E agora? São Paulo frustra meta de repetir 2023 e estancar crise

Campeão da Copa do Brasil há três anos, Dorival Júnior não consegue repetir agora trabalho que dê alívio às dificuldades do clube.

Dorival Júnior foi bastante crítico ao avaliar desempenho do São Paulo
Foto: Rubens Chiri / São Paulo FC
Dorival Júnior foi bastante crítico ao avaliar desempenho do São Paulo

Eliminado da Copa Sul-Americana, o São Paulo viu frustrado os planos de reviver o cenário de três anos atrás. Em 2023, com Dorival Júnior no comando, o clube conquistou o inédito título da Copa do Brasil e garantiu vaga direta na Copa Libertadores do ano seguinte. Agora, com o técnico de volta, o objetivo era levantar uma taça importante após três anos e reviver um pouco da tranquilidade que inexistiu nas duas últimas temporadas. Especialmente porque a equipe faz campanha irregular no Brasileirão e hoje está mais próxima da zona de rebaixamento que do G5, que dá lugar na principal competição continental.

Após perder por 1 a 0 na Bombonera, o Tricolor precisava de uma vitória simples para levar a decisão aos pênaltis. Porém, sem o atacante Calleri, suspenso, e muita dificuldade para criar chances, particularmente no primeiro tempo, a equipe empatou com o Boca Juniors por 1 a 1, no Morumbis, e deu adeus à Sul-Americana. Embora tenha finalizado 16 vezes, o time paulista teve apenas duas grandes chances e decepcionou o torcedor que lotou o estádio.

“Tivemos um primeiro tempo irreconhecível em todos os aspectos e temos que assumir a responsabilidade disso. Poderia ter fechado os olhos e tirado quatro, cinco jogadores, não teria sido nenhum espanto pelo que deixamos de realizar. Não tivemos nada. Parecia que estávamos totalmente fora do jogo, do contexto, e isso comprometeu nosso resultado”, declarou Dorival, com a franqueza que tem sido uma marca em suas entrevistas.

Desabafo de Luciano ilustra momento de dificuldade financeira

O São Paulo enxergava na Sul-Americana não só a oportunidade de conquistar um título internacional e assegurar vaga na Libertadores. A competição era vista como forma de quitar dívidas acumuladas de direitos de imagem com o elenco. Em alguns casos, há acúmulo de seis meses de atraso. Caso eliminasse o rival argentino, o clube receberia da Conmebol US$ 800 mil dolares (cerca de R$ 4,1 milhões). Quem levantar o troféu no dia 21 de novembro, em Barranquilla, na Colômbia, irá irrigar os cofres em US$ 10 milhões (pouco mais de R$ 51 milhões, na cotação atual).

Após a partida, um desabafo do atacante Luciano deu a medida de quão delicada é a situação. Um dos líderes do elenco, o camisa 10 pediu desculpas à torcida e declarou nunca ter recebido em dia no clube.

“Nunca recebi salário em dia aqui. Muitos jogadores que vêm para o São Paulo, vêm porque querem vestir a camisa, porque querem estar aqui. Eu quero estar aqui. A gente ajuda quem a gente precisa e tentou deixar os problemas fora de campo para focar no Boca. A gente queria ter vencido para dar a vitória para a torcida, que fez uma história. É pedir desculpas”, afirmou o jogador, ainda no gramado, à reportagem do SBT.

São Paulo acumula campanhas frustradas desde título da Copa do Brasil de 2023

No dia 13 de maio, o São Paulo anunciou a demissão de Roger Machado. A interrupção do trabalho do técnico gaúcho após 17 partidas aconteceu após derrota para o Juventude por 3 a 1, em Caxias do Sul, pela terceira fase da Copa do Brasil. Em seguida à eliminação para um clube que está na Série B, a diretoria encontrou em Dorival Júnior o substituto ideal. Afinal, em 2023 o treinador levou o clube a seu único título do torneio nacional. Porém, com a queda na Sul-Americana, o técnico participou da sexta eliminação seguida do Tricolor em competições de mata-mata em fases anteriores às semifinais desde a conquista de três temporadas atrás.

Na Copa do Brasil, a queda para o Juventude foi a mais precoce nesse período. Em 2024, quando defendia o título, o Tricolor foi eliminado nas quartas de final pelo Atlético-MG, com derrota em casa e empate em Belo Horizonte. Já no ano passado, a queda se deu nas oitavas, para o Athletico-PR, nos pênaltis.

Em 2023, já com Dorival, o São Paulo caiu na Sul-Americana também nas quartas de final em casa. Na ocasião, a eliminação aconteceu nos pênaltis, contra a LDU, após vitória por 1 a 0 – no Equador, o rival havia vencido por 2 a 1. Nas duas últimas temporadas, as frustrações aconteceram na Libertadores, ambas no Morumbis. Em 2024, perdeu para o futuro campeão Botafogo, nas penalidades, pelas oitavas de final. No ano passado, novamente a LDU foi a vilã. O time do Equador venceu por 2 a 0, em Quito, e 1 a 0, na casa tricolor.

Campeonato Brasileiro vira caminho único para acalmar ânimos

A partir de agora, o São Paulo tem apenas o Campeonato Brasileiro até o fim de 2026. No sábado (19), a equipe recebe o Internacional, pela 28ª rodada. Os gaúchos estão na zona do rebaixamento, com 28 pontos, apenas cinco atrás do Tricolor paulista. Assim, uma vitória é essencial para a equipe de Dorival Júnior dar uma resposta à torcida, descolar-se da parte inferior da tabela e ainda sonhar com vaga na Libertadores.

Com 33 pontos, o São Paulo tem um jogo a menos que parte dos seus concorrentes diretos. O clássico contra o Santos, adiado da 21ª rodada, foi remarcado para 2 de outubro, no Morumbis. Como após a próxima rodada haverá uma parada para a Data Fifa, a equipe fará esses dois confrontos em casa em sequência (Inter e Santos). A última dobradinha caseira da equipe na competição foi com vitórias sobre Bragantino e Atlético-MG. Uma série que deu fim a jejum de dez jogos e 126 dias sem vencer no Brasileirão.

“Vamos concentrar todas as nossas forças agora que ainda resta o Brasileiro, para deixar o São Paulo onde merece e ficar na primeira divisão. Quando falei que seria um ano difícil, é por tudo que vem acontecendo. Todo dia sai uma notícia ruim do São Paulo”, afirmou Luciano, em tom realista. Os próximos jogos pelo Brasileirão irão mostrar, de fato, o que o time ainda pode aspirar na reta final da temporada.