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Argentino cativa o público brasileiro com lances de habilidade e estreia com vitória no Brasil Open

AE
David Nalbandián em ação no Ibirapuera
No sexto game do primeiro set, o francês Benoit Paire decidiu subir à rede, pronto para matar o ponto. Acabou levando um lob de seu adversário, David Nalbandián, que lhe deixou estatelado no chão, no meio da quadra, sujando de terra as costas de sua camisa branca.

Foi com esse tipo de lance que o argentino levantou a torcida brasileira no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, em jogo pela primeira rodada do Brasil Open, nesta quarta-feira. Lances que impediram que qualquer noção de rivalidade entre Brasil e seu país interferisse no andamento da partida. “Foi algo espetacular. O público foi muito carinhoso e, em muitos momentos, eu me senti muito confortável, como se tivesse realmente jogando em casa”, afirmou ao iG. "Fico muito agradecido."

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Tal como aconteceu na derrota do badalado Juan Carlos Ferrero para Leonardo Mayer, o público assumiu um lado, e foi o de Nalbandián, que teve seu nome gritado durante toda a partida. A vitória foi definida em pouco menos de 1h40, com parciais de 7-6 e 6-3 para o sul-americano, que joga pela primeira vez o Brasil Open.

Rival de quem?
Em entrevista coletiva na véspera, o argentino, uma das primeiras estrelas a chegar a São Paulo e rondar pelas instalações do Complexo Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, já havia comentado essa receptividade. “Estão sempre pedindo autógrafos, fotos. É bom sentir o público próximo”, afirmou o tenista.

Essa aproximação já o fazia antecipar uma torcida favorável em sua estreia. “Não creio que possa ter nada de rivalidade, seria bobeira pensar nisso. Eu me lembro sempre que, quando o Guga jogava em Buenos Aires, ele sempre era muito querido”, disse.

A geração de Nalbandián, incluindo aqui tenistas como Gastón Gaudio, Guillermo Coria, entre outros, frise-se, teve Gustavo Kuerten como uma referência no circuito e sempre o encarou com uma espécie de mentor. O catarinense foi campeão na capital argentina em 2001 – ao todo, ele venceu oito de 11 partidas na cidade portenha.

Caso raro
Ex-número três do mundo – posição que alcançou no dia 20 de março de 2006 –, Nalbandián é um caso à parte no circuito da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais). Em tempos em que a resistência, durabilidade e dedicação são algumas das principais virtudes para Novak Djokovic reinar, esse tenista de Córdoba sobrevive graças a sua habilidade com a raquete.

Seus vastos recursos foram esbanjados no Ibirapuera, como na jogada descrita acima, que aconteceu no sexto game de jogo. Em outro ponto no 12º game, ele devolveu um ataque de Paire com a raquete às suas costas, sem cometer um erro não-forçado. Quando chamado à rede por bolas curtas do adversário, respondia com contradeixadas precisas.

O que não quer dizer que a magia do argentino funcione de um modol que lhe garanta todos os pontos. Depois de abrir duas quebras e sacar em 5-3 para fechar o set inicial, permitiu a virada do Frances por 6-5. Acabou se safando no tie-break para abrir 1 a 0.

No segundo set, ele perdeu seu serviço ainda no primeiro game. Mas empatou a partida no sexto game ao retribuir a quebra, em mais um ponto muito versátil em que atacou o saque do francês com uma devolução firme, empurrou o adversário para o outro lado da quadra num golpe de esquerda bem angulado e aí matou o ponto com uma bola curta também em diagonal.

No fim, ele venceu cinco games seguidos para fechar o jogo e avançar às oitavas de final, em que vai enfrentar outro francês, Gilles Simon, cabeça-de-chave número dois. Depois de bater Paire, ele se dirigiu ao centro da quadra e agradeceu o apoio da torcida, sendo bastante aplaudido. Na hora de atirar algumas bolinhas para o úblico, soube mexer com todos os cantos do ginásio, pedindo barulho. Conseguiu. Foi o momento em muitos realmente gritavam: “Vamos, David!”

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