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Jogadores voltam às duplas originais na abertura do Circuito Brasileiro, nesta sexta, depois de algumas trocas na seleção. E técnica avisa que todas as parceiras ainda vão mudar

Depois de jogar com Lili, Barbara (à direita) defende título brasileiro ao lado de Ágatha
Divulgação/CBV
Depois de jogar com Lili, Barbara (à direita) defende título brasileiro ao lado de Ágatha

O vôlei de praia volta esta semana à sua velha e conhecida rotina, com jogador atuando ao lado de quem escolheu, duplas treinando em suas cidades e com técnicos particulares para a abertura do Circuito Banco do Brasil 2013/2014. Isto menos de uma semana depois do Grand Slam de Moscou, no qual os atletas representavam a seleção brasileira e, com isso, jogaram com as duplas escolhidas pelos técnicos dos conjuntos nacionais.

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Mudanças nas formações das duplas e a seleção brasileira, em vigor desde dezembro de 2012, ainda provocam surpresas aos jogadores. Oito meses depois da implementação do sistema pela CBV (Confederação Brasileira de vôlei), atletas confiam no sucesso da criação de um time nacional, mas também tentam entender toda a lógica na formação das equipes.

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“Sabemos que tudo é para a melhora do esporte. E um ponto positivo é toda a estrutura que temos em Saquarema. Não nos preocupamos com nada, só em treinar”, diz Bárbara.

“Quando a gente começou, sabia que poderia ter mudanças. Na verdade, é muito novo ainda. Está todo mundo na expectativa de entender bem o que está acontecendo”, completa a jogadora. Na seleção ela é parceira de Lili e agora, no Circuito Brasileiro, reencontra Ágatha na parceria que é a atual campeã nacional.

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Opinião dividida

É uma novidade ter duplas formadas por uma comissão técnica da seleção e o cenário divide opiniões. Emanuel, que atuou em Moscou com Evandro enquanto viu Alison jogar com Vitor, aprovou a alteração.

“No meu caso com o Alison, a gente não tinha mais chance no Mundial. Assim eu acho válido. Mas quando a dupla ainda está disputando título importante, tem que ser cuidadoso com qualquer mudança. Na nossa situação foi bom para o Evandro e para o Vitor terem uma noção de como é jogar com atletas mais experientes”, analisa o veterano.

Entretanto, as alterações e a incerteza sobre a parceira foram pontos citados por Juliana em uma coletiva assim que pouco depois de se apresentar à seleção. Ela fez duras críticas ao sistema. Pouco depois, foi desligada da equipe.

Letícia Pessoa á a técnica da seleção masculina de vôlei de praia
Divulgação/CBV
Letícia Pessoa á a técnica da seleção masculina de vôlei de praia

“Não sei nem se é um ponto negativo, mas tem o fato de a gente não saber com quem vai jogar. Esse é um pouco preocupante porque o vôlei de praia é um esporte coletivo e o entrosamento é muito importante para fazer a dupla crescer”, comenta Bárbara. Ela teve duas semanas de treinos com Lili antes de partir para o Circuito Mundial.

Já Letícia Pessoa, técnica da seleção masculina na praia, defende que a seleção até ajuda no entrosamento. “Antigamente, quando mudava uma parceria, não sabia como o outro estava treinando, se estava bem. Agora a gente sabe que está todo mundo em forma, no mesmo momento e é mais fácil sentir como vai ser a química da coisa”, explica a treinadora. Todos os atletas convocados treinam nas mesmas quadras em Saquarema.

Ela ainda acredita que mudar os times fortalece os atletas e ajuda quem vai se reencontrar no Brasileiro. “Ter duplas diferentes nos torneios acho que até diminuiu o desgaste das parcerias. As duplas ficavam muito só elas. Acho que agora dá aquela saudadezinha gostosa”, avalia. “Além disso, contribui para o crescimento técnico. Para levantar para fulano é mais alto, para o outro é mais baixo e tem que se adaptar. E esse crescimento que eu quero ver para 2016. Quero um cara que saiba jogar em qualquer posição, que saiba bater qualquer bola. Jogar com duplas diferentes é positivo para esse crescimento”, justifica.

Resultado garante a dupla?

Segundo Emanuel, é o trabalho que vai indicar se uma dupla deve ou não ser mudada. E, por isso, não há o que temer. “Acredito que tudo é bom senso e, principalmente, resultado. Se eu e a minha dupla, o Alison, estivermos num ritmo bom, com qualidade e mostrando resultado, isso prova que somos uma dupla perfeita para estar juntos”, defende o medalhista olímpico. “Mas se tem uma dupla que não está tendo um resultado, é válido já fazer as mudanças. E os atletas têm que ter essa autocrítica e esse autoconhecimento para saber que as mudanças são sempre para buscar uma evolução”, comenta.

Por enquanto, a regra está valendo. Talita e Taiana são as líderes do ranking mundial e jogaram juntas toda a temporada. No masculino, a melhor dupla nacional é Pedro Solberg e Bruno Schmidt, que também ainda não se separou. 

Entretanto, nenhuma parceira está completamente ‘segura’. “Vou mexer em todas as duplas a partir do ano que vem”, garante Letícia. “Tenho que fazer experiências e o nosso objetivo com a seleção e ter as melhores formações em 2016”, resume.

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