Tamanho do texto

Espanhol joga Brasil Open em busca do tricampeonato, marca que o colocaria acima de Gustavo Kuerten na lista de campeões do torneio

Ao aplaudir o espanhol Nicolás Almagro depois de sua vitória sobre o romeno Victor Hanescu, nesta quinta-feira, a plateia brasileira no Ginásio do Ibirapuera mal sabia que, na verdade, estava torcendo contra um de seus grandes ídolos. O cabeça-de-chave número um do Brasil Open busca o tricampeonato. Se conseguir, vai se colocar como o maior campeão da história do torneio. Deixando um certo Gustavo Kuerten para trás.

Leia mais: Favorito, Almagro bate Hanescu na estreia em São Paulo

Mas não tente você falar sobre isso com o tenista. Em entrevista coletiva, quando questionado sobre a possibilidade de superar Guga em conquistas, Almagro, na verdade, nem deixou o jornalista terminar. Quando começou a entender a interpelação em português, pediu que parassem. Não por questão de má educação ou impaciência.

Deixe o seu recado e comente esta notícia com outros torcedores

“Não posso nem segurar as toalhas de Guga”, disse o espanhol. “Em números, posso passá-lo em títulos aqui, mas não há como comparar. Estou muito longe de tudo o que ele fez. Ele foi tricampeão de Roland Garros.”

Campeão na Costa do Sauípe em 2008 e 2011, Almagro tem mais nove taças em seu currículo, todas elas no saibro, piso preferido do ex-número um do mundo brasileiro, que venceu na Bahia em 2002 e 2004. Outro ponto que une os dois tenistas é o fato de ambos baterem a esquerda com apenas uma mão, enquanto a grande maioria do circuito prefere um golpe mais seguro com duas. Mas as semelhanças realmente param por aí.

Confira ainda: Estrelas no Brasil, duplistas pedem mais espaço no tênis mundial

Não só o tricampeonato no Grand Slam francês os diferencia. No total, Guga venceu 358 partidas, com um aproveitamento 64,7% em sua carreira e 20 títulos, 14 deles na terra batida. Almagro soma até agora 240 vitórias e 58,5% de rendimento.

Guga e Moyá se enfrentaram na cidade catarinense de São José em 2011
Gazeta Press
Guga e Moyá se enfrentaram na cidade catarinense de São José em 2011
Geografia
Além da reverência a Kuerten, o espanhol mostrou que seus conhecimentos geográficos quanto ao Brasil estão apurados. Ao comentar a postura respeitosa dos espectadores em São Paulo, o espanhol falou até de Belo Horizonte, onde nunca jogou, para dizer que o público de tênis é naturalmente bem informado seja aonde for.

Veja também: Bellucci vence Mello no duelo caseiro do Aberto do Brasil

“Quem vem aos jogos sempre conhece bastante do mundo do tênis, e isso vale para toda a parte. O importante é que esse torneio siga crescendo. Cada vez que venho ao Brasil, me sinto bem acolhido”, afirmou.

Almagro venceu em sua estreia no Brasil Open
AE
Almagro venceu em sua estreia no Brasil Open
Ainda assim, Almagro deu a entender que preferia o torneio no litoral baiano, mas não necessariamente pela qualidade dos equipamentos lá ou na capital paulistana. Tem muito mais a ver com o clima. “Eu particularmente gosto de jogar no calor”, confidenciou.

E mais: Talento de Nalbandián faz torcida esquecer rivalidade

Tal como Juan Carlos Ferrero na véspera, Almagro também ressaltou a dificuldade de adaptação à altitude de mais de 700 metros de São Paulo e uma quadra coberta, depois de ter jogado a Copa Davis em seu país no fim de semana passado. Para os tenistas, o jogo fica mais rápido e requer mais cuidado.

“Ele estava jogando muito bem, fizemos uma partida dura, e, para mim, ficou ainda mais difícil por não ter tido tempo para me adaptar tanto a esta quadra, a altitude, a velocidade da bola. Mas, depois de duas horas de partida, consegui a vitória, o que só traz confiança”, afirmou.

Almagro agora vai confiante em sua campanha pelo tri. Só não falem mais de Gustavo Kuerten, até para a torcida não ouvir.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.