A evolução que anima e os problemas que continuam

Na vitória por 4 a 2 sobre a Austrália, Carleto fez mudanças e alterou a estrutura tática. Nem tudo melhorou, mas foi possível enxergar avanços

Rayan comemora golaço de Vsnderson, o primeiro da vitória da Seleção sobre a Austrália
Foto: Foto: Rafael Ribeiro / CBF
Rayan comemora golaço de Vsnderson, o primeiro da vitória da Seleção sobre a Austrália

A vitória por 4 a 2 sobre a Austrália, em Brisbane, trouxe alguns sinais positivos para a Seleção Brasileira. Depois de uma atuação decepcionante no primeiro amistoso, Carlo Ancelotti promoveu sete mudanças e alterou a estrutura tática. O resultado foi um time mais agressivo, mais vertical e, principalmente, mais confortável com a bola.

Isso não significa, porém, que o Brasil esteja perto do nível das principais seleções do mundo. Ainda há uma distância considerável entre o que a Canarinho apresenta atualmente e o que será exigido diante dos adversários mais fortes. Mas, ao menos dessa vez, foi possível enxergar avanços.

O primeiro deles apareceu na lateral direita. Vanderson mostrou por que hoje está à frente de Matheuzinho na disputa pela posição. Mais técnico, seguro e confiante, o lateral do Monaco participou diretamente do primeiro gol e teve uma atuação que vai muito além do golaço que fez.

A jogada do gol resume bem suas características. Ele iniciou a ação por dentro, criou uma linha de passe para Rayan e Gabriel Bontempo e apareceu na área para finalizar com um chute potente. Mas sua contribuição foi ainda maior ao longo da partida. Sempre que recebeu a bola, acelerou a transição ofensiva, encontrou bons passes e alternou movimentos pelo corredor e por dentro.

Contudo, o ajuste mais importante esteve no meio-campo. A presença de um meia à frente dos volantes deu ao Brasil uma dinâmica muito mais interessante. Gabriel Bontempo não foi brilhante, mas sua movimentação ajudou a organizar o setor e ofereceu uma conexão que vinha faltando entre a construção e o ataque.

Com três jogadores ocupando o meio, a Seleção deixou de circular a bola excessivamente para os lados e para trás. Quando o fazia, a equipe já estava instalada no campo adversário. Os zagueiros avançavam suas posições, os laterais apoiavam com mais frequência e a circulação da bola tinha propósito.

O resultado foi um Brasil mais rápido e direto do que vimos tanto no primeiro amistoso contra a Austrália quanto em vários momentos da última Copa do Mundo. Houve mais agressividade nos passes e maior intenção de atacar os espaços. Foi uma evolução evidente.

Mas nem tudo melhorou.

Se houve jogadores que aproveitaram a oportunidade, Vini Jr voltou a decepcionar apesar do gol de pênalti. O atacante fez mais uma atuação discreta, repetindo problemas que já haviam aparecido no amistoso anterior e que também têm marcado seu início de temporada pelo Real Madrid.

O treinador italiano dispõe de alternativas interessantes. Uma delas, a mais radical, seria abandonar temporariamente a ideia de um ponta-esquerda fixo e testar um sistema em 4-4-2. Nesse cenário, Andrey Santos, Danilo e Bruno Guimarães poderiam formar a base do meio-campo, com Estêvão mais centralizado, como articulador. Na frente, Rayan e Raphinha seriam uma dupla bastante móvel.

Aliás, Raphinha talvez tenha deixado uma das reflexões mais interessantes da partida. Mesmo sem grande atuação individual, mostrou que pode ser uma alternativa como atacante mais centralizado. É uma função que vem desempenhando com frequência e eficiência em seu clube, e merece ser observada com mais atenção pela comissão técnica, especialmente pensando em jogos de alto nível.

Além disso, outras combinações ofensivas podem ser exploradas. Rayan ao lado de João Pedro ou até mesmo de Pedro são possibilidades que merecem testes antes que a equipe chegue às competições mais importantes.

Se existe uma conclusão clara após esses amistosos, ela está no meio-campo. Independentemente dos nomes escolhidos, o Brasil precisa atuar com três ou quatro jogadores na faixa central. Foi assim que a equipe encontrou mais equilíbrio, melhor circulação e maior capacidade de progressão.

Futebol é fazer testes a todo instante em busca da melhor formação. E a segunda partida contra a Austrália mostrou, ao menos, um caminho. Agora cabe a Ancelotti insistir no que funcionou e ter coragem para mexer no que continua não dando resultado.