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26/10 - 16:57

Ricardinho descarta seleção e diz que não reatar amizade é "veadagem"

Jogador disse que, agindo como pai e preservando a sua família, não defende mais as cores do Brasil

Gazeta Esportiva

De volta ao Brasil para defender o Vôlei Futuro, o levantador Ricardinho pôde reencontrar nesta terça-feira todos os seus ex-companheiros de seleção brasileira, incluindo Giba, que não via há mais de três anos. Durante o lançamento da edição 2010/2011 da Superliga masculina de vôlei, o jogador foi convidado para subir ao palco com os demais campeões mundiais, integrantes da campanha de 2002, 2006 e 2010.

Após o cerimonial, Ricardinho foi cercado pela imprensa e atendeu a todos com disposição. Elogiou o grupo que conquistou o tricampeonato mundial na Itália, se disse no melhor momento da carreira e, pela família, descartou qualquer possibilidade de voltar a vestir a camisa amarela. Só não quis responder quando questionado sobre a polêmica derrota do time nacional para a Bulgária, da qual o grupo do técnico Bernardinho saiu beneficiado com um caminho menos complicado e com menores deslocamentos até a final.

Esbanjando bom humor, o atleta ainda ressaltou que pretende retomar a amizade com todos aqueles que faziam parte da seleção em sua época - em 2007, Ricardinho foi cortado às vésperas dos Jogos Pan-americanos e, apesar de uma tentativa de aproximação antes da última Liga Mundial, jamais retornou ao time. Para ele, a briga com os outros membros da equipe está superada.

"Eu fico até chateado se tem algum deles que esteja passando pela cabeça alguma coisa do tipo, de se tem amizade, se não tem. Eu acho que é um pouco veadagem, para usar a palavra certa", comentou Ricardinho, provocando risos. Ali perto, Giba foi convidado por outros jornalistas para dar um abraço e tirar uma foto com o antigo amigo na frente das câmeras, mas o capitão da seleção brasileira recusou, alegando que prefere conversar com Ricardinho em particular.

Divulgação
Ricardinho recebe homenagem ao lado de campeões mundiais


Confira a entrevista de Ricardinho:

Como é está de volta à Superliga pela Vôlei Futuro?
Ricardinho: É muito bom fazer parte. É uma emoção muito grande, eu tinha visto esses rapazes, como Leandro, Lucão, garotos, eles eram os quartos jogadores que o Bernardinho estava começando a fazer o trabalho. E vê-los, eu que estava acompanhando o Mundial, vi essa mesma vontade de vencer que teve a outra geração. Você via muito essa determinação em cima dos problemas que eles tiveram lá, eles se superaram mais uma vez. Ficou bem claro que a escola que a gente fez, a outra geração, ensinou muito bem para eles, o pessoal mais velho que estava ali fez com que eles aprendessem tudo aquilo. E jogar com eles no clube é um privilégio, eu realmente nunca tinha jogado com atletas de 2,12m, 2,09m, só contra os russos. Para falar a verdade é muito bom, pois é muito mais fácil, não é? É só colocar a bola na antena que facilita bastante. Realmente é outro tipo de jogo que eu tenho que imprimir com eles, durante essa semana que passou já tentei fazer um pouquinho que esses "pirulões" aí entendam que a bola sempre tem que ser rápida, independente da altura deles.

Como foi o primeiro jogo com o Leandro Vissotto, o Lucão e o Mario Jr. (vitória por 3 sets a 0 sobre o Santo André, no dia 16, em partida válida pelo Campeonato Paulista)?
Ricardinho: Foi muito legal. Treinamos só meia hora e, como eu disse: é muito fácil. Os caras têm os braços e pernas compridas, então é mirar a ponta da antena, que foi o que eu fiz e deu tudo certo. Parecia que a gente já vinha treinando há quase um mês. É óbvio que ainda tem coisa para ajustar, mas é gostoso. Eu sei como é chegar depois de um Campeonato Mundial e o espírito é de vencedor, você sente isso no olhar do cara. Infelizmente para Santo André, porque os três vieram com este mesmo espírito. Óbvio que daqui a pouco eles vão ter uma queda, daqui um mês, mas é supernatural. Eles estão tentando se adaptar ao Vôlei Futuro o mais rápido possível.

Como foi o encontro com todo esse pessoal hoje?
Ricardinho: Foi bacana. Estava procurando saber o que aconteceu agora, ainda mais depois do Mundial, onde ficou bem claro qual é a equipe do Brasil, quem é a equipe, o que o Bernardinho quer e quem são os jogadores da seleção brasileira. Ficou nítido para o Brasil todo e para o mundo inteiro quem é a nova geração, então não tem mais que ficar nesse dilema de Ricardinho, de André Nascimento ou de não sei mais quem voltar ou não voltar.

Como vai ser o reencontro com o Giba no sábado (Vôlei Futuro e Pinheiros fazem uma das semifinais do Campeonato Paulista - até agora, Giba não entrou em quadra porque estava com a seleção)?
Ricardinho: Acho que vai ser legal depois de tanto tempo. Quando a gente se falava direto tinha sempre a rivalidade de um querer ganhar do outro e tenho certeza que vai ser igual. São dois campeões, duas pessoas que sabem lidar com esta situação, esta adrenalina e quem conhece Araçatuba sabe que a pressão em cima deles não vai ser pequena, já escutei pela cidade inteira sobre a semifinal. Gostei também de eles terem escolhido o primeiro jogo na nossa casa, pois não vamos precisar viajar de cara. Quero ver essa garotada de Araçatuba sob pressão, pois tem muita gente ali que está crescendo, aprendendo e gostando do saborzinho de vencer.

A amizade entre vocês está reatada?
Ricardinho: Amizade sempre tem. É difícil você terminar, acabou. Até com esposa você separa, quebra o pau e depois continua... eu conheço os caras faz dez anos. É óbvio que neste primeiro encontro fica todo mundo meio assim, mas agora com todos com trinta e poucos anos, com família.... eu acho tão pequeno de pensar assim que eu fico até chateado se tem algum deles que esteja passando pela cabeça alguma coisa do tipo, de se tem amizade, ou se não tem. Eu acho que é um pouco veadagem, para usar a palavra certa. Não tem nada, a gente vai se falar com o tempo e vamos ver o que vai rolar.

Você acompanhou o Campeonato Mundial?
Ricardinho: Não acompanhei todos os jogos. O jogo da Alemanha, por exemplo, eu não vi porque pifou a Sky lá de casa e uns outros jogos que eu só via na hora do almoço quando ia comer em algum lugar. Eu olho com outros olhos, enquanto vocês (jornalistas) enxergam de um jeito para ver o que está acontecendo nos bastidores, eu enxergo tentando armar uma tática, uma jogada. Tipo quem é que está no bloqueio do outro time quando o cara vai sacar, dessa forma.

Você assiste "jogando" então?
Ricardinho: Não jogando porque jogando você fica com muita raiva, fica gritando, que é o jeito que eu jogo. Ali, você está na sua casa, tranquilo e consegue pensar com mais lentidão do que no jogo. Mas foi legal e estava muito claro para mim que o Brasil seria campeão porque dava para ver o nível técnico deles. Independente de alguns erros, que fazem parte em um grupo que nunca tinha jogado um Mundial, como os contra a República Tcheca (vitória dramática por 3 a 2). Para mim, particularmente, estava bem clara essa vitória do Brasil.

O Bernardinho falou que você estava jogando um vôlei primoroso na Itália durante a última temporada. Você se sente no melhor momento da sua carreira?
Ricardinho: Graças a Deus, sim. Eu acho que estou na melhor fase da minha carreira, tanto do lado da tranquilidade como o profissional. Estou me dedicando mais à minha parte física porque acho que a parte com bola é mais fácil. Com 35 anos você tem que se preocupar um pouco com o lado físico para conseguir manter. Quero jogar até os 50 se puder, é o que está na minha cabeça. Quero continuar muito porque jogar vôlei é a coisa que eu mais amo fazer.

Estando em uma fase tão boa da sua carreira, você ainda sonha em voltar para a seleção?
Ricardinho: Não, não. Eu já não sonho mais com seleção. Meu sonho era realmente disputar esse Mundial na Itália, mas agora quero me dedicar só ao Vôlei Futuro. Decidi de uma vez por todas, pelo menos para acabar com essa história de Ricardinho, de volta, de não volta, de vem, de não vem. Aí fica bom para todo mundo: tanto para vocês (jornalistas), quanto para eles poderem trabalhar e principalmente para mim e para a minha família.

Você já deve estar cansando dessa história, não?
Ricardinho: Muito, muito cansado. Mas eu acho que faz parte. Aconteceu, foi o ocorrido, vocês têm o direito de perguntar e procurar saber, mas graças a Deus eu estou supertranquilo com essa decisão e a minha família também. Eu mesmo impus dentro de casa que eles não iriam mais escutar isso. Decidi como pai naquele momento. É óbvio que, como profissional, quem é que não quer colocar novamente uma camiseta e representar novamente o país em uma Olimpíada? Mas eu, como pai, tive que tomar uma decisão pelo lado familiar.

O que mais você sente falta na seleção?
Ricardinho: O hino, sem dúvida alguma. Jogar aqui no Brasil é uma coisa que arrepia todo jogador. Tem várias coisas, momentos que eu lembro com eles, as vitórias, sofrimento que a gente passava dentro de hotel, o meu aniversário em 2006 que eu passei com todos eles e os levei para um restaurante. São coisas que você não pode deletar. Eu, da minha parte, vou tentar ao máximo, pois sei que a vida é muito mais que isso.

O que você achou do jogo contra a Bulgária?
Ricardinho: Eu não estava ali... é difícil, porque só você estando ali para saber a decisão que vai ser tomada, quem tomou a decisão, com certeza não foi uma pessoa que decidiu aquilo de perder ou não perder. Não posso dar dizer algo porque não sei o que aconteceu. Ficou claro depois das declarações do Mario que eles entregaram o jogo, mas eu não tenho nada para falar. Se eu tivesse lá, com certeza poderia até opinião, mas não vou falar para vocês qual seria a minha resposta sobre isso. Faz parte do jogo, usaram a regra e decidiram daquela forma.

No tempo que você jogou na Itália sentiu uma hostilidade por parte dos italianos pelo Brasil sempre ganhar tudo?
Ricardinho: Isso sempre teve, não é uma coisa que aconteceu agora. Eles aproveitaram, pegaram o gancho daquele jogo que em que certas coisas ficaram muito nítidas e deram uma acrescentada para tentar criar um clima para desestabilizar o Brasil, mas esse time aprendeu muito bem a lição, a escola de uns anos atrás foi muito boa.

Você está feliz no Brasil? Pretende ficar aqui até encerrar a carreira?
Ricardinho: Sem dúvida nenhuma. Quero ficar por aqui, minha família está super contente. É bom poder falar com vocês (jornalistas) em português e não via e-mail, algo que me incomodava um pouco, ainda mais eu que sou meio bicho do mato, me escondo um pouco, não gosto muito de dar entrevista.. Não é que eu não gosto de vocês, é que eu não gosto de dar entrevista (risos). Daqui eu não quero sair mais. Agora vocês vão estar me vendo aí e não vai faltar oportunidade de vocês me perguntarem o que quiserem.


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