Boca marca no último minuto e elimina o Flu na Libertadores
Time jogou bem no primeiro tempo e marcou com Carleto, mas deu espaço e sofreu gol de Santiago Silva
A vingança demorou quatro anos, mas veio com requintes de crueldade. Após dominar durante quase toda a partida, o Fluminense sofreu um gol aos 45 minutos do segundo tempo, empatou em 1 a 1 com o Boca Juniors e encerrou o sonho do inédito título da Copa Libertadores. Carleto marcou de falta, mas Santiago Silva foi o herói na classificação do time argentino, que havia sido eliminado pelo Fluminense na semifinais do torneio, em 2008.
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Bem na primeira etapa, o Fluminense criou várias chances de marcar. Na segunda etapa, principalmente nos minutos finais, passou a dar campo para o adversário, que tentava em escanteios e faltas laterais. Em uma falha defensiva, o time carioca colocou tudo por água a baixo. A torcida, porém, reconheceu o esforço e aplaudiu o 'time de Guerreiros' após o apito final.
O Boca Juniors enfrentará o vencedor de Libertad e Universidad de Chile, que decidem a vaga nesta quinta-feira, às 22h30 (horário de Brasília), no Nacional de Chile, em Santiago. A primeira partida terminou empatada em 1 a 1 e o time chileno pode empatar em 0 a 0 para se classificar. Pelo Campeonato Brasileiro, o Fluminense volta a jogar neste domingo, contra o Figueirense, às 18h30, no Engenhão.
O Jogo
Sem surpresas na escalação, e com a torcida ainda chegando ao estádio Engenhão, o Fluminense começou bem a partida. No tradicional esquema 4-3-3, que em alguns momentos se transforma em 4-2-3-1, o time carioca encurralou o Boca Juniors na defesa durante os primeiros cinco minutos.
A primeira jogada de perigo do time carioca aconteceu aos quatro minutos. Rafael Sobis deu linda finta pela direita, invadiu a área sozinho, mas demorou para cruzar, só conseguindo o escanteio. A movimentação entre os meias era constante. Wagner e Thiago Neves também se revezavam entre o meio e o lado esquerdo.
Aos poucos, o Boca Juniors conseguiu sair do sufoco, mas a firme marcação do Fluminense deixava poucos espaços ao time argentino, que tentava ligações diretas da defesa para o ataque, sempre na direção do atacante Santiago Silva, acompanhado de perto por Gum.
Aos 17 minutos da primeira etapa, porém, os esquemas táticos, o equilíbrio e as fortes marcações ficaram de lado. Thiago Neves sofreu falta na frente da área. Carleto soltou a bomba, a bola bateu na barreira e enganou o goleiro Orion, transformando em realidade um pressentimento paterno. Um dia antes, o jogador havia revelado que seu pai, Ivo Alves, havia sonhado com o gol decisivo.
O Boca sentiu o golpe. Poucos minutos depois, Rafael Sobis recebeu na meia esquerda com espaço e chutou, fazendo a bola passar perto do travessão. O time argentino parecia nervoso, fazia muitas faltas e não conseguia encaixar nenhum contra-ataque. Esperando o primeiro tempo acabar, o Boca Juniors começou a fazer catimba, demorando para cobrar as faltas. O goleiro Orion recebeu cartão amarelo pela 'cera'.
Thiago Neves, um dos melhores jogadores na primeira etapa, ainda teve boa chance aos 40 minutos. O meia recebeu na direita, cortou a marcação do zagueiro e bateu de chapa, mas Orion fez a defesa sem problemas. Dominando, o time carioca foi para o intervalo com a vantagem mínima no placar, que levaria a partida para a disputa de pênaltis.
As duas equipes voltaram sem alterações para o segundo tempo, mas o Boca Juniors fez, em cinco minutos, mais do que tinha feito em quase toda a primeira etapa. Com jogadas pela esquerda do seu ataque, o time argentino deixou a torcida do Fluminense silenciosa.
Com o passar do tempo, o time da casa foi recuperando a posse de bola e o domínio da partida. Aos 15 minutos, Thiago Neves fez bela jogada pela esquerda e cruzou para a área. Rafael Sobis entrou completamente livre, mas não conseguiu completar para as redes.
Cansados os dois times passaram a trabalhar menos a bola, fazendo a ligação direta da defesa para o ataque. Tentando dar mais velocidade ao ataque, o técnico Falcioni trocou o atacante Cvitanich por Pablo Mouche. Do outro lado, Abel Braga também mudou, tirando o meia Wagner para a entrada de Wellington Nem. Com isso, Thiago Neves passou a atuar mais recuado, no meio-campo.
Aos 35, Rafael Moura teve a oportunidade de definir a partida. Após confusão na área, a bola caiu nos pés do centroavante, que dominou, cortou o goleiro Orion, mas demorou para concluir, fazendo a bola bater na zaga do Boca Juniors ir fraca para fora.
Nos minutos finais, o Boca Juniors ensaiou uma pressão. Nem mesmo a entrada de Marcos Junior ajudou o Fluminense, que passou a dar campo ao time argentino. O castigo feio forte. Aos 45 minutos, em contra-ataque, Sánchez invadiu a área pela direita, chutou, a bola bateu na trave, foi afastada parcialmente por Cavalieri, mas Santiago Silva completou.
FICHA TÉCNICA - FLUMINENSE-BRA 1 X 1 BOCA JUNIORS-ARG
Local: Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 23 de maio de 2012 (Quarta-feira)
Horário: 19h30 (de Brasília)
Público: 36.276 (presentes)
Renda: R$ 1.628.740,00
Árbitro: Enrique Osses (Chile)
Assistentes: Francisco Mondría (Chile) e Carlos Astroza (Chile)
Cartões amarelos: Jean (FLU); Orion, Mouche (BOC)
GOLS
Fluminense - Carleto, aos 17 minutos do primeiro tempo
Boca Juniors - Santiago Silva, aos 45 minutos do segundo tempo
FLUMINENSE: Diego Cavalieri; Bruno, Gum, Anderson e Carleto; Edinho, Jean e Wagner (Wellington Nem); Thiago Neves, Rafael Sobis (Marcos Junior) e Rafael Moura
Técnico: Abel Braga
BOCA JUNIORS: Orion; Roncaglia, Schiavi, Insaurralde e Clemente Rodríguez; Diego Rivero, Cristian Erbes (Sánchez Miño), Erviti (Caruzzo) e Riquelme; Cvitanich (Mouche) e Santiago Silva
Técnico: Julio César Falcioni