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Vôlei

21/08 - 09:09

Geração de prata inovou na maneira de jogar e até bateu bola no Maracanã
William, levantador dos anos 80, foi quem criou o saque viagem, em resultado de uma disputa para saber quem era o mais forte da seleção; veja curiosidades sobre a geração de prata

Por Aretha Martins, do iG Esporte


SÃO PAULO  - O voleibol dos anos 80 era dividido em duas grandes escolas. Os times do Leste Europeu eram os mais altos e jogavam bolas lentas e tinham um ótimo bloqueio. Já os asiáticos, bem mais baixos, sabiam usar a velocidade, acelerando a jogada e surpreendendo a defesa adversária. O Brasil não era alto, apenas a média de 1,90m, mas tinha a criatividade para enfrentar os rivais.

Para segurar a velocidade dos asiáticos, a solução foi forçar o saque. Assim, o passe poderia não sair corretamente para o levantador, que não conseguiria armar a jogada com tanta agilidade. Foi por isso que eles inventaram um saque que hoje é o mais comum nas quadras: o “Viagem ao Fundo do Mar”.

O serviço, no qual o jogador bate na bola em suspensão, surgiu de uma brincadeira entre amigos. “Num treino a gente queria saber quem batia mais forte. Ficamos desafiando uns aos outros e assim inventamos o ‘Viagem’”, diz Montanaro, ex-atacante do Brasil. O primeiro a arriscar o saque foi o levantador William.

Já Bernard resgatou o “Jornada nas Estrelas”. Muitos acham que o brasileiro foi quem inventou esse saque, que consistia em jogar a bola o mais alto possível para atrasar a jogada do adversário, mas ele nasceu na República Checa, em meados dos anos 50, quando as partidas ainda eram disputadas ao ar livre e o vento atrapalhava a recepção. Bernard também tentou inovar com o chamado “Retrocesso”.

O jogador deveria bater por baixo da bola, para dar efeito. Mas esse saque não pegou porque só o atacante conseguia fazê-lo. “Tínhamos de usar jogadas inusitadas e sermos audaciosos para vencer”, conclui Montanaro.

Bate-bola no Maraca
Os jogadores da seleção dos anos 80 também provaram da criatividade da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). Se o público na época já lotava s ginásios, o que aconteceria se alguma partida fosse realizada em um lugar maior? E se o lugar escolhido fosse um estádio de futebol? Foi isso que a CBV fez, organizando o “Grande Desafio”.

O Brasil iria encarar a União Soviética em uma quadra de madeira armada no meio do estádio do Maracanã. O jogo foi marcado para o dia 19 de julho de 1983, mas como a chuva não dava trégua, a partida foi remarcada algumas vezes e só aconteceu no dia 26 daquele mês. Diante de 95.887 pessoas, recorde absoluto de público em um jogo de vôlei, brasileiros e soviéticos entraram em quadra.

Ainda no primeiro set, uma forte chuva interrompeu o jogo. Viacheslaz Platanov, técnico do time do Leste Europeu, teve a idéia de pegar os tapetes que iam do vestiário até a quadra para enxugar o tablado e continuar a partida. Para delírio do público, que não desanimou com o mal tempo, jogadores do Brasil e União Soviética se ajoelharam e enxugaram o piso. A partida continuou e, no final, o Brasil venceu de virada por 3 sets a 1.


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