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21/08 - 09:00

"A fama subiu à cabeça de todos", diz Montanaro sobre fim da geração; onde eles estão agora?
Jogadores da seleção brasileira dos anos 80 saíram do anonimato e viraram ídolos em poucos anos; brigas internas minaram uma talentosa e pioneira seleção

Por Aretha Martins, do iG Esporte


SÃO PAULO – Quando se tem fama, dinheiro e sucesso, além de aprender a lidar com a cobrança para se manter entre os melhores, é necessário aprendera lidar com a vaidade de cada um. Os brasileiros voltaram da Olimpíada de Los Angeles com a medalha de prata e eram ídolos nacionais. Mas não engoliram a frustração de um segundo lugar no torneio em que era apontados como favoritos, e os problemas começaram a aparecer.

“Passamos de amadores a profissionais, éramos ídolos nacionais, e não soubemos lidar com isso. Um queria mostrar que era melhor que o outro, e perdemos o foco, que era jogar voleibol”, explica Bernardinho, levantador reserva daquela equipe.  “A fama subiu à cabeça de todos. Os contratos de publicidade aumentaram, começou e entrar dinheiro e a coisa começou a pegar”, conta Montanaro, ex-atacante.  “De repente, alguém faltava a um treino para filmar uma campanha publicitária e quem estava lá, trabalhando, ficava se perguntando se aquilo era justo”, lembra Amauri, meio-de-rede na Olimpíada.

Após essa quebra, a seleção não conseguiu subir ao pódio até 1987, tendo como melhor posição i quarto lugar na Copa do Mundo de 1985 e a mesma colocação no Mundial da França, em 1986. O time passou por uma renovação e contou com a chegada de nomes como Maurício, Carlão e Paulão, que seriam campeões olímpicos em Barcelona, 1992.

O comando ficou com o sul-coreano Young Wan Sohn, convidado pela CBV, que não agradava aos atletas. “Ele deixava a gente batendo bola e ia fumar”, conta Amauri. Os jogadores, revoltados, escreveram uma carta pedindo a saída do técnico, o Manifesto de Miami. Mas o documento acabou caindo nos jornais, e Carlos Arthur Nuzman, hoje presidente da CBV, não gostou nada – desconvocou todo o time e manteve Sohn no comando.

Pouco depois, um mês antes da Olimpíada de Seul, em 1988, o sul-coreano foi afastado. E Bebeto de Freitas voltou ao comando. Com ele, voltaram os jogadores da geração de prata, com exceção de Bernard e Bernardinho, que ficaram conhecidos como “os intocáveis”. Brasil foi aos Jogos e perdeu o bronze para a Argentina.

No ano seguinte, a situação do vôlei no país piorou. “As condições de treinamento não eram boas”, diz Montanaro, referindo-se aos treinos em Itapecerica da Serra, em São Paulo. “O ginásio não recebia os cuidados que a nossa prática exigia. No alto rendimento, qualquer poeirinha atrapalha. Reivindicamos algum pagamento e melhores condições de trabalho, mas Nuzman não nos atendeu e deixamos a seleção”, conclui o ex-atacante. 

Apesar da separação do time, quase todos os jogadores daquela geração seguiram no esporte. Veja o que cada um deles está fazendo atualmente:

Montanaro: gerente do time de vôlei de São Bernardo do Campo Brasil Vôlei Clube

William: técnico do time feminino do Vôlei Futuro, de Araçatuba, interior de São Paulo

Renan: gerente de esportes do time Cimed, de Florianópolis

Xandó: supervisor de esportes da Secretaria Municipal de São Paulo

Bernardinho: técnico da seleção masculina brasileira

Marcus Vinícius: superintendente executivo de esportes do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e foi chefe da delegação nacional em jogos como o Pan-Americano e a Olimpíada de Pequim

Amauri: presidente da Associação Brasileira de Voleibol Paraolímpico e técnico do time de vôlei sentado na Olimpíada de Pequim

Bernard: seguiu carreira política e é presidente da Comissão de Atletas do COB

Maracanã: trabalha no projeto de inclusão social da Federação Paulista de Futebol

Fernandão: é professor do curso de Direito Desportivo da UniverCidade, do Rio de Janeiro, e já foi comentarista e colunista de vôlei e assessor de Bernard na Assembleia Legislativa

Rui Campos: gerente de esportes do departamento nacional do Sesi

Badá: único que deixou o esporte e foi cuidar de uma pousada

Bebeto de Freitas (técnico): até a terça-feira deste semana era diretor-executivo do departamento de futebol do Atlético-MG

Carlos Arthur Nuzman (presidente da CBV na época): presidente do COB.


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Bernardinho
Atual técnico da seleção masculina de vôlei foi reserva do levantador William na geração de prata

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