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Bronze em Sydney/2000, ponteira de 35 anos não recebe propostas de equipes da Superliga devido à alta pontuação

Na mesma semana em que o caso de Elisângela teve um final feliz, um outro caso de fechamento do mercado de trabalho no vôlei é revelado. Outra veterana, a ponteira Érika Coimbra, divulgou, por meio de sua assessoria e por seu perfil no Instagram, que está desempregada por causa desse mecanismo.

O ranqueamento foi criado antes do início da temporada 92/93, justamente para equalizar o poderio de superequipes. Na época, quem dava as cartas era o Leite Moça/Nestlé. No caso do feminino, as 129 melhores jogadoras do país, segundo avaliação técnica da CBV, recebem pontuação que varia de 1 a 7 pontos, dependendo de currículo e conquistas. A partir dos 36 anos de idade, as atletas perdem um ponto a cada ano. Cada time pode ter em seu elenco jogadoras cujos pontos, somados, não ultrapassem os 43 pontos.

Ponteira publicou no Instagram informações sobre sua situação, para os fãs
Reprodução/Instagram
Ponteira publicou no Instagram informações sobre sua situação, para os fãs



Mesmo com esse instituto, o tão almejado equilíbrio não foi alcançado. Desde a temporada 2004/05, a final foi sempre entre o Rexona (ou alguma outra denominação colocada pelo grupo Unilever) e Osasco, também com diferentes nomes de patrocinadores ao longo do tempo. A única exceção foi na temporada 2013/14, quando o Sesi conseguiu ir para a final com a Unilever.

Aos 35 anos de idade, Érika já está distante do seu ápice técnico, atingido na época em que era titular da seleção brasileira que conquistou o bronze na Olimpíada de Sydney e o ouro no Pan de Winnipeg-99, com direito a vitória sobre a poderosa equipe de Cuba. Mesmo assim, a ponteira ainda carrega incômodos três pontos.

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Érika não recebeu proposta de renovação da equipe que defendeu na última temporada, Brasília. "Em agosto, conversei com uma equipe que tinha interesse em me fazer uma proposta, mas desde que eu conseguisse zerar minha pontuação. Eu não consegui. As equipes menores não aparecem, talvez por acharem que sou uma jogadora cara, o que não é verdade. Quero apenas jogar por mais uns dois anos antes de parar. Não jogo para ganhar muito dinheiro, apenas para fazer o que gosto, por um salário justo, e poder parar na hora certa".

A medalhista olímpica diz que não está interessada em jogar no exterior. Em 2013, ela foi campeã polonesa pelo Atom Sopot. "Tenho meus projetos pessoais, meus amigos, e quero jogar aqui, falar português. Mas se não der para jogar a Superliga, vou tentar atuar os últimos três ou quatro meses da temporada em alguma equipe da Europa ou da Ásia".
Para manter a forma, Érika esteve treinando nos últimos meses em Osasco e no Minas Tênis Clube. "Estou pensando em ir para o Rio, para treinar na areia. Eu mantenho a forma treinando com um personal trainer".

Na última segunda-feira, Elisângela, também medalhista olímpica em Sydney, conseguiu acertar com uma equipe mais modesta, o São Bernardo, graças ao interesse do técnico William Carvalho. Devido ao ranking, ela não conseguira renovar o contrato com Osasco. Lili, como é conhecida, ganhou a solidariedade de atuais estrelas da seleção, como Sheilla e Thaisa, que publicaram nas redes sociais fotos com os braços cruzados e expressão de desagrado. Alguns jogadores, como Murilo Endres, Serginho e Bruninho, tentaram criar uma associação de atletas de vôlei nos moldes do Bom Senso, do futebol, mas a ideia ainda não ganhou corpo. Sem organização, ficam à mercê dos clubes e podem, no máximo, fazer biquinho em redes sociais. 

"Todo ano temos problemas com o ranking. Na última temporada, foi a Jaqueline que não arrumava clube, até conseguir acertar com o Minas. O ranking é muito prejudicial e não dá equilíbrio ao campeonato, que tem sempre a mesma final. Tenho humildade para reconhecer que não sou mais uma jogadora que vá decidir um campeonato, mas ainda posso completar uma equipe, ajudar com um bom fundo de quadra, com a minha experiência. Mas está muito difícil", lamenta Érika.

A CBV, que organiza a Superliga, já cogitou acabar com o ranking, segundo entrevista de Renato D'Ávila, ex-superintendente da entidade ao diário Lance!, em novembro do ano passado. Entretanto, uma proposta com esse teor deve ser aprovada pelos clubes. Em abril, haverá nova reunião, para avaliação da competição, e o tema pode vir à tona. Propostas de zeramento de pontos, como aquela que foi encaminhada por Érika, dependem de aprovação por unanimidade, o que não foi alcançado.  

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