Clubes protestam contra proibição de bets em rodada do Brasileirão

Campanha institucional ocupa painéis de publicidade nos estádios para questionar avanço do mercado ilegal após veto federal

Mensagens nas placas de publicidade questionaram MP do Governo Federal
Foto: Foto: Reprodução
Mensagens nas placas de publicidade questionaram MP do Governo Federal

Os clubes de futebol e as principais entidades do setor de apostas promoveram um protesto conjunto contra a Medida Provisória do Governo Federal durante os jogos da 29ª rodada do Campeonato Brasileiro nesta quarta-feira (7). A mobilização exibiu mensagens contundentes nos painéis de publicidade à beira do gramado das partidas do Brasileirão. A ideia seria contestar a decisão que determinou o encerramento do funcionamento das plataformas no território nacional. A campanha reuniu esforços da Associação Nacional de Jogos e Loterias e do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável.

“Proibir quem segue as regras favorece quem?”, questionou um dos comunicados veiculados nos painéis de LED das arenas esportivas.

“Não se muda a regra no meio do jogo. A demanda não acaba, apenas muda de endereço. A quem interessa o mercado ilegal? Quem lucra com as bets ilegais?”, complementaram os textos rotativos exibidos aos torcedores e aos telespectadores durante as transmissões oficiais.

Brasileirão vira palco de mobilização política do futebol

De fato, o Brasileirão serviu como vitrine direta para a insatisfação coletiva das agremiações esportivas diante do impacto econômico provocado pela Medida Provisória editada no último dia 25 de setembro. As diretorias dos clubes assinaram recentemente um manifesto contra a restrição e alertaram para prejuízos imediatos nas receitas de patrocínio masters e no equilíbrio financeiro das equipes profissionais. Além disso, dirigentes esportivos e federações tentam reagendar uma audiência com integrantes ministeriais no Palácio do Planalto para debater alternativas viáveis ao segmento esportivo.

O Governo Federal pretende negociar a criação de uma linha emergencial de crédito bancário com recursos públicos. A saber, o objetivo é amortecer o choque financeiro imediato sofrido pelos clubes. O cancelamento repentino dos aportes comerciais ameaça o cumprimento dos compromissos salariais da elite esportiva até a conclusão da atual temporada.

Por fim, diante desse cenário, os dirigentes pretendem intensificar a pressão institucional sobre o Poder Executivo antes da tramitação definitiva do texto legal no Congresso Nacional. Pois os mandatários do futebol nacional enxergam na restrição absoluta um risco direto à sustentabilidade financeira dos principais torneios do país.