Cidade do Superclássico tem calor, inundações e hotel-cassino de luxo

Resistencia, na província do Chaco, foi escolhida como sede do clássico entre Brasil e Argentina para agradar governador do Estado, que é aliado da presidente Cristina Kirchner

Francisco De Laurentiis - iG São Paulo |

Quando a Argentina anunciou Resistencia, a 940km de Buenos Aires, como sede do duelo de volta do Superclássico das Américas, muita gente estranhou. Afinal, a cidade de 275 mil habitantes não tem infraestrutura hoteleira e nem estádio que comporte um jogo da magnitude de Brasil x Argentina. Logo, tudo ficou claro: a partida foi um "presente" da presidente Cristina Kirchner e da AFA (Associação de Futebol Argentino) ao governador da província do Chaco (onde fica Resistencia), Jorge Capitanich, que é um dos maiores aliados de Cristina, homem-forte do partido Justicialista, e mandatário do Sarmiento, clube que vai ceder o Estádio Centenário para o Superclássico.

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Por não se tratar de uma localidade turística, e também pelo fato de estar localizada em uma das regiões mais pobres da Argentina , Resistencia é pouco conhecida dos torcedores brasileiros. Por isso, o iG apresenta a cidade que vai receber a seleção brasileira neste noite. Veja curiosidadades :

- Cidade de lutadores : A origem do nome de Resistencia vem do início da colonização espanhola na Argentina, no século XVII. Quando foi fundada a vila que originou a cidade, o local foi constantemente atacado por indígenas que habitavam a região. A resistência dos colonizadores contra os nativos acabou batizando o município, que acabou crescendo e virando uma das principais cidades do nordeste do país. Por curiosidade, Resistencia é cidade-irmã de São Vicente, no litoral paulista.

- Mucho calor : Resistencia é uma das cidades mais quentes da Argentina. No verão, as temperaturas variam de 30ºC a 38ºC durante o dia - o recorde registrado é de 42,3ºC - e 20ºC a 25ºC de noite. Além disso, o tempo costuma ficar abafado, graças aos altos índices de humidade da região, atravessada pelo rio Paraná. Para sorte dos jogadores brasileiros e argentinos, porém, as temperaturas da primavera costumam ser menores, e o Superclássico das Américas não deve ter muito calor.

Francisco De Laurentiis
Inundações são frequentes na província do Chaco

- Terra das inundações : A província do Chaco, onde fica Resistencia, tem diversas áreas inundáveis, já que é atravessada por muitos rios e conta com grandes lagoas. Durante a temporada de chuvas (de outubro a abril), é comum que cidades, estradas e pontes fiquem debaixo d'água, o que atrapalha muito o transporte na região.

- Agricultura forte : Apesar da província do Chaco ser uma das mais pobres da Argentina, com altos índices de desemprego e analfabetismo (5%, contra 2% da médida nacional), o Estado vem crescendo economicamente graças à força da agricultura. As produções de destaque são soja, algodão, milho, sorgo e cana-de-açúcar, mas arroz e tabaco também tem espaço. Com as inuncações, solos férteis não são problema. Como capital da província, Resistencia controla a distribuição dos produtos pelo país e também é o início do caminho para a exportação. 

- Hotel é oásis de luxo : Com uma rede hoteleira pequena, já que a cidade não é um polo de turismo, Resistencia tem bem menos opções que a cidade vizinha, Corrientes, conhecida pela pesca do surubí , nome dado pelos argentinos ao pintado, e pelas praias à beira do rio Paraná. Apesar disso, a capital do Chaco possui um hotel-cassino de luxo, onde a seleção brasileira ficará hospedada (junto com a argentina). Trata-se do cinco estrelas Amerian, que é um oásis de luxo em meio à simplicidade da cidade. O cassino do hotel também atrai moradores e visitantes de outras cidades da região.

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