Uefa desiste de boicote à Fifa após polêmica por venda de ações

Entidade europeia recebeu garantias de que Infantino não retomará plano de negociar participação privada nos direitos comerciais de torneios

Infantino foi pressionado no cargo após apresentar plano polêmico de venda de ações
Foto: Divulgação: White House Official
Infantino foi pressionado no cargo após apresentar plano polêmico de venda de ações

A Uefa decidiu recuar da ameaça de boicote às competições da Fifa após receber garantias de que a entidade máxima do futebol não voltará a tentar vender participação em direitos comerciais da Copa do Mundo e de outros grandes torneios. A decisão encerra, pelo menos por enquanto, uma das maiores crises recentes entre as duas organizações.

A tensão começou depois que a Fifa apresentou o projeto Fifa Forward Enterprises (FFE), que previa a criação de uma estrutura empresarial para administrar direitos comerciais das principais competições. A proposta abriu a possibilidade de participação de investidores privados e provocou forte reação das federações europeias.

Diante da repercussão negativa, as 55 associações filiadas à Uefa concordaram com a possibilidade de boicotar torneios organizados pela Fifa. A entidade europeia, no entanto, condicionou o fim da ameaça a duas garantias: a retirada definitiva do projeto e o compromisso de que uma iniciativa semelhante não seria apresentada novamente.

A Fifa abandonou o plano no fim de julho. Agora, segundo as informações divulgadas nesta quarta-feira (26), a entidade também assegurou que não retomará uma proposta semelhante no futuro. Com isso, a Uefa decidiu encerrar o movimento de boicote.

Conflito com Infantino continua

Apesar do acordo sobre a venda de participação comercial, a relação entre a Uefa e Gianni Infantino continua desgastada. O presidente da Fifa enfrenta forte oposição de dirigentes europeus, que passaram a questionar abertamente sua permanência no comando da entidade.

A Uefa, portanto, encerra o boicote, mas não abandona a pressão política contra Infantino. O dirigente suíço pretende disputar novamente a presidência da Fifa, enquanto nomes de outras confederações aparecem como possíveis alternativas para a eleição de 2027.

Além disso, a crise provocada pelo projeto FFE deixou marcas dentro da própria Fifa. A proposta sofreu resistência de diferentes setores e acabou retirada após uma reação internacional que colocou Infantino sob pressão.