
A garotada importou do universo dos games a expressão “farmar aura”. A combinação entre estas duas palavras descreve quem realiza algo marcante para conquistar prestígio, reconhecimento e admiração. Ou seja, representa com fidelidade a jornada de Tiquinho na vitória do Botafogo sobre a lanterna Chapecoense por 1 a 0, neste sábado (17), no Estádio Nilton Santos, pela rodada 31 do Campeonato Brasileiro. O camisa 9, aos sete minutos do primeiro tempo, recebeu um centro na medida de Martins, subiu mais alto do que a defesa catarinense e marcou o gol que recoloca o Mais Tradicional a caminho da salvação, bem mais longe da zona de rebaixamento. São sete pontos que permitem um sono mais sereno até a próxima jornada, contra o Internacional, no dia 24, no Beira-Rio.
“Farmar”, na linguagem da Geração Z, significa repetir uma ação para acumular pontos, recursos ou vantagens. “Aura”, por sua vez, aponta para o carisma de alguém. Tudo aquilo que Tiquinho transmite ao vestir o manto alvinegro e entrar em campo para defender a Estrela Solitária. Por isso, o Colosso do Subúrbio gritou mais alto quando a bola entrou na rede da Chapecoense. Não foi um lance qualquer. A cabeçada certeira do artilheiro, o gesto da comemoração e a marchinha das tribunas evidenciam a importância da consagração do ídolo neste fim de semana.
“Posso sentir todo o trabalho que o Tiquinho faz no dia a dia, o carisma que ele tem, a empatia que traduz, o quanto atrai de legal para o grupo, independentemente se está jogando ou não. Ele tem uma história dentro do Botafogo. Fiquei feliz pela jogada. Normalmente, nessa jogada, o marcador vai tirar a finalização do Matheus Martins e abrir o fundo. Foi o que aconteceu. E, nesse cruzamento, o Tiquinho tem uma presença de área impressionante. Toda vez que nós tivermos ele presente, em cada parte da área, teremos sempre uma oportunidade de cabeceio”, destacou o técnico Tite, ao Jogada10 .
Tiquinho versão prime
O gol do triunfo, no entanto, não resume a performance do centroavante ou o arco do herói com contrato somente até o fim de 2026. O camisa 9 mimoseou a torcida com momentos do Tiquinho prime de 2022 a 2024. Um jogador que, sem dúvida, merecia vestir a camisa da Seleção Brasileira na época. Tico soube esconder a bola, realizar o pivô, buscar combinações e sair da área para gerar jogo aos companheiros. Se a questão física ainda atrapalha, a memória da qualidade técnica segue intacta.
Nas duas partidas anteriores, aliás, Tiquinho, ao entrar no segundo tempo, entregou, em pouco tempo, sinais importantes à comissão técnica de Tite. Por um milímetro, ele não marcou contra o Vasco e passou por um triz contra o Coritiba, enquanto o concorrente Cabral aumentava o número de jogos sem gols, assistências e com baixíssima produção ofensiva. O treinador gaúcho recorreu, então, a um clichê do futebol para efetuar a mudança e alçar Tico ao posto de titular: “O campo fala”.
A ideia de Tite, contra a Chapecoense, era mantê-lo durante, no mínimo, 60 minutos. Tiquinho, no entanto, ficou um pouco a mais antes de ceder a vaga a Pereira. Os treinos no Espaço Lonier, agora, sentenciarão a minutagem do centroavante nos próximos compromissos do Mais Tradicional.
“Nós, da comissão, precisamos enxergar desempenho e promover competição de forma leal. Eleva o nível técnico da equipe. Isso é no treinamento. Se não fizer um treino bem feito, não reproduz no jogo. Este é o cálculo. Queremos elevar o nível competitivo para subir o nível técnico”, finalizou Tite.
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