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Vôlei

21/08 - 09:15

Geração de prata cria ídolos e ainda ensina como se jogar vôlei no Brasil
Time dos anos 80 foi o primeiro a distribuir autógrafos, montar a estrutura de esporte profissional e desenvolver o conceito de seleção permanente

Por Aretha Martins, do iG Esporte


SÃO PAULO – A seleção brasileira de vôlei participou de todas as edições dos Jogos Olímpicos desde a inserção do esporte, em 1964. Mas foi em 1984, há 25 anos, que o País parou para assistir aos jogos e para torcedor pelos meninos da equipe nacional. Foi uma das primeiras competições que o País foi como favorito. Ficou com a medalha de prata, mas aquela geração criou ídolos e deixou legados seguidos até hoje pelos times brasileiros.

Como jogar vôlei entre os melhores
O time brasileiro da conhecida “geração de prata” não era muito alto, tinha média de 1,90m, e, para brigar com os melhores do mundo, na época da seleção da antiga União Soviética e os times do Leste europeu, precisava driblar os altos bloqueios adversários. “Xandó era o homem da força. Para ajudar, William era muito bom e fazia Renan e Montanaro baterem na velocidade. Foi a primeira equipe que conseguiu um voleibol de força e velocidade dentro de quadra”, conta Amauri, que participou da conquista da medalha de prata e da medalha de ouro em Barcelona, 1992.

E essa ainda é a principal característica da atual seleção nacional. Apesar de contar com jogadores bem mais altos que os antigos ídolos, como Leandro Vissoto, de 2,12m e Lucão, de 2,09m, o Brasil joga aliando força e velocidade. Mesmo com esses gigantes, o time ainda perde na altura para os europeus, por exemplo, e precisa usar as artimanhas dos medalhas de prata para vencer.

Além das combinações de ataque, o Brasil dos anos 80 também inventou o saque “Viagem” para quebrar o passe atrasar o jogo dos adversários mais velozes, como os asiáticos. Hoje, todas as seleções do mundo usam esse serviço.

Primeiros ídolos
A televisão e a imprensa em geral passou a noticiar o vôlei brasileiro com as conquistas dos anos de prata, como o título no Mundialito e o vice no Mundial, ambos em 1982. Com isso, o esporte virou popular e criou seus primeiros ídolos.

Depois do segundo lugar no Campeonato Mundial, o técnico do time Bebeto de Freitas fez um pedido. “Peço à torcida que prestigie a chegada da seleção ao Brasil. Eles são fabulosos e jogam com a alma”, disse o treinador em uma entrevista ao jornal Gazeta Esportiva. Nem precisava. Quando o time desembarcou, o aeroporto estava lotado de fãs. “Pensávamos que alguma celebridade estava chegando. A gente nem acreditava que toda a festa era para a gente. Foi a primeira vez que dei um autógrafo na minha vida”, conta o ex-central Amauri.

A seleção era conhecida por todos. Garotas iam à loucura por Renan, Montanaro e companhia. E Montanaro, ex-atacante, até passou um “susto”. “Tinha uma mulher que era mio maluca. Sabia quando a a gente ia chegar de viagem e estava sempre nos aeroportos. Chorava toda a vez que me via. Em uma dessas viagens ela foi buscar a seleção com bebê nos braços. Pra quê? Todo mundo começou: ‘Olha o Montinho!’. Depois disso, eu sempre encontrava uma mamadeira ou uma chupeta que deixavam no meu quarto. Nem tinha como ser meu filho, não tinha nariz grande como eu”, brinca.

Atualmente, jogadores de vôlei da seleção são verdadeiras celebridades e vistos como modelo de beleza. “Éramos um pouco acima da média de altura dos brasileiros. Como tínhamos que praticar musculação, nosso físico era extremamente desenvolvido. Isso chamava a atenção”, analisa Montanaro. Ele ainda ressalta que o biotipo continua sendo o preferido pelos fãs. “Hoje tem o Giba, com média de 1,90, que é símbolo sexual. Elas ainda gostam dos mais baixos”, aposta.

Independentemente da preferência por altos ou baixos, a tietagem continua e o público lota os ginásios por onde passa a seleção brasileira.

Seleção permanente
Renan, Montanaro, Amauri, Bernardinho e companhia, astros da chamada “geração de prata”, chegaram à seleção ainda garotos. Em 1977 eles fizeram parte da seleção permanente, criada por Carlos Arthur Nuzman, então presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). “A gente fazia tudo junto, morávamos juntos de verdade”, lembra Amauri. Os jogadores ficaram na seleção até os anos 80. “Éramos jovens, ainda não precisávamos sustentar família e pudemos ficar concentrados no Rio o tempo todo”, conta Montanaro, um dos ídolos daquela equipe.

Eles treinavam na Escola Naval em dois períodos e ficavam concentrados em um hotel na capital carioca. “A concentração não prendia ninguém. A gente conhecia todo mundo do hotel e isso facilitava quando alguém queria dar uma escapada, geralmente para ver a namorada”, diz Amauri, central da geração de prata e do time que foi ouro na Olimpíada em Barcelona. “Era tranquilo porque a comissão técnica era toda carioca e não ficava hospedada junto com a gente”, completa o ex-jogador.

Hoje, a ideia de uma seleção permanente ainda existe, mas com outros moldes. Os jogadores não precisam passar tanto tempo concentrados, mas diferentes de outros esportes como o basquete, o time brasileiro se mantém quase inalterável por anos. Os treinos também não são mais no ambiente militar, já que o vôlei brasileiro tem um centro de treinamento em Saquarema, no Rio de Janeiro. Lá, as equipes ficam concentradas, treinam e ainda podem receber visitas da família.


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Centro de treinamento é a casa de todas as seleções de vôlei do Brasil, da base até a adulta

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