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13/10 - 10:44

"Não dei show, mas acho que me tornei fundamental", diz Murilo, melhor jogador do mundo
Jogador ganhou espaço na seleção na temporada passada, vive o auge da carreira e diz não ter medo da responsabilidade de substituir Giba

Aretha Martins, iG São Paulo

Ele chegou à seleção em 2003, ganhou espaço no time de Bernardinho em 2009 e, em 2010, conquistou o mundo. Murilo conquistou o tricampeonato Mundial com o Brasil na Itália, foi eleito o melhor jogador do mundo e afirma não ter medo da pressão e da responsabilidade de se tornar um líder e herdar a função de Giba como a voz do time. Em entrevista ao iG, o jogador reconhece que, aos 29 anos, vive o auge da carreira, explica relação com italianos e diz que é peça fundamental no atual esquema tático da equipe brasileira.

iG: Você foi eleito o melhor jogador em todos os torneios desta temporada: Liga Mundial, amistoso na Polônia e o Mundial. Você já esperava mais esse prêmio?
Murilo: Muito se falou, mas não esperava. Eu fiquei feliz pela regularidade que mantive o campeonato todo. Não dei show, não fiz espetáculo, mas acho que me tornei um jogador fundamental pelo esquema tático que a gente tem na seleção. Mas está ficando cada vez mais difícil e eu não quero ficar com essa responsabilidade na cabeça de, em cada competição agora, eu ficar pensando se vou ser eleito o melhor ou não.

Divulgação
Murilo posa para foto com medalha de ouro do Mundial

iG: Além de melhor jogador, você é um líder dentro de quadra e apontado até como termômetro do time. Você se vê nesse papel?
Murilo: Eu me sinto esse termômetro. O Giba não estando em quadra, eu tenho uma responsabilidade maior por ser o segundo capitão, digamos assim. Vendo as características dos jogadores que estão ali dentro, por mais que eu seja introspectivo e tímido, eu sou o que fala mais, para você ter uma ideia. O Dante praticamente entra mudo e sai calado. O Rodrigão é a mesma coisa. O Vissotto conversa um pouco, mas não tanto de parte técnica e tática. Então acaba sobrando mais para mim e para o Bruno. Antes dividia essa função com o Sérgio (líbero), que é uma loucura em quadra, mas agora sou o cara que fala mais e que cobra mais ali dentro.

iG: E você se sente bem nessa função, herdando o cargo de líder de Giba?
Murilo: Eu não fujo disso e fico confortável. Não é uma coisa que eu faça por obrigação. É o jeito que eu jogo, é o jeito que eu me comporto dentro de quadra. Se tiver que brigar, eu vou brigar. Se tiver que passar a mão na cabeça, eu vou passar. Eu tenho que assumir essa responsabilidade e acho que os outros esperam isso de mim também.

iG: Esse é o segundo título mundial com a seleção, já que você participou do elenco que foi ouro em 2006. O que mudou de um título para o outro?
Murilo: A pressão. Em 2006 entrei no jogo da França, que a gente perdeu. Mas quartas de final, semi e final eu praticamente não pisei na quadra. Era muito mais dar força, um papel de fora, de tentar ajudar de algum jeito. Nesse Mundial foi completamente diferente. Desde o ano passado mudou muita coisa para mim, com a mudança do ciclo olímpico. Eu assumi uma posição de titular ali dentro, tenho responsabilidade de liderar e ser o capitão quando o Giba não está e foi uma pressão muito grande. Agora você tem que explicar aquilo que aconteceu, o que o time fez de bom ou de mal, porque fez isso e não fez aquilo...

AP
No Mundial, Murilo foi destaque do Brasil em todos os fundamentos

iG: Nesse Mundial muito se falou em superação. Você sentiu, mais uma vez a panturilha e machucou o tornozelo na final. Foi difícil jogar esse torneio?
Murilo: Eu tive uma lesão muito séria, quando jogava na Itália, na panturilha direita, mas agora, nos últimos jogos, eu tenho, começado a ter cãibras a partir do quarto set, dependehdo da intensidade do jogo. Realmente fica difícil você saltar porque a panturilha trava e isso agora é nas duas. As cãibras me incomodaram no jogo de Cuba, que eu tive que sair, me incomodaram no jogo contra a República Tcheca, mas eu continuei porque não dava mais para poupar. Contra a Alemanha senti um pouquinho. Contra a Itália, no quarto set. Mas contra Cuba não (senti) porque foi rápido, mas eu pisei no pé do Leon e acabei torcendo o tornozelo, que ainda está bem inchado.

iG: Qual é o gosto que fica desse Mundial?
Murilo: O gosto... (longa pausa). Acho que só ver a cara dos italianos, para a gente já estava excelente. Eles fizeram o possível e o impossível para dificultar a nossa vida. Até mesmo as refeições eram diferentes para eles e para a gente. Foram coisas absurdas que, politicamente, dentro de uma instituição como a Federação Internacional, não podem ser permitidas.  O oitavo título da Liga Mundial deles a gente já tinha batido e o tri mundial era o que restava para eles, já que eles não têm ainda o ouro olímpico. A gente realmente conseguiu bater a geração dos fenômenos italianos e que estavam todos lá, torcendo contra.

iG: Mas como é essa relação com a Itália? Muitos jogadores brasileiros vão atuar lá e você foi um deles. Você sentiu algum preconceito?
Murilo: Não. No clube eles acabam até te idolatrando. Eu fui muito bem recebido em Modena. A discussão lá é diferente porque eles têm a Legavolley, que faz o Campeonato Italiano, e a Fipav, que é a Federação Italiana, que cuida da seleção. Tem muita rixa entre a duas entidades. A Fipav fica criticando porque tem muitos estrangeiros jogando o Italiano e falam que não tem espaço para os jovens crescerem. Já a Lega diz que é negócio... Dos clubes eu só tenho boas recordações. Tudo que a gente precisou lá dos clubes, agora no Mundial, a gente teve. O médico que o Marlon foi consultar em Modena era o meu médico lá e ele foi superatencioso com todos os exames. Se caso a gente precisasse de massagista, o Giba já tinha contatado o massagista dele de Cuneo... Essa relação que a gente tem com os clubes é muito boa, mas fica aí essa magoa com a federação italiana mesmo.

iG: Você está vivendo o auge da sua carreira. Já dá para pensar no futuro, em continuar na seleção até o Mundial de 2014?
Murilo: Não faz sentido eu não continuar, mas temos que ver. Depende porque um técnico pode mudar, podem querer renovar, ou pode aparecer um ponteiro de 2m aqui no Brasil arrebentando . A CBV está sempre buscando novos talentos 2m, 2m10, 2m15 e eu acho que é disso que a gente tem que correr atrás porque é o futuro do voleibol, é a evolução. Espero que continue sempre precisando de um ponteiro para passar porque se não fica difícil eu jogar (Murilo tem 1,90m). É por isso que a panturrilha dói, porque tem que saltar muito para alcançar esses caras de 2m (risos).

iG: E agora você vai mudar de função. Vai deixar a quadra e ficar torcendo pela Jaqueline, sua mulher, no Mundial feminino, no Japão. Está preparado?
Murilo: Ruim vão ser os horários, né? Eu vou ter que acordar de madrugada e o pior, vou ter que treinar no outro dia. Mas vamos ver. Tomara que os horários ajudem e não seja aquela coisa de 4 ou 3 horas que é bem no meio. Meia-noite é bom, ou 6 horas, que aí já acorda e fica direto. Mas é melhor jogar. Ficar torcendo de fora é difícil porque você não pode fazer nada. Você bate palma, ou briga ou xinga e não pode estar ali para ajudar. Eu não sei como reagir às vezes. Não sei nem o que falar no caso de uma derrota porque é difícil encontrar palavras. A gente quando joga sabe o que tem que fazer, mas ter que falar é difícil.


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