Consistente e dominante… Contra o último colocado do Brasileiro

Tite coloca que o Botafogo teve predominância durante 80% do cotejo contra a Chapecoense. Mas há nuances que não podem ser omitidas

Tite tem algumas equações para resolver
Foto: Foto: Vítor Silva/Botafogo
Tite tem algumas equações para resolver

Adenor Leonardo Bachi, o Tite, classificou o Botafogo como “consistente” e “dominante” após o magro score de 1 a 0 sobre a Chapecoense, no Estádio Nilton Santos, no último sábado (17). O Glorioso recebeu o último colocado do Campeonato Brasileiro. Com 99,9% de chances de queda, o adversário do Mais Tradicional chegou ao Rio de Janeiro já condenado ao rebaixamento. Sem a adrenalina do campo, são dois adjetivos que merecem uma análise mais cuidadosa. Alerta, portanto, de corneta.

Tite argumentou que o Botafogo teve predominância durante 80% do cotejo, com diversas oportunidades criadas, principalmente durante o segundo ato do espetáculo no Engenho de Dentro. O time, no entanto, esbarrou na “Síndrome de Arcanjo”, goleiro que ninguém sabe de onde veio e vira o Gordon Banks diante do escrete alvinegro. O keeper do Vitória, em 2025, inaugurou este expediente. Obviamente, depois de fechar o gol, Anderson, da Chapecoense, está fadado a um frango homérico no próximo embate do quadro catarinense no torneio nacional.

Falta pouco para acabar a Via Crucis

Até a metade do primeiro tempo, o Botafogo cumpriu as ideias do professor Tite: controlar a bola, tocar mais curto e ir cansando o rival, mesmo que a equipe não avance em progressão toda hora. O comandante gaúcho pede um time que saiba, com exatidão, o momento de acelerar no último terço. Com a vantagem cedo, graças a uma cabeçada mortal de Tiquinho, o Glorioso conseguiu exercer este controle. No entanto, o tempo foi passando, com o placar inalterado e um final de primeiro tempo moroso. Os problemas, então, recorrentes, reapareceram.

Além de não conseguir ampliar o marcador e construir um resultado para referendar o tamanho da diferença entre os dois elencos, o Botafogo mostrou deficiências quando não tem a bola e na recomposição. Falta intensidade, imposição, mais duelos vencidos e melhores ajustes na transição defensiva. Montoro, por exemplo, sempre demora para voltar na marcação. O Monstrinho precisa ser exigido neste aspecto. Alguns ataques também terminaram em contra-ataques do adversário. A sorte é que a Chapecoense é inofensiva, algo que garantiu a Tite a narrativa de “consistência” durante a entrevista coletiva, no Colosso do Subúrbio. Afinal, o goleiro Batista praticamente não trabalhou no arco preto e branco.

Somente depois do nono confronto, somando as passagens por Cruzeiro e Botafogo, Tite, enfim, venceu no Brasileirão de 2026. Por isso, sua expressão era de alívio na conversa com os jornalistas, no último fim de semana, na Versalhes carioca. O triunfo era inegociável para o Botafogo e qualquer outro resultado configurava mais um vexame em um ano frustrante. Adenor, certamente, retirou um peso das costas. Falta, agora, dar uma cara melhor ao Fogão e assinar logo o passaporte para o Brasileirão de 2027.

*Esta coluna não reflete, necessariamente, a opinião do Jogada10.