
Neste sábado, 3/10, pela primeira vez na história, a Seleção Brasileira enfrentará a Índia. O amistoso no Salt Lake, em Calcutá, colocará frente a frente dois países muito diferentes no futebol. Enquanto o Brasil é uma potência, os indianos sequer figuram entre as 120 melhores seleções pelo ranking da FIFA. Assim, o jogo em Calcutá se desenha como um duelo tranquilo para o Brasil, já que enfrenta um rival fraco, sem participação em Copa e que tem um único convocado atuando fora do país — e ainda assim apenas o terceiro goleiro.
O Jogada10, abaixo, mostra algumas curiosidades deste país, que é muito mais lembrado pelo críquete (aqui sim uma potência mundial) e que tem como segundo esporte algo que para o brasileiro é muito estranho e que certamente quase ninguém conhece, mas que enche estádios e ginásios.
Futebol no pais do Críquete e do Kabaddi (Kabaddi?)
O futebol é popular. Mas está longe dos primeiros: críquete, kabaddi, badminton e hóquei na grama. O badminton tem muitos praticantes, e o hóquei na grama é responsável por oito das dez medalhas de ouro que a Índia tem nos Jogos Olímpicos. Mas é o críquete o esporte nacional, já que a Índia é potência mundial de um esporte pouco conhecido no Brasil, mas de grande relevância no planeta. Um astro de críquete ganha em média (sem contar publicidade) cerca de R$ 400 mil mensais. E o “Pelé” deste esporte é indiano: Sachin Tendulka.
O segundo esporte é bem bizarro para nós brasileiros: kabaddi, uma espécie de pega-pega misturado com o agarra-agarra do rugbi ou da NFL. Este esporte é popularíssimo no sudoeste asiático e a Índia, ao lado do Paquistão, é uma potência. Jogadores como Pawan Sehrawat ganham cerca de R$ 200 mil mensais.
Para comparar: um jogador de futebol que seja astro de um dos grandes times não passa de R$ 80 mil mensais. Além disso, é muito mais comum estádios lotados em jogos de críquete ou na versão de grama do kabaddi (tem também em quadra estilo basquete), com jogos que ultrapassam 80 mil,.
Mas há um fato que pende para o futebol: a final da Supercopa, entre East Bengal e Mohun Bagan, em 1997, registrou 131 mil pessoas, recorde de todos os esportes na Índia até hoje.
Os times indianos
Há agremiações com grandes torcidas no país. A maior é a do Mohun Bagan. Indianos dizem que o principal time de Calcutá tem 100 milhões de torcedores, o que faria dele o dono da maior torcida do mundo, com mais do que o dobro de torcedores de Flamengo, Al Nassr, América do México ou Chivas, normalmente considerados o Top 4 de torcedores no planeta. Mas o Mohun Bagan nas redes tem engajamento pequeno para este padrão estrondoso que os indianos indicam: menos de 1 milhão de seguidores. Mas o time é realmente popular e será exatamente no estádio onde o Mohun Bagan joga que o Brasil enfrentará a Índia: o Salt Lake, com capacidade para 85 mil, maior do que o atual Maracanã.
Outros times de sucesso na Índia são o atual campeão East Bengal e o Mumbai City, que, assim como o Bahia no Brasil, tem uma parceria com o Manchester City. East Bengal, Mumbai e o Mohun Bagan são os times com mais jogadores convocados da atual seleção.
A seleção da Índia é muito frágil?
Sim. A seleção de futebol da Índia é uma das mais fracas do momento. O país ocupa apenas a posição 138 do ranking da FIFA. Não conta com nenhum jogador que atue fora do país exceto seu terceiro goleiro (Kumar, do Slovan, da Eslovênia). Desde 2024, venceu apenas duas partidas, perdendo 14 e empatando 8. Isso enfrentando seleções relativamente fracas. Para se ter ideia, os jogos contra o Brasil, neste sábado, e contra o Uruguai, dia 6, são os primeiros da história da Índia contra seleções do Top 10 do ranking da Fifa.
Nas últimas eliminatórias para a Copa, a seleção caiu na fase de grupos, em terceiro, em uma chave que classificou Kuwait e Catar para a fase seguinte. Mas ocorreu uma façanha, ao menos: o time venceu o Kuwait fora de casa por 1 a 0, a grande vitória indiana no futebol nas últimas duas décadas. Outro ponto favorável: a Índia, nesta data FIFA, conseguiu empatar com o Panamá em 1 a 1 no último dia 26. Bom resultado diante de uma seleção que jogou a última Copa.
Na história, a Índia tem como maior resultado o vice-campeonato da Copa da Ásia de 1964. Na época tinha uma das seleções mais fortes do continente. Mas a partir do fim dos anos 60 caiu em grande declínio. Fora isso, passou ao longe das demais competições relevantes, embora tenha vencido a limitada Copa do Sul da Ásia.
Quais os maiores astros do futebol indiano
Historicamente, fala-se em dois nomes, ambos muito pouco conhecidos fora de seu país. O primeiro deles é Bhaichung Bhutia, que atuou profissionalmente entre 1993 e 2015, com 83 jogos pela seleção e 27 gols. Tem o status de ser o primeiro jogador da Índia a atuar no futebol inglês, mas no modesto Bury, de divisões inferiores. O outro, muito mais popular, é Sunil Chhetri. Tirando uma breve passagem pelo Kansas City Wizards e pelo Sporting B, atuou sempre na Índia. É o jogador com o maior número de partidas pela sua seleção (cerca de 157) e mais gols (95). Apenas quatro jogadores tem mais gols pelas suas seleções do que ele, pela Fifa. Para muitos, é o maior jogador do país em todos os tempos.
No time atual, o destaque é o goleiro Gurpreet Singh Sandhu, que fará contra o Brasil a sua 90ª partida pela Índia. Ele também é o capitão. Dois outros nomes são o atacante Manvir Singh, o camisa 9, que é o atual artilheiro da seleção indiana; e o seu parceiro de ataque, o camisa 10 Ricky Williams, que foi, inclusive, o autor do gol dos indianos no empate em 1 a 1 com o Panamá no último dia 26/9.
O treinador é Khalid Jamil, que nasceu no Kuwait, mas tem dupla nacionalidade, defendeu a seleção indiana entre 1998 e 2006, jogando 40 partidas. Comanda os “Tigres” indianos desde 2024.
Qual a provável seleção base que enfrentará o Brasil
Gurpreet Singh Sandhu; Abhishek Singh Tekcham, Anwar Ali, Varghese e Akash Mishra; Lalengmawia, Ricky Shabong, Ashique Kuruniyan e Vikram Partap Singh; Manvir Singh e Ryan Williams.
Onde eles jogam
Gurpreet Singh Sandhu (Bengaloru) – Fará seu jogo 90 pela seleção contra o Brasil.
Abhishek Singh Tekcham (Mohun Bagan).
Anwar Ali (Esat Bengal).
Bijoy Varghese (Punjab).
Akash Mishra (Mumbai City).
Lalengmawia Ralte (Mogun Bagan).
Ricky Shabong (Punjab).
Ashique Kuruniyan (Bangaluru).
Vikram Partap Singh (Mumbai City).
Manvir Singh (Mogun Bagan).
Ryan Williams (Bengaluru).