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Tenista paulista, número 90 do mundo, mostra que ainda não digeriu a escolha do capitão João Zwetsch por Clezar e Rogerinho no duelo de repescagem da Davis, em setembro

João Souza, o Feijão, atualmente ocupa o posto de 90 do mundo
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João Souza, o Feijão, atualmente ocupa o posto de 90 do mundo

A polêmica convocação do Brasil para o duelo da repescagem da Copa Davis diante da Espanha, em setembro, ainda repercute. Em grande atuação de Thomaz Bellucci, o time brasileiro venceu os espanhóis e garantiu retorno ao Grupo Mundial, mas a escolha do capitão João Zwetsch por Guilherme Clezar e Rogério Dutra Silva, no lugar de João Souza, o Feijão, não foi digerida pelo tenista paulista. 

Em entrevista ao iG , Feijão admite que ficou chateado por estar fora do confronto, mas que isso lhe deu força para reagir. "Fiquei chateado naquele momento por não ter sido chamado. Jogando aqui em São Paulo, meu lugar preferido, em casa, contra os espanhóis. Isso me chateou, mas não tenho rancor com ninguém. Foi opção do capitão não ter me convocado, mas acabei usando isso para me dar força e energia e tive mais resultados bons, coincidentemente ou não. Se me chamarem na próxima vez, eu irei e darei o meu melhor", afirmou o tenista número 90 do mundo e segundo melhor ranqueado do país.

João Zwetsch, capitão da equipe brasileira na Copa Davis
Divulgação/CBT
João Zwetsch, capitão da equipe brasileira na Copa Davis


Após a polêmica convocação, Feijão realmente ganhou novo gás no circuito e subiu 19 posições no ranking. Ele chegou a duas finais e a outras duas semifinais em Challengers, na Colômbia e Equador. 

Com o bom desempenho nos Challengers, torneios que rendem até 125 pontos no ranking, Feijão se credenciou ao ATP Challenger Finals, que será disputado entre quarta-feira (19) e domingo (23), no Clube Pinheiros, em São Paulo. No sorteio desta terça, coincidentemente, Feijão e Clezar, tenistas envolvidos no imbróglio de setembro, caíram na mesma chave. Os representantes do Brasil estão no Grupo B, ao lado do argentino Diego Schwartzman (77) e do esloveno Blaz Rola (81). O Grupo A tem o italiano Simone Bolelli (60), o dominicano Victor Estrella Burgos (80), o austríaco Andreas Haider-Maurer (84) e o argentino Maximo Gonzalez (105).

Guilherme Clezar
Divulgação
Guilherme Clezar

O tenista paulista assume que não é amigo de Clezar, treinado pelo capitão brasileiro da Davis, mas diz que não tem problema com seu compatriota. "Nós não somos amigos. Por exemplo, dos oito aqui, sou muito amigo do Estrella (Victor Estrella Burgos), e do (Diego ) Schwartzman e do (Maximo) Gonzalez também. Sou mais amigo deles do que do Clezar, mas não tenho problema nenhum com ele. Ontem, nós treinamos juntos. O problema não foi com ele, foi mais do que eu e ele, acabaram entrando outras coisas para ter criado essa polêmica", admite João Souza.

O paulista, que treina com Ricardo Acioly, o Pardal, no Rio de Janeiro, disse que não teve nenhum contato com João Zwetsch depois da polêmica e que não sabe se cumprimentaria o capitão brasileiro da Davis, em um possível reencontro. "Não sei te falar. Para falar a verdade, não sei", respondeu, para depois mudar de ideia. "Não iria passar reto, porque sou um cara educado. Iria cumprimentar ele, mas não sei qual seria a reação dele. Cumprimentaria normalmente, não tenho porque guardar isso para mim. Não tem como guardar rancor no coração". Perguntado se acredita na convocação com outo capitão, o brasileiro foi direto. "Acho que sim, depende do nome que você me der também. Guga e Meligeni, por exemplo, seria 200% de certeza".

Balanço de 2014 e planos para 2015
A temporada de João Souza ficou comprometida logo em seu início. Após vencer o Aberto de São Paulo, em janeiro, precisou abandonar a partida contra o espanhol Albert Montañes, durante o Brasil Open, por conta de dores no abdome, no mês seguinte. Uma lesão na região foi detectada e o brasileiro teve de parar por cinco semanas.

"O ano começou super bem, ganhando um torneio de 125.000, pontuação alta e depois joguei mais dois torneios até me machucar no Brasil Open. Aí fiquei cinco semanas parado né e perdi muito ritmo. Até abril praticamente não tinha jogado. Joguei três torneios basicamente".

O brasileiro comemorou o fato de terminar o ano entre os 100, o que facilita sua campanha em 2015. "A intenção é de cortar mais os Challengers e entrar nos ATPs para 2015. Com esse ranking, certamente estarei dentro do Australian Open. Os torneios que antecedem ainda não é certeza, depende daqui. Se consegui baixar perto dos 70, as chances são altas de disputar um ou dois torneios antes do Australian Open", projetou João Souza. 

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