado por Vanderlei Luxemburgo, que sequer o levou para a pré-temporada em Londrina. Treinando separado, aguardou pacientemente uma chance, que surgiu com a chegada de Joel, que nunca escondeu o apreço por seu futebol.

A boa atuação e o gol no Fla-Flu deste domingo devolveram o sorriso ao pentacampeão que, em entrevista ao iG , afirmou: "Eu sempre quis voltar ao Flamengo, sempre quis jogar no Flamengo, sair nunca foi uma vontade minha", disse o meia, que revelou ainda a tática de motivação do treinador: "Penta, você é o penta, cara. Você pode entrar lá e resolver o jogo, não tem essa". Penta é o apelido de Kléberson desde que chegou ao Flamengo, por conta do título da Copa do Mundo de 2002.

Confira a entrevista de Kléberson, do Flamengo, ao iG:

iG: Depois de tanto tempo fora, de ter ficado fora dos planos do Luxemburgo, o que significa esse novo começo?
Kléberson: Bacana, estou muito feliz mesmo de poder voltar a usar a camisa do Flamengo. É uma vitória muito grande para mim depois de tudo o que passei. Estava há cinco meses sem jogar, então foi muito legal poder corresponder a confiança que o Joel tem em mim. É um momento de alegria, vou comemorar bastante com a minha família.

iG: Como foi esse período após a Copa de 2010 em que você perdeu espaço, acabou sendo emprestado e voltou sem saber se seria aproveitado?
Kléberson:
Foi bastante ruim, complicado mesmo de suportar. A gente nunca quer ficar fora, quer sempre ajudar, se sentir útil, jogar, mas infelizmente as coisas não caminharam muito bem, era uma pressão muito grande. Mas aprendi muito com isso também, ver o que tinha de fazer de diferente. Agora estou voltando com força total para ajudar a equipe.

Kléberson foi assediado por torcedores na saída do Engenhão
Vicente Seda/iG
Kléberson foi assediado por torcedores na saída do Engenhão
iG: O que você estabeleceu como meta nesse período em que ficou fora?
Kléberson:
Eu sempre quis voltar ao Flamengo, sempre quis jogar no Flamengo, sair nunca foi uma vontade minha. Na época, o Vanderlei Luxemburgo não queria que eu ficasse, respeitei a posição dele. Mas quando o Joel chegou, logo me deu a chance de continuar no grupo, de treinar com o elenco e ir me avaliando para ver se tinha condições de ficar mesmo. Acho bacana o que ele fez por mim. Sou muito grato pela oportunidade e vou procurar corresponder ajudando ao máximo dentro de campo.

iG: Como foi a conversa com o Joel antes e depois do Fla-Flu?
Kléberson:
Depois do jogo não conversei com ele, mas antes ele falou comigo. Foi bem no estilo Joel mesmo. Ele disse: "Penta, você é o penta cara. Você pode entrar lá e resolver o jogo, não tem essa". É muito bacana ter um treinador como ele, ajuda muito a gente.

iG: Depois de todos esses problemas, o que você sentiu quando marcou o gol?
Kléberson:
Foi uma loucura, explodi ali. Passou muita coisa na cabeça, saí correndo, gritando, é uma emoção que a gente sente no campo que é realmente difícil de descrever.

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iG: Como você analisa o seu desempenho nessa reestreia?
Kléberson:
Realmente foi uma volta muito boa, fico feliz que tenha acontecido, trabalhei por essa oportunidade e até hoje (domingo) antes do jogo não sabia que estaria jogando. Ele (Joel) confia em mim, sabe do meu potencial e graças a Deus tudo foi muito bem. Fazer um gol superou as expectativas. Foi uma recompensa muito boa.

iG: O que você projeta agora para este ano?
Kléberson:
É melhor ter os pés no chão, preciso de mais ritmo de jogo, estava parado. Vou me preparar da melhor forma possível para ajudar o Flamengo, sendo titular ou não.

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