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Vôlei

21/08 - 08:53

Prata olímpica da geração que apresentou o vôlei ao Brasil completa 25 anos
Seleção de Montanaro, Renan, William e companhia ajudou na popularização da modalidade no País, ganhou admiradores, viveu a decepção de ser vice e sofreu sob os holofotes da fama

Por Aretha Martins, do iG Esporte


SÃO PAULO – Setembro de 1982. O Brasil conhece a seleção masculina de vôlei, faz festa e cria ídolos. Agosto de 1984. O Brasil se decepciona com a medalha de prata e chora com aqueles ídolos. Dois momentos marcantes para uma geração que colocou o nome do voleibol brasileiro no cenário mundial.

A histórica prata nos Jogos de Los Angeles-1984 completa 25 anos neste mês de agosto. Uma conquista um pouco amarga, mas que ajudou o jogo a ser admirado no país e impulsionou a trilha para chegar ao topo do mundo oito anos depois, em Barcelona. E agora voltar, com o título da Liga Mundial. O iG Esporte relembra histórias de como aquela equipe se formou, dos treinos, primeiros autógrafos e brigas que acabaram com o time de prata.

Quem era quem
“O núcleo central era composto por Bernard, William e Fernandão. Junto com eles estavam Renan, Amauri, Montanaro, Xandó e Badá. Eram os oito principais jogadores”, afirma Bernardinho, o levantador reserva da equipe prata e hoje todo-poderoso do vôlei nacional. “Os demais, como eu, [Domingos] Maracanã, Leo, Marcos Vinícius brigavam para entrar nesse time. Tudo girava em torno daqueles nomes. Era um grupo muito fechado”, explica o atual técnico da seleção masculina.

Reprodução/Revista Placar
Poster da Revista Placar com a seleção campeã Pan-Americana que ganharia a prata em Los Angeles

Primeiros passos
O primeiro grande desafio dessa seleção foi a Olimpíada de Moscou, em 1980. Xandó estava machucado, Renan não brilhou e Moreno, remanescente da geração anterior, não pode participar de todos os jogos. Resultado: Brasil em quinto lugar, e ouro para a União Soviética. “Não jogamos com todo o potencial daquele time. Poderíamos ter ido mais longe”, analisa Bernardinho. “A União Soviética era imbatível e a Bulgária tinha um grande time, tanto que foram os primeiros. Com as outras a gente poderia ter lutado mais”, completa.

Um ano depois, o Brasil subiu ao pódio. Sob o comando do técnico Bebeto de Freitas, ficou com o bronze na Copa do Mundo depois de vencer a Polônia. “Foi uma disputa dramática e uma conquista fantástica. Mas ninguém ficou sabendo. A mídia nem falava direito de vôlei”, conta Montanaro.

Primeiro título e primeiro vice
No ano seguinte, a seleção masculina vararia febre nacional. Na preparação para o Campeonato Mundial, o país sediou o Mundialito, no Rio de Janeiro. Foi neste torneio que Bernardinho fez seu melhor jogo. O Brasil perdia por 9 a 1 para o Japão e conseguiu virar e vencer. “Foi o melhor momento da minha vida como jogador”, lembra o ex-levantador. Na final, a equipe brasileira venceu a gigante União Soviética por 3 sets a 2 diante de 20 mil pessoas que lotaram o ginásio do Maracanãzinho.

Torcida e imprensa estavam conquistadas. Com o título, os jornais passaram a noticiar a seleção masculina e colocar o Brasil entre os melhores do mundo. O resultado foi o aumento de interesse por parte do público e ginásios mais cheios. A televisão também passou a transmitir as partidas, e a compreendido dos macetes do esporte se disseminou.

O time estava pronto para o Mundial, que começaria no dia 2 de setembro de 1982, na Argentina. Para conquistar a torcida local, os brasileiros distribuíram bonés e camisetas antes dos jogos. O Brasil foi passando pelos adversários e ganhando status.

Na primeira partida, arrasou a Líbia por 3 a 0, com direito a dois sets com 15 a 0 no placar (na época, cada parcial tinha 15 pontos e o time tinha que primeiro conquistar uma vantagem, assumir a posse de bola e, depois, concretizar o ponto). Na sequência, repetiu o mesmo placar sobre o Iraque. A primeira derrota foi contra a Tchecoslováquia, por 3 sets a 1. Na segunda fase, depois de grande confusão da organização, que mudou as chaves do torneio, a seleção venceu Polônia e Cuba pelo mesmo placar: 3 a 0. A vaga na semifinal veio em um 3 a 1 contra a Bulgária e, para encerrar a fase, com titulares poupados, Brasil perdeu para União Soviética por 3 a 0.

Na semifinal contra o Japão, os principais jogadores estavam descansados, e o time venceu por 3 a 0 para garantir a vaga em Los Angeles. Na final, mais uma vez os soviéticos se sobrepuseram. A seleção perdeu por 3 sets a 0, mas já estava na elite do esporte.

Mesmo com o segundo lugar, o vôlei ganhou status entre os esportes no Brasil em um ano de decepções como a Copa do Mundo de futebol e Nelson Piquet na Fórmula 1. “O grito de gol foi transferido para o vôlei”, analisa Montanaro, atacante da geração de prata e hoje gerente do Brasil Vôlei Clube. Na volta para casa, os jogadores foram recepcionados com festa no aeroporto.

A prata olímpica
Agosto de 1984. Chegou a Olimpíada de Los Angeles. Pela primeira vez, a seleção brasileira masculina iria para um torneio mundial como favorita, ajudada pelo bicampeonato pan-americano em Caracas-1983. Para facilitar, a União Soviética não participou dos Jogos em resposta ao boicote dos Estados Unidos aos Jogos de Moscou. “Nós éramos totalmente conhecidos. Idolatravam a gente e confiavam naquele time”, afirma Montanaro. Foram mais de 400 horas de treinos e o time estava concentrado desde janeiro. Eles estavam prontos para lutar pelo ouro.

Na fase classificatória, vitórias sobre Argentina e Túnisia. Contra a Coreia do Sul, na partida que valeria vaga na semifinal, derrota por 3 sets a 1. No jogo seguinte, 3 a 0 nos Estados Unidos e o lugar na semi. “Viemos aqui buscar o ouro e só vamos sair como ele no peito”, disse Amauri depois da classificação. Na semifinal, Brasil venceu a Itália por 3 a 1 e encararia de novo os donos da casa na decisão.

Na temporada haviam sido nove vitórias brasileiras sobre os norte-americanos. Mas, na final olímpica, os Estados Unidos faturam o jogo com um 3 a 0, com parciais de 15/06, 15/06 e 15/07. “Perdemos para nós mesmos. A gente tinha condições técnicas para vencer, mas não tinha cabeça”, analisa Amauri. “Foi muita vaidade dentro da quadra. Um quis aparece mais que o outro. Foi a medalha de ouro mais certa que a gente deixou escapar”, explica o ex-central. A torcida também sentiu a decepção da medalha de prata. Dessa vez, não teve nenhuma festa no desembarque do time.

Com a sensação de ser eterno vice, como disse o levantador William ao jornal Gazeta Esportiva depois da derrota em Los Angeles, a seleção passou por muitas crises, brigas internas e se separou no final de uma era. Mesmo com a ausência de um grande título, com os vices no Mundial e na Olimpíada, aquele time entrou para a história do esporte nacional. Além disso, abriu caminho para o desenvolvimento de uma nova geração, com mais estrutura, que seria campeã olímpica em Barcelona. 

Reprodução/Revista Placar
Derrota da seleção brasileira de vôlei na Olimpíada de Los Angeles


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Reprodução/Revista Placar

us volei geração de prata

Geração de prata
Seleção masculina subiu ao pódio desolada depois de perder a final olímpica

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